Economia
Avanço das exportações de carne bovina para os EUA ainda depende do preço interno, diz Abiec
Associação afirma que ainda é difícil medir o impacto da queda da tarifa de 10%, já que as margens seguem pressionadas pelo preço do boi gordo
Daumildo Júnior | Belém | daumildo.junior@estadao.com
18/11/2025 - 14:41

Mesmo com a redução de 10% na tarifa sobre a importação de carne bovina brasileira, ainda não é possível determinar se haverá aumento ou não dos embarques para os norte-americanos. De acordo com o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), pode haver aumento na tonelagem exportada, mas o mercado interno pode ter mais impacto.
“Essa redução de 10% pode ter um incremento adicional na tonelagem, mas nós temos que acompanhar. Porque depende do preço do boi no mercado interno. Se a gente continuar com a competitividade, pode ser que tenha um incremento. Se a gente perder a competitividade, por conta de preços internos, ainda não conseguiremos exportar mais”, disse Perosa ao Agro Estadão.
O presidente da associação dos exportadores destacou ainda que não é possível mensurar o impacto positivo que a queda dos 10% terá. Segundo ele, após o tarifaço, o Brasil continuou exportando aos Estados Unidos cerca de 10 mil toneladas mensais em média. O que se espera é um aumento, mas não é possível “mensurar”.
Quanto ao preço do mercado interno atualmente, ele relata que as margens dos frigoríficos estão reduzidas. “Hoje o preço interno, o preço do boi está muito pressionado, em termos de que está caro para indústria. E a gente tem que ter uma margem pra fazer isso. Com a tarifa, não conseguimos ter essa margem para exportar pros Estados Unidos. Precisa diminuir a tarifa pra gente ter margem para exportar”, explicou o presidente da Abiec.
Especialista vê que exportações podem não ser impactadas no curtíssimo prazo
O pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Thiago Bernardino, também não vê perspectiva para um incremento nas exportações de carne bovina aos Estados Unidos, ao menos, no curtíssimo prazo.
“A gente não deve ter um grande impacto porque o mercado doméstico está valorizando, então, também precifica mais essa carne no mercado internacional. Os Estados Unidos até aumentaram um pouco mais as compras deles em outubro em relação a setembro e vem pagando um pouco menos. Então, o que eu quero enxergar é que haverá um equilíbrio entre o preço pago, seja pelo consumidor brasileiro, o preço pago pelo mercado internacional, no caso, os Estados Unidos e, obviamente, a oferta interna”, acrescentou o especialista.
Ele ainda elenca outras questões que acabam pesando no faturamento das empresas frigoríficas. “A oferta, tradicionalmente, no final do ano é um pouco mais restrita somada a um preço maior pago pelo brasileiro e, com o câmbio a R$5,30, R$5,35, eleva, obviamente, o preço internacional e, com isso, a necessidade de rearranjo [do mercado como um todo], seja diminuir compras ou seja pagar menos. Então, no curto prazo, a gente não acredita que vá subir muito o abate e isso vai demorar um pouquinho para a gente observar”, concluiu.
Bernardino disse ainda que é preciso observar os próximos dias do mercado para entender como será a dinâmica. Por isso, não quis dar um panorama de quanto deve ser esse “curto prazo”.
Redução ainda não resolve o problema, mas indica caminho
Questionado se a redução de 10% teria sido ruim para o mercado de carne bovina brasileira, Perosa apontou que uma diminuição na tarifa é boa. Mas disse que “ainda não se resolveu o problema”.
“Há quatro meses atrás, qual era o sinal que vinha do governo americano? Um aumento de tarifas, aumentou unilateralmente para todo mundo, para alguns países ainda mais. A mensagem agora é redução de tarifas. Isso não tem como não ser bom”, comentou o presidente da Abiec
A associação também espera que haja novos avanços por parte do governo brasileiro para que as tarifas de 40% também sejam revistas pelos norte-americanos. Com a redução anunciada na sexta-feira passada, a alíquota de entrada sobre a carne bovina brasileira é de 66,4%.
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