Economia
São Paulo firma parceria com fundo sueco para expandir cadeia do biometano
Projeto prevê R$ 5 milhões para estudos de expansão da produção de biometano e e aproveitamento de resíduos do setor sucroenergético
Redação Agro Estadão
23/01/2026 - 11:43

O avanço do biometano em São Paulo ganhou um novo impulso nesta semana. Isso ocorreu com a parceria internacional entre o governo paulista e a Swedfund International AB — instituição financeira de desenvolvimento ligada ao governo da Suécia.
O acordo, firmado nesta quinta-feira, 22, pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil), prevê a realização de estudos técnicos voltados à expansão da infraestrutura do biometano no Estado. A ideia da iniciativa é mapear os investimentos necessários para a implantação de novos gasodutos.
Almeja-se ainda a avaliação do potencial de aproveitamento do chamado digestato, que é um subproduto rico em nutrientes gerado no processo de digestão anaeróbica. A parceria também irá avaliar novas estruturas de modelos de negócio para a produção e comercialização de biofertilizantes orgânicos a partir de plantas de biometano.
A parceria prevê um aporte de R$ 5 milhões, recursos integralmente custeados pelo governo da Suécia e destinados à contratação de consultorias nas áreas de energia, infraestrutura e biometano.
Segundo a secretária da Semil, Natália Resende, o projeto se insere em uma estratégia mais ampla de descarbonização da economia paulista. “O estado de São Paulo reúne condições excepcionais para a produção de biometano, que é um instrumento relevante para a redução das emissões de gases de efeito estufa, além de gerar emprego e renda”, destacando que a iniciativa está alinhada às metas do Plano de Ação Climática 2050 (PAC 2050) e do Plano Estadual de Energia 2050 (PEE 2050).
Parceria Sueca
Em experiências anteriores com o governo paulista, a instituição sueca, que atua no financiamento de estudos e investimentos sustentáveis em países em desenvolvimento, apoiou a pesquisa sobre a produção de biometano a partir de resíduos de estações de tratamento de esgoto e de aterros sanitários. Nesses casos, o foco da aplicação foi para o transporte coletivo em substituição ao óleo diesel.
Para a CEO da Swedfund, Maria Håkansson, a nova etapa da parceria reforça o compromisso com a transição energética. “Buscamos promover o uso eficiente e sustentável do biogás, contribuindo para o desenvolvimento econômico e para a adoção de tecnologias limpas e renováveis no transporte em São Paulo”, afirmou.
Estudos já realizados indicam um potencial expressivo no estado. Levantamento contratado pela Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp), com apoio técnico e institucional da Semil, estima que São Paulo pode produzir até 6,4 milhões de metros cúbicos de biometano por dia. Esse volume é capaz de gerar cerca de 20 mil empregos, diretos e indiretos, além de estimular o surgimento de uma nova cadeia industrial de equipamentos e serviços.
Ainda de acordo com a pesquisa, mais de 80% desse potencial está concentrado no setor sucroenergético, que aproveita resíduos da produção de açúcar e etanol — como vinhaça, torta de filtro, bagaço e palha — para a geração de biogás e biometano. Atualmente, o biometano já é utilizado no estado como insumo para a produção de fertilizantes, fonte de energia em processos industriais e combustível para frotas de transporte de cargas e passageiros.
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