Economia
Estudo aponta Brasil como o principal beneficiado pelas novas tarifas dos EUA
Brasil registra maior redução média entre os países analisados; China, Índia e Canadá também registram reduções
Redação Agro Estadão
23/02/2026 - 10:52

Após as mais recentes mudanças tarifárias anunciadas pelos Estados Unidos (EUA), o Brasil vai registrar a maior redução nas tarifas médias aplicadas aos seus produtos pelo mercado norte-americano. Isso, considerando a nova tarifa global de 15% anunciada por Trump, prevista para entrar em vigor na terça-feira, 24. A estimativa consta em levantamento da plataforma independente de monitoramento de políticas comerciais, Global Trade Alert.
Os dados mostram que a alíquota média que incide sobre bens brasileiros importados pelos EUA deve cair 13,6 pontos percentuais. Essa é a maior redução entre todos os países analisados. Na sequência do Brasil, estão: China (-7,1), Índia (-5,6), Canadá (-3,3) e México (-2,9).
Segundo o estudo, antes da mudança, parte expressiva das exportações brasileiras enfrentava sobretaxas elevadas que chegavam, em alguns casos, a até 40%. Com a nova regra, a tarifa média efetiva aplicada aos produtos brasileiros tende a ficar em torno de 12,8%.
“Reequilíbrio” do comércio
Ainda na sexta-feira, 20, logo após o anúncio da então tarifa de 10% pelos EUA — no final de semana, a tarifa foi elevada para 15% —, o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, avaliou que o Brasil não perderá competitividade no mercado norte-americano.
Segundo ele, como a alíquota é aplicada de forma geral a todos os países, o Brasil deixa de enfrentar uma desvantagem específica — antes, parte das exportações nacionais estava sujeita a sobretaxas que ultrapassavam 40%. Alckmin destacou ainda que a decisão da Suprema Corte dos EUA tende a ampliar o fluxo comercial bilateral. Produtos como mel, café solúvel e algumas frutas, que enfrentavam barreiras cumulativas de até 50%, devem ganhar fôlego.
O vice-presidente ressaltou que os EUA são o principal destino de manufaturados brasileiros, segmento de maior valor agregado, e que a redução gradual das sobretaxas já vinha ocorrendo após negociações diplomáticas e articulação do setor privado.
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