Economia
Exportações de café do Brasil recuam 27% no bimestre e vendas aos EUA têm forte queda
Real valorizado e produtores capitalizados, vendendo de forma gradual, ajudam a explicar a queda nas exportações, diz Cecafé
Redação Agro Estadão
10/03/2026 - 17:04

As exportações brasileiras de café iniciaram o ano em queda. Só no mês de fevereiro, os embarques recuaram 23,5%, somando 2,618 milhões de sacas de 60 kg e receita cambial de US$ 1,062 bilhão.
As perdas aumentam ao considerar os dois primeiros meses do ano, quando o volume de café exportado totalizou 5,410 milhões de sacas, queda de 27,3% em comparação com o mesmo período do ano passado. Em valores, no primeiro bimestre, a queda é de 13%, passando de US$ 2,575 bilhões em 2025 para os atuais US$ 2,241 bilhões.
Segundo o Cecafé, a queda nas exportações está ligada principalmente ao café arábica, cujas cotações vêm sofrendo perdas acentuadas na Bolsa de Nova York. Isso porque, fundos de investimento têm reduzido posições no mercado diante da expectativa de maior oferta na próxima safra.
Somada a isso, tem ainda a valorização do real frente ao dólar e a venda gradual por parte dos produtores brasileiros, que estão capitalizados neste início de ano. Fatores que acabaram reduzindo a competitividade do café do Brasil no mercado internacional. “Essa tendência deve permanecer até a entrada da próxima safra, ocasionando perda de market share do Brasil para outras origens produtoras, o que, obviamente, não é favorável em médio e longo prazos”, disse o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira.
Destinos
Entre os destinos do café brasileiro, a Alemanha foi o principal comprador, com a importação de 786.589 sacas, o equivalente a 14,5% do total exportado no primeiro bimestre. Ainda assim, esse volume está aquém do normal para o período, com queda de 20,1% na comparação com janeiro e fevereiro de 2025.
Já os Estados Unidos, um dos principais compradores do café brasileiro, também apresentaram retração. Foram enviadas ao país norte-americano 655.998 sacas, com redução de 45,8%. Na sequência, vêm Itália, com a importação de 568.598 sacas (+5,9%); Bélgica, com 331.747 sacas (-6,8%); e Japão, com 315.816 sacas (-34,5%).
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