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Economia

Logística: transporte de produtos como grãos e proteínas deve atingir a marca de 450 milhões de toneladas até 2030; crescimento preocupa

Ineficiência no uso de veículos de carga rodoviários chegou aos 40% em 2023

4 minutos de leitura 09/08/2024 - 15:02

Por: Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com

Foto: Adobe Stock
Foto: Adobe Stock

O setor primário brasileiro, que inclui grãos, proteínas e minério, teve 320 milhões de toneladas transportadas em 2023. O dado foi apresentado pelo presidente da comissão de Infraestrutura da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Antônio Pagot, durante o seminário “Agenda 2030: Desafios da Logística Brasileira para a Competitividade Internacional”. Porém, o crescimento preocupa. Isso porque a estimativa é que nos próximos anos esse volume transportado aumente em cerca de 28,5%, o que poderia causar um apagão logístico. 

“Quando você analisa, as projeções mínimas [de crescimento do Brasil] que se faz para 2030 é pular de 320 milhões de toneladas no setor primário para 450 milhões de toneladas”, disse Pagot nesta quinta, 9, no evento em Brasília (DF) organizado pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) , Associação das Empresas Cerealistas do Brasil (Acebra) e Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (ANUT).

O que seria um número para comemorar na verdade pode causar sérios problemas. Fatores como a quantidade de veículos e a qualidade da logística interferem negativamente na projeção. 

A estimativa apresentada por Pagot é de que foram usados entre 250 mil e 300 mil caminhões, carretas e bitrens para transportar esse volume em 2023. Além disso, o grau de ineficiência no uso desses veículos chegou aos 40%. “E aí, por conta dessas ineficiências nós não vamos precisar de 300 mil carretas, mas talvez de um milhão de carretas para transportar, porque a tendência dessa ineficiência também é aumentar”, completou. 

O presidente da TAV Brasil, Bernardo Figueiredo, também falou desse cenário. Ele enfatizou que há um desequilíbrio no uso do modal rodoviário. Segundo ele, para que uma mercadoria seja entregue o caminhão roda em média mil quilômetros, sendo que o “transporte rodoviário só é competitivo abaixo de 500 quilômetros”. 

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“Hoje nós temos um excesso de oferta. A greve dos caminhoneiros foi para criar um piso, um valor mínimo de frete. Se o Brasil voltar a crescer e nós jogarmos uma pressão de demanda em cima do transporte rodoviário, a uma distância de mil quilômetros, nós vamos reverter esse quadro. Vamos ter o usuário brigando para ter um teto [de frete]”, exemplificou Figueiredo.

Solução passa por mais recursos 

Na visão dos especialistas, as ferrovias são uma respostas para o problema, mas viáveis apenas no longo prazo. O entendimento é que a aplicação de recursos para melhoria e duplicação das rodovias é o que tem que ser feito para um retorno mais imediato. 

“É preciso fazer mais ferrovias. Mas qualquer ação nesse sentido vai demorar 10 anos. Enquanto isso, o que se faz? Tem que dar eficiência ao transporte rodoviário. Como é que se dá eficiência ao transporte rodoviário? Como se reduz o custo do transporte rodoviário? Melhorando as estradas”, disse o presidente da TAV Brasil.

Na mesma direção, Pagot fez uma projeção de quanto é necessário para que o país tenha segurança na logística rodoviária. “Precisamos de R$ 100 bilhões [em investimento] para os próximos cinco anos. R$ 10 bilhões para os portos e R$ 90 bilhões para as duplicações e melhoria dessa malha rodoviária”, pontuou. “São recursos que eu não consigo ver no PAC 3 [Programa de Aceleração do Crescimento]”, complementou o presidente da comissão da Infraestrutura da FPA. 

Governo diz estar monitorando situação e aposta em investimentos de concessões

O diretor geral da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT), Rafael Vitale, também participou do debate. Ao Agro Estadão, ele ressaltou que o governo tem feito ações tanto no âmbito de investimentos públicos como na busca por privados. 

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O Ministério dos Transportes, tanto em 2024 quanto em 2023, recebeu muito recurso para fazer investimentos e os resultados estão aí nos indicativos de melhora das condições das rodovias. […] A gente vem intensificando essa transferência de ativos e o impacto de uma nova concessão é perceptível logo nos primeiros anos. Então nós estamos agora vivendo esses primeiros anos de concessões feitas há três, quatro anos e estamos celebrando muito a concessão nova neste ano e esses investimentos vão ser percebidos nos próximos um, dois, três anos”, apontou Vitale. 

Além disso, há uma revisão dos contratos de concessões antigas e que ainda precisam ser aprovados pelo Tribunal de Contas da União. De acordo com o diretor, isso irá trazer investimentos em rodovias que até então não tinham. 

“Na nossa conta aí nós estamos falando de mais de R$ 100 bilhões para esses contratos que estavam estressados e que passariam a estar performando novamente. E todo contrato de nova concessão são R$ 5 bilhões, R$ 10 bilhões em novos investimentos”, completou. 

Para Vitale, é preciso manter o “nível de atenção” já que “uma coisa é planejar e outra é executar”. No entanto, o diretor da Agência também elencou fatores externos ao Ministério do Transporte que influenciam no cumprimento dos planos. “Tem também questões de licenciamento ambiental, desapropriações, tem a modernização das próprias empresas com outros equipamentos, caminhões mais modernos e melhoria também nas suas estações de transbordo. Isso tudo tem que ser feito coletivamente”, concluiu.

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