Economia
Trump reduz tarifas para carne bovina, café e frutas
Sem detalhes sobre quais tarifas foram retiradas, Cecafé e ABIEC ainda avaliam a ordem executiva do governo dos Estados Unidos.
Sabrina Nascimento | São Paulo e Daumildo Júnior | Brasília | Atualizada às 19h42
14/11/2025 - 19:23

O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, assinou nesta sexta-feira, 14, uma nova ordem executiva que modifica a tarifa recíproca imposta à países considerados “responsáveis pelos déficits comerciais norte-americanos”.
A mudança retira certos produtos agrícolas da lista de itens sujeitos à sobretaxa, em uma medida que o governo classifica como “necessária e apropriada” para lidar com a emergência nacional declarada anteriormente.
Na lista de produtos beneficiados da redução, estão:
- carne bovina
- café
- açaí
- frutas tropicais (banana, manga, mamão, abacaxi)
- suco de laranja
- tomates
- castanha-do-brasil
Setor de carne bovina comemora
Em nota, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) disse considerar a decisão como “muito positiva”. Segundo a entidade, a medida reforça a confiança no diálogo técnico entre os dois países e reconhece a importância da carne do Brasil, marcada pela qualidade, pela regularidade e pela contribuição para a segurança alimentar mundial. “A redução tarifária devolve previsibilidade ao setor e cria condições mais adequadas para o bom funcionamento do comércio”, destaca o comunicado.
A associação também lembrou que os Estados Unidos são o segundo maior mercado da proteína produzida no Brasil. Somente no ano passado, foram mais de 229 mil toneladas, somando US$ 1,35 bilhão em receita. Neste ano, os norte-americanos vinham comprando grandes volumes até a imposição do tarifaço de 40%, o que mantém o país norte-americano como o segundo principal destino em 2025. Até o outubro, foram 231,9 mil toneladas e um faturamento de US$ 1,38 bilhão.
“A indústria brasileira seguirá trabalhando em cooperação com autoridades brasileiras e americanas para ampliar oportunidades e consolidar o Brasil como parceiro confiável e competitivo no cenário internacional”, completou a nota da associação.
A Abiec ainda informa que analisa a ordem executiva dos americanos para precisar qual deve ser a tarifa aplicada à carne brasileira. Sem as tarifas impostas neste ano (10% em abril e 40% em julho), o produto já tinha 26,4% de alíquota.
Setor de café esboça cautela
Sem detalhes sobre quais tarifas foram retiradas, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) segue cauteloso. Em comunicado, a entidade recorda que foram aplicada duas tarifas sobre as exportações brasileiras: a base, de 10%, e a adicional, de 40%, referente ao Artigo 301.
Por isso, segundo a entidade, é necessário “análise para entender se esse novo ato se aplica apenas à tarifa base de 10%, à de 40% ou a ambas”. O Cecafé destaca que está em contato com seus pares norte-americanos, neste momento, para analisar, cuidadosamente, a situação e ter noção do real cenário que se apresenta.
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