Sustentabilidade
Biometano: o que é, como é produzido e qual a diferença para o gás natural
Com origem renovável, o combustível reduz custos e pode gerar uma nova fonte de renda para o produtor rural
Redação Agro Estadão*
29/09/2025 - 05:00

O biometano vem ganhando cada vez mais espaço nas discussões sobre a transição energética no Brasil, especialmente após a regulamentação do Programa Nacional de Descarbonização do Produtor e Importador de Gás Natural e de Incentivo ao Biometano.
A medida, instituída pelo Decreto que regulamenta a Lei nº 14.993/2024, integra o programa Combustível do Futuro e tem como objetivo ampliar a participação do gás renovável na matriz energética nacional.
Além de reduzir emissões e fortalecer metas ambientais, a iniciativa deve estimular investimentos no setor produtivo, criando novas oportunidades para o agronegócio e para a indústria.
O potencial de produção deste combustível renovável é significativo. O Agro Estadão já mostrou que o Estado de São Paulo, por exemplo, tem capacidade para produzir até 6,4 milhões de metros cúbicos de biometano por dia.
Este dado ressalta a importância crescente deste biocombustível no cenário energético nacional. Mas afinal, o que é o biometano, como ele é produzido e de que forma se diferencia do gás natural fóssil?
O que é o biometano?
O biometano é um combustível renovável de origem orgânica, com composição e propriedades semelhantes as do gás natural fóssil.
Trata-se de uma fonte de energia limpa que pode ser produzida na própria fazenda, oferecendo uma solução sustentável para os produtores rurais.
De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o biometano é definido como um biocombustível gasoso constituído essencialmente de metano, derivado da purificação do biogás.
Por que o biometano é relevante no cenário brasileiro?

A relevância do biometano no Brasil está diretamente ligada aos benefícios que oferece ao setor agropecuário. Em primeiro lugar, proporciona autonomia energética aos produtores, reduzindo a dependência de fontes externas de energia. Adicionalmente, contribui para a diminuição dos custos energéticos nas propriedades rurais.
Um aspecto fundamental é a valorização dos resíduos da propriedade. O biometano transforma o que antes era considerado um problema em uma solução energética, agregando valor à cadeia produtiva.
Como o biometano é produzido?
A produção de biometano aproveita diversos tipos de resíduos orgânicos da atividade rural. Entre as matérias-primas mais comuns estão o esterco animal (de bovinos, suínos e aves), restos de culturas agrícolas como a palha de milho e o bagaço de cana, além de resíduos agroindustriais.
Estes materiais, frequentemente descartados ou subutilizados, ganham nova vida no processo de geração de biometano.
O processo de produção do biometano envolve várias etapas:
- Coleta de resíduos: os materiais orgânicos são recolhidos e encaminhados para um biodigestor.
- Biodigestão anaeróbia: nesta fase, ocorre a decomposição da matéria orgânica por microrganismos na ausência de oxigênio, resultando na produção de biogás.
- Purificação (upgrading): o biogás passa por um processo de purificação para remover impurezas, transformando-se em biometano de alta qualidade.
Para facilitar o entendimento, podemos comparar o biodigestor a um “estômago artificial” que digere os resíduos orgânicos, produzindo gás como resultado. A etapa de purificação seria como um filtro sofisticado que refina esse gás, tornando-o adequado para uso.
Os principais equipamentos envolvidos na produção incluem biodigestores, que podem variar em tamanho e tipo conforme a escala de produção, sistemas de purificação e unidades de armazenamento do biometano.
É importante ressaltar que existem soluções adaptáveis a diferentes escalas de produção, desde pequenas propriedades até grandes empreendimentos agrícolas.
Diferenças entre biometano e gás natural

Embora o biometano e o gás natural fóssil sejam compostos principalmente por metano e possam ser utilizados para fins semelhantes, como geração de energia e combustível, suas origens e impactos ambientais são consideravelmente diferentes.
O gás natural é um combustível fóssil, formado ao longo de milhões de anos a partir da decomposição de matéria orgânica em condições geológicas específicas. Ele é extraído de reservatórios subterrâneos e é considerado um recurso não renovável.
Por outro lado, o biometano é uma fonte de energia renovável, produzida a partir da decomposição controlada de matéria orgânica em biodigestores.
Esta diferença fundamental na origem confere ao biometano vantagens significativas em termos de sustentabilidade.
A produção de biometano contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa, ao utilizar resíduos que, de outra forma, poderiam liberar metano diretamente na atmosfera.
Além disso, promove o gerenciamento eficiente de resíduos orgânicos na propriedade rural e fomenta uma economia circular no setor agropecuário.
Do ponto de vista ambiental, o biometano apresenta um impacto positivo, pois sua produção e uso ajudam a mitigar as mudanças climáticas. Em contraste, a extração e queima do gás natural liberam gases de efeito estufa adicionais na atmosfera, contribuindo para o aquecimento global.
Para o produtor rural, a opção pelo biometano pode trazer benefícios econômicos significativos. Ao produzir seu próprio combustível, o agricultor reduz a dependência de fontes externas de energia, diminuindo custos operacionais.
Ademais, a produção de biometano pode gerar uma nova fonte de renda, seja pelo uso próprio, seja pela venda do excedente.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
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