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Economia

Exportações brasileiras: agropecuária cresce 7,1% e puxa recorde

Setor agropecuário faturou US$ 77,6 bilhões no ano passado; carne bovina e café verde são os destaques em faturamento

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Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com | Atualizada às 17h

06/01/2026 - 16:37

Foto: Adobe Stock
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O Brasil bateu recorde nas exportações gerais em 2025, somando US$ 348,7 bilhões. O setor que mais cresceu foi a agropecuária, com um aumento de 7,1% no faturamento, chegando a US$ 77,6 bilhões. Os dados compilados do ano passado foram divulgados nesta terça-feira, 6, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). 

Dentro do Agro, alguns produtos tiveram crescimento significativo nos valores, ajudando no bom desempenho do setor. É o caso do café verde, que teve um aumento de 31,1% na comparação com o ano anterior, alcançando US$ 14,8 bilhões. O milho também foi outro produto que cresceu, somando US$ 8,5 bilhões (+5%) em receita gerada. 

CONTEÚDO PATROCINADO

Apesar da soja não ter crescido como os outros produtos, a oleaginosa teve uma alta de 1,4% nas receitas, superando os US$ 43,5 bilhões. Isso representa cerca de 12,5% de todas as exportações brasileiras em 2025. O algodão, apesar de figurar entre os principais produtos agropecuários exportados, teve uma queda de 4,39%, totalizando US$ 4,9 bilhões. 

Outros destaques positivos foram as exportações de especiarias e de animais vivos, exceto pescados e crustáceos. Os temperos produzidos e vendidos pelo Brasil cresceram 67,59% (US$ 623,6 milhões em 2025). Os animais vivos geraram um acréscimo na receita de 24,06% (US$ 1,1 bilhão). Frutas e nozes não oleaginosas também foram relevantes, com alta de 12,38% (US$ 1,3 bilhão).

Carne bovina representa quase 5% das exportações totais do Brasil

Devido à metodologia de análise adotada pelo MDIC, produtos da agroindústria são contabilizados no setor da indústria de transformação. É o caso da carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, que teve um crescimento de 42,5%. O resultado dos embarques ultrapassou US$ 16,6 bilhões. 

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Em termos de participação nas exportações gerais do Brasil, a carne bovina significou 4,76%. No ano passado, essa representatividade foi de 3,45%. 

Outros produtos da agroindústria que tiveram destaque no acumulado de 2025 foram:

  • Carne suína fresca, refrigerada ou congelada: US$ 3,3 bilhões (+19,11%);
  • Tabaco: US$3 bilhões (+13,32%);
  • Gorduras e óleos vegetais, “soft”, bruto, refinado ou fracionado: US$ 1,8 bilhão (+24,53%).

Alguns itens tiveram queda nos faturamentos comparados ao ano de 2024. É o caso dos açúcares e melaços, com exportações somando US$ 14,1 bilhões, um recuo de 24,1%, puxado por uma queda de 11,7% nos volumes embarcados. Carnes de aves e farelos de soja também caíram, respectivamente, 2,9% (US$ 8,8 bilhões) e 16,8% (US$ 8,6 bilhões). 

China continua principal destino do agro brasileiro

bandeiras Brasil e China
Soja, carne bovina e celulose figuram entre os principais produtos embarcados para o país asiático. Foto: Adobe Stock

O gigante asiático segue sendo o principal parceiro econômico do Brasil. No total, foram mais de US$ 100 bilhões em produtos vendidos aos chineses (+6%). Três dos cinco principais produtos exportados têm origem no agro:

ProdutosValor US$ Milhões Acum. Ano AtualValor US$ Milhões Igual Período do Ano AnteriorVar(%)Part(%) Acum. Ano AtualPart(%) Igual Período do Ano Anterio
Soja34.505,531.489,79,634,533,4
Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, crus20.088,219.964,10,620,121,2
Minério de ferro e seus concentrados19.542,719.879,0-1,719,521,1
Carne bovina fresca, refrigerada ou congelada8.842,95.979,947,98,86,3
Celulose5.002,94.616,68,45,04,9
Fonte: Secretaria de Comércio Exterior / Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

A União Europeia foi o segundo principal destino das exportações totais brasileiras, com uma soma de US$ 49,8 bilhões (+3,2%). As vendas de café para os europeus resultaram em US$ 7,1 bilhões, crescimento de 28,83%. Farelos de soja e farinhas de carnes tiveram queda de 3,39% (US$ 4 bilhões). Os valores dos envios de soja tiveram baixa de 15,65% (US$ 2,4 bilhões).

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Os Estados Unidos foram o terceiro mercado comprador do Brasil. As exportações para lá caíram 6,6%, totalizando US$ 37,7 bilhões. O café figura entre os cinco principais produtos enviados considerando os valores, com US$ 1,9 bilhão (+0,71%). Conforme o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão, depois da retirada das tarifas em novembro, alguns produtos já demonstraram uma reação.

“Temos uma evidência de que a revogação da tarifa do produto afetou positivamente a exportação [para os Estados Unidos] pelo movimento de carne bovina exportada em dezembro, especificamente. Esse produto aumentou em 44,4% em relação a dezembro do ano anterior”, destacou ao falar do volume observado em dezembro. 

Para 2026, a primeira expectativa do MDIC é de que as exportações gerais do Brasil fiquem entre US$ 340 bilhões e US$ 380 bilhões. 

Dezembro registra melhor resultado da história das exportações

Durante a apresentação dos dados, o vice-presidente da República e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, destacou os dados do último mês de 2025. “O resultado de dezembro foi muito bom, o melhor resultado da série histórica”, disse. Foram aproximadamente US$ 31 bilhões, o que é 24,7% maior do que o observado em dezembro de 2024. 

Só o setor da agropecuária registrou um aumento de 43,5% na receita gerada pelos embarques, alcançando US$ 5,7 bilhões. Entre produtos sem processamento industrial e os que passaram pela agroindústria, a carne bovina alcançou US$ 1,7 bilhão, um crescimento de 70,5%. O café também tem participação significativa, com US$ 1,5 bilhão (+52,9%), assim como a soja, com US$ 1,4 bilhão (+73,9%), e o milho, com US$ 1,3 bilhão  (+46%).

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