Cotações
Suínos: preços do animal vivo e das carnes fecham junho em alta
Exportações voltam a subir, mas ainda seguem inferiores a 2023; poder de compra melhora em relação ao milho e cai frente a soja, revela Cepea
Rafael Bruno | São Paulo | rafael.bruno@estadao.com
16/07/2024 - 12:38

Sustentados pelo desempenho das exportações brasileiras de carne suína e também pela procura aquecida da proteína no mercado doméstico, os preços dos produtos suinícolas encerraram junho em alta, marcando o segundo mês consecutivo de avanço.
De acordo com acompanhamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), na região paulista SP-5, que abrange os municípios de Sorocaba, São Paulo, Piracicaba, Campinas e Bragança Paulista, o preço médio do quilo do suíno vivo, no mercado independente, ficou em R$ 6,97, alta de 3% em relação ao observado em maio.
Dentre as praças monitoradas pelo Cepea na região Sul do país, em junho, o valor do animal negociado em Arapoti, Paraná, foi o que apresentou a valorização mais expressiva na comparação mensal, de 5,2%, com o quilo sendo precificado a R$ 7,04 em média.
Segundo o levantamento mensal, a forte demanda, observada sobretudo na primeira metade de junho, somada à oferta reduzida de animais em peso ideal para abate mantiveram elevados não só os valores de comercialização do suíno vivo, mas também os da carne.
Com a boa liquidez das vendas, a carcaça especial suína seguiu a tendência de alta do animal e se valorizou 4,5% de maio para junho, comercializada a R$ 10,31 o quilo no atacado da grande São Paulo. Para os cortes, na média das regiões paulistas, a elevação mais acentuada no preço foi registrada para o pernil com osso, de 7,1% no mesmo período, a R$ 11,09 o quilo em junho.
Exportações se recuperam em junho, mas seguem em baixa frente a 2023
Em junho, o Brasil exportou 105,9 mil toneladas de carne suína (considerando-se produtos in natura e processados), volume 2,5% superior ao de maio. Em igual comparação, a média diária de embarques foi de 4,7 mil toneladas, alta de 7,6%. Conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), em receita os embarques suínos renderam US$ 233,8 milhões, em junho, 4,5% a mais que no mês anterior.
Apesar do bom resultado mensal, quando comparados ao mesmo mês de 2023, os números mostram retração de 1% em volume (mês fechado) e queda de 10,8% em receita.
Relação de troca: suinocultor paulista se fortalece ante o milho, mas perde poder frente a soja
O poder de compra do suinocultor paulista frente ao milho, importante insumo utilizado na atividade, aumentou no sexto mês do ano, impulsionado pela combinação de alta no preço do vivo, de cerca de 3%, com o quilo a R$ 6,97 em média, e queda no valor do cereal de 1,8%, com a saca negociada a R$ 57,86 em média (referência SP para ambos os valores).
Já em relação ao farelo de soja, outro insumo de importância para o setor suinícola, o poder de compra do produtor caiu. As negociações do complexo soja estiveram mais aquecidas no mercado brasileiro, resultado das firmes demandas doméstica e externa e da valorização do dólar frente ao real. Como resultado, as cotações subiram. De acordo com dados do Cepea, em Campinas (SP), o farelo de soja fechou junho com média de R$ 2,192 mil a tonelada, alta de 3,7% em relação a maio.
Dessa forma, revela o boletim mensal, considerando-se o suíno comercializado na região SP-5 e os insumos negociados no mercado de lotes da região de Campinas, o suinocultor paulista conseguiu adquirir 7,23 kg de milho com a venda de 1 kg de animal em junho, quantidade 10,2% maior que a do mês anterior. Em relação ao farelo de soja, o suinocultor pôde comprar 3,18 kg, 3,7% a menos no mesmo comparativo.
Siga o Agro Estadão no Google News e fique bem informado sobre as notícias do campo.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Cotações
1
Laranja: recuperação de preços ficará para o próximo ano, diz consultoria
2
Quais fatores vão ditar o mercado da soja no primeiro trimestre de 2026?
3
Milho: aperto nos estoques dos EUA cresce e pode puxar preços em 2026
4
Café: safra do Vietnã e clima no Brasil pressionam cotações
5
Mercado de grãos tem baixa generalizada com safra cheia e cessar-fogo
6
Ceticismo nos negócios entre China–EUA limita reação da soja em CBOT
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Cotações
Soja sobe quase 2% em Chicago após China confirmar novas compras dos EUA
Compras de soja dos EUA por Pequim deram suporte às cotações, mas analistas seguem cautelosos quanto à continuidade do movimento
Cotações
Quais fatores vão ditar o mercado da soja no primeiro trimestre de 2026?
Cotações devem ser influenciadas por supersafra brasileira. avanço do acordo China-EUA e a política de biocombustíveis norte-americana
Cotações
Algodão: preços caem em 2025, mas Brasil mantém liderança nas exportações
Cenário estimulou novas programações para o início de 2026 e reforçou a estratégia do mercado a prazo para mitigar riscos
Cotações
Arroz: supersafra e baixa demanda levam preço ao menor patamar em quatro anos
Com a maior disponibilidade do grão ao longo do ano, as indústrias tiveram dificuldades para escoar o produto, enquanto o varejo reduziu compras
Cotações
Farelo de soja recupera perdas e registra níveis de preço vistos em abril
Recomposição de estoques por parte de avicultores e suinocultores e redução na oferta ajudam a explicar cenário, aponta Cepea
Cotações
Portaria autoriza IBGE a contratar para Censo Agro e de população de rua
Para os dois censos, 39.108 trabalhadores temporários serão chamados para atuar; seleção e ingresso serão por processo seletivo simplificado
Cotações
Café: safra do Vietnã e clima no Brasil pressionam cotações
Contratos futuros encerram o dia em forte queda em Nova York e Londres, com mercado físico travado e produtores retraídos
Cotações
Ceticismo nos negócios entre China–EUA limita reação da soja em CBOT
Apesar de novas vendas aos chineses, mercado segue cético quanto ao acordo China–EUA e vê preços acomodados diante da ausência de compras robustas