Economia
Safra recorde: Conab estima 345 milhões de toneladas de grãos em 24/25
Milho e soja devem ter safras históricas; sorgo também tem bom desempenho
Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com | Atualizada às 09h40
14/08/2025 - 09:22

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou nesta quinta-fera, 14, a estimativa da safra brasileira de grãos do ciclo 2024/2025. De acordo com o 11º levantamento da estatal, o Brasil deve produzir 345,2 milhões de toneladas. Se confirmado, o resultado representa um recorde com incremento de 16% em relação à safra passada e 7,5% a mais do que a safra recorde anterior (2022/2023).
Em julho, a Conab havia estimado que a produção poderia chegar a 339,6 milhões. O novo levantamento aponta um aumento de 1,6%, puxado por acréscimos maiores nas projeções do milho e do sorgo. Ainda conforme a companhia, culturas, como soja, milho e algodão terão colheitas históricas.
O aumento é reflexo da maior área cultivada no país, com alta de 2,5% somando 81,9 milhões de hectares, mas, principalmente, pela produtividade média que deve alcançar 4.214 quilos por hectare, ante 3.783 quilos por hectare em 2023/2024.
Veja as estimativas para a safra recorde:
Soja – Com a safra praticamente encerrada, restam apenas algumas áreas em Alagoas, Ceará, Pernambuco, Roraima e Tocantins. A produção recorde estimada é de 169,6 milhões de toneladas, 14,9% a mais do que a safra do ciclo passado e 9% a maior do que o recorde anterior, de 2022/2023.
Milho – A colheita da primeira safra está “tecnicamente” encerrada. Já a segunda safra, que concentra o maior volume, está 83,7% concluída. Segundo a Conab, as produtividades observadas “têm sido superiores às estimativas iniciais”. A maioria das áreas com milho terceira safra estão caminhando para finalizar o ciclo. Ao todo, o Brasil deve produzir 137 milhões de toneladas.
Algodão – A expectativa é de que a safra da pluma passe de 3,93 milhões de toneladas. A colheita chega a aproximadamente 40% da área plantada. Em relação ao levantamento anterior (3,94 milhões de toneladas), houve uma pequena redução devido a uma queda na produtividade em alguns estados como Minas Gerais e Bahia.
Sorgo – A produção do sorgo vem crescendo e nesta safra pode superar 5,9 milhões de toneladas. Isso representa um aumento de 34,8% se comparado a safra de 2023/2024. Goiás é o principal produtor, com 1,5 milhão de toneladas previstas. Porém, Mato Grosso do Sul deve registrar um crescimento de 133,2% e o Maranhão de 103,7%.
Arroz – A colheita do cereal nas principais áreas produtoras já está finalizada, confirmando um aumento de produção, segundo a estatal. A estimativa é de 12,3 milhões de toneladas (+16,5% em relação à safra passada), sem alterações no comparativo ao último levantamento.
Feijão – Houve uma revisão para baixo da produção de feijão. A estimativa agora é de 3,08 milhões de toneladas (-3,5% em relação ao ciclo anterior). No mês passado, a estimativa era de 3,16 milhões de toneladas.
Trigo – A Conab observa que praticamente todas as regiões produtoras já finalizaram a semeadura do trigo. Mato Grosso do Sul e Minas Gerais já iniciaram a colheita. Nos demais estados, os estágios das lavouras variam. A estimativa é de que a produção alcance 7,81 milhões de toneladas (-1% na comparação com a safra passada). Não houve alterações significativas em relação ao levantamento anterior.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Economia
1
Minerva alerta pecuaristas após China detectar resíduo acima do limite na carne bovina do Brasil
2
Em investigação, China aponta 'dano grave' à indústria de carne bovina e notifica OMC e exportadores
3
Fim do papel: produtores rurais terão de emitir nota fiscal eletrônica em 2026
4
Reforma tributária: o que o produtor rural precisa fazer antes de janeiro?
5
Salvaguarda à carne bovina: Câmara Brasil-China vê desfecho favorável ao setor brasileiro
6
Europa recolhe carne bovina do Brasil e amplia pressão contra acordo Mercosul-UE
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Economia
Adoção de salvaguarda foi 'decisão difícil' para a China, avalia especialista
Larissa Wachholz diz que cotas e tarifas resultam de pressão interna e da busca por acomodar o setor local
Economia
EUA definem taxas de pagamento em pacote de ajuda a produtores
USDA anunciou que serão liberados R$ 12 bilhões a agricultores prejudicados por preços baixos e disputas comerciais
Economia
Ovos: perspectiva é de expansão, mas gripe aviária pede atenção
Expectativa é de avanço em torno de 1% na produção de ovos nacional em 2026, impulsionada pelo consumo interno e demanda externa
Economia
Carnes bovina e suína voltam a ser tributadas pelo México após ajuste
Decreto mantém tarifa zero para frango, milho e ovos; bovina e suína voltam a pagar até 25%
Economia
Exportações de carne à China: como o Brasil pode driblar nova cota tarifária
Com a carne bovina brasileira cerca de 22% mais barata que a de outros países, há o estímulo do mecanismo observado durante o período de tarifas dos EUA
Economia
Tarifa de 55% da China inviabiliza exportações fora da cota, diz associação
Segundo a Abrafrigo, limite imposto pelos asiáticos reduz em 500 mil toneladas o volume exportado pelo Brasil atualmente; Abiec e CNA também se posicionam
Economia
China impõe cotas para importação de carne bovina e atinge o Brasil
As medidas de salvaguarda serão implementadas por um período de três anos, começando em 1º de janeiro de 2026
Economia
Soja: fim de ano mantém mercado brasileiro sem negociações
Com negociações praticamente ausentes, preços seguem da soja estáveis no País, apesar de uma leve reação em Chicago