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Economia

Procura por seguro pecuário aumenta mais de 70% no Brasil de janeiro a maio de 2024

Já o total de contratações de seguro rural no mesmo período cresceu 5% em relação a 2023, aponta CNseg

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Rafael Bruno | São Paulo | rafael.bruno@estadao.com

26/07/2024 - 08:00

Foto: Adobe Stock
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Diante dos constantes efeitos climáticos que atingem diferentes regiões agrícolas do país, com chuvas em excesso no sul, seca no Norte e Centro Oeste, a demanda por seguros rurais tem crescido. De acordo com um levantamento da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), de janeiro a maio de 2024, as contratações de seguro rural somam R$ 5,2 bilhões em arrecadações, crescimento de 5% sobre igual intervalo de 2023.

No entanto, chama a atenção o avanço da procura pelo seguro pecuário, que de janeiro a maio deste ano cresceu 71,9%, com total arrecadado de R$ 54,4 milhões, contra a marca de R$ 31,6 milhões no mesmo período de 2023.

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“Enquanto o segmento rural cresceu 5% neste mesmo período, observamos que o segmento pecuário atingiu mais de dez vezes este percentual, mostrando que é um segmento interessante para o mercado e, por outro lado, que os pecuaristas estão preocupados em buscar proteção”, afirma Daniel Nascimento, vice-presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg).

Entre os estados com maior demanda pelo Seguro Pecuário, Goiás lidera o ranking, com arrecadação total de R$ 8,8 milhões e avanço de 141%. Na sequência, aparecem São Paulo, com R$ 6,9 milhões, e Maranhão, com R$ 6,6 milhões. Números que vão na contramão da lista de estados com maior rebanho do país.

Conforme Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o campeão na aquisição de seguros pecuários, Goiás, é o terceiro com maior rebanho bovino, com 24,4 milhões de cabeças, ficando atrás de Mato Grosso, com 34,3 milhões de cabeças, e do Pará com 24,8 milhões. 

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“A contratação do Seguro Pecuário depende de inúmeros fatores, como as questões da disponibilidade da subvenção do governo, de procura pelo produto ou da baixa percepção de risco, por ser uma região sem tanto impacto das mudanças climáticas quando comparada com outras regiões do país”, comenta Nascimento ao Agro Estadão.

Além de indenizar o produtor em caso de morte dos animais, o seguro direcionado ao segmento também pode ser acionado quando os preços ao produtor caem abaixo de um limite mínimo acordado com a seguradora. E foi esse o principal motivo do incremento nos cinco primeiros meses deste ano. 

“Sem dúvida, a queda nos preços da arroba do boi é o principal motivo da procura”, explica Daniel. Segundo ele, embora o seguro pecuário tenha como foco a cobertura da vida dos animais destinados ao consumo e produção, algumas seguradoras oferecem produtos que aliam os dois problemas: morte do animal e variações de preço. “A cobertura garante indenização sempre que o faturamento obtido com o rebanho segurado for inferior ao garantido em apólice”, diz ele.

Apesar da necessidade de proteger investimentos e garantir a estabilidade da produção motivar os pecuaristas a adotarem seguros como uma medida preventiva, assim estimulando a demanda, o levantamento mostra que o total pago em indenizações pelo Seguro Pecuário teve uma queda de 33,9%, totalizando R$ 7,8 milhões, de janeiro a maio deste ano.

Nascimento explica que, assim como os baixos preços impulsionaram as contratações num período, posteriormente a “estabilização das cotações do boi foi a principal causa da redução no pagamento dos sinistros”.

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Além do boi, as pastagens

Assim como a agricultura, que fornece insumos para a pecuária nacional, as pastagens também são fundamentais para a atividade. A Embrapa estima que o país tenha mais de 177 milhões de hectares de pastagens que servem para alimentar o gado e estão diretamente relacionadas ao rendimento dos rebanhos. No Brasil, são produzidos cerca de 95% de carne bovina em regime de pastagens, logo, os eventos climáticos podem acarretar na redução da qualidade dos pastos, que se tornarão menos proteicos, mais fibrosos e, portanto, de digestão mais demorada.

De olho nesse importante nicho, a CNseg também ressalta que o pecuarista pode buscar a opção de seguro para as pastagens, que cobre eventos climáticos extremos. Se a estiagem atinge o pasto, por exemplo, ameaçando a produtividade do rebanho, o produtor também é indenizado.

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