Economia
Redução de só 10% pode ter sido “engano” e governo brasileiro espera redução da taxa de 40%
A expectativa é de que os EUA expliquem a situação na próxima segunda; Alckmin diz que o país segue trabalhando para reduzir a taxa
Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com
15/11/2025 - 12:51

Após algumas trocas de informações entre partes do governo brasileiro e do governo norte-americano, há uma expectativa de que a redução de apenas 10% nas tarifas pode ter sido um engano. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) deve questionar a Casa Branca se houve algum “esquecimento” quanto à retirada dos outros 40%.
“Pode ser que tenha sido um erro administrativo. Eles [norte-americanos] mesmos estavam indicando que talvez pudesse ter sido esquecida na hora de colocar”, disse uma fonte ligada ao governo federal. De acordo com ela, a expectativa é de que na próxima segunda-feira, 17, haja mais algum retorno dos Estados Unidos para explicar melhor a situação.
No fim desta sexta-feira, 14, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, editou uma ordem executiva em que incluiu uma série de produtos agropecuários na lista de isenção da sobretaxa de 10% aplicada ao Brasil em abril, na onda das chamadas alíquotas recíprocas. No entanto, o Brasil tinha uma sobretaxação acumulada de 50%, sendo que os outros 40% foram anunciados em julho.
Segundo essa fonte, é preciso ter cautela na avaliação da ordem executiva, mas a condição do mercado interno norte-americano vem pressionando contra as tarifas. “A grande questão aqui é que houve uma sinalização de que os preços internos dos Estados Unidos estão começando a se elevar, conforme era previsto pelas leis da economia. Vamos esperar segunda-feira para ver se teve alguma diferença ou algum esquecimento. Pode ter acontecido, mas não dá pra garantir”, afirmou ao Agro Estadão.
A análise feita é de que a medida decretada por Trump nesta sexta-feira é geral, mas com viés para o Brasil, que tem capacidade para fornecer quantidade suficiente para abastecer os Estados Unidos e num curto período. Por isso, se a ideia é baixar preços de forma rápida, manter uma tarifa de 40% sobre produtos como café e carne não ajudaria.
“Não dá pra dizer que sim, nem que não, mas algumas coisas chamam a atenção. Por exemplo, não faria sentido você ter açaí, o próprio café, no caso do Arábica, e manter os 40% do Brasil, que é o maior fornecedor desses produtos. […] A carne, por exemplo, pode juntar a Argentina, Uruguai, quem você quiser juntar, que não tem nem gado com as condições que o americano precisa e nem a quantidade que o Brasil teria para disponibilizar”, comentou.
“Avanços sucessivos”
Neste sábado, 15, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse que a medida de Trump foi positiva. Ele afirmou ainda que o país vai continuar trabalhando para que haja a redução dos 40% e vê caminho para isso já que houveram “avanços sucessivos” desde as imposições de tarifas.
Alckmin é um dos encarregados das negociações com os Estados Unidos e sobre o café, ele apontou que o cenário, mesmo com a redução de 10%, ainda não traz competitividade ao produto brasileiro. “Há uma distorção que precisa ser corrigida. Todo mundo teve 10% a menos, só que, no caso do Brasil, que tinha 50%, ficou com 40%, que é muito alto”, pontuou a jornalistas no Palácio do Planalto, em Brasília (DF).
Ele também indicou que a medida desta sexta isenta totalmente o suco de laranja e aumenta a cota de produtos com alíquota zero. “O Brasil exportou no ano passado, em números redondos, US$ 40 bilhões de dólares. Desses US$ 40 bilhões, 23% estavam zerados, não tinha alíquota. Isso passou para 26%, com essa decisão publicada ontem”, acrescentou o vice-presidente.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Economia
1
Arábia Saudita quer aumentar em 10 vezes sua produção de café
2
Decisão sobre salvaguardas da China leva tensão ao mercado da carne bovina
3
Rumores sobre salvaguarda da China para carne bovina travam mercado
4
Banco do Brasil usa tecnologia para antecipar risco e evitar calotes no agro
5
China cancela compra de soja de 5 empresas brasileiras
6
Exportadores alertam para perda irreversível do café brasileiro nos EUA
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Economia
PIB, juros e inflação: CNA aponta o que esperar para 2026
Confederação analisa resultados do setor em 2025 e aponta perspectivas para a agropecuária no próximo ano
Economia
Cecafé: exportador tem prejuízo de R$ 8,7 mi com infraestrutura defasada
Atrasos e limitações nos portos impediram embarque de 2 mil contêineres
Economia
CNA projeta impacto negativo de US$ 2,7 bilhões com tarifas americanas em 2026
Em balanço e perspectivas para o próximo ano, a entidade também destacou que o setor deve ficar atento à relação com a China e com a União Europeia
Economia
Argentina reduz impostos sobre as exportações de grãos
Apesar de tímidas, as reduções podem pressionar os preços futuros, sobretudo da soja, já afetada pelo ritmo lento das compras chinesas, avalia Carlos Cogo
Economia
Salvaguardas agrícolas endurecem acordo Mercosul–UE; saiba o que mudou
As alterações incluem prazos mais curtos e a aplicação das normas de proteção para produtos agrícolas, como carne bovina e aves
Economia
Filipinas proíbem importações de carne suína da Espanha e de Taiwan
A suspensão ocorre após novos casos de peste suína africana nos dois locais; medida pode beneficiar as exportações brasileiras
Economia
Faturamento da exportação de ovos cresce quase 33% em novembro
De acordo com a ABPA, Brasil exportou, no acumulado do ano, 38,6 mil toneladas, o que representa um aumento superior a 135%
Economia
Europa recolhe carne bovina do Brasil e amplia pressão contra acordo Mercosul-UE
Medida foi tomada em pelo menos 11 países da UE e no Reino Unido por causa de hormônios proibidos em lotes de carne brasileira