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Economia

Gripe aviária: novo embargo à carne de frango brasileira

Exportações de carne de frango de todo país estão suspensas para 24 mercados; Zoológico de Brasília fecha por suspeita da doença e foco em ave silvestre é confirmado no RS

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Broadcast Agro* - Atualizada às 18h50

28/05/2025 - 11:26

Foto: Adobe Stock
Foto: Adobe Stock

O Kuwait suspendeu a importação de carne de frango do Brasil, após a confirmação de um caso de gripe aviária em granja comercial em Montenegro (RS) há dez dias. Ao todo, as exportações de carne de frango de todo o território brasileiro estão suspensas para 24 destinos, segundo levantamento mais recente do ministério.

Já a Macedônia do Norte ampliou sua restrição do estado do Rio Grande do Sul para todo o Brasil. Por sua vez, a Namíbia flexibilizou sua medida, restringindo agora apenas ao estado do Rio Grande do Sul. 
 
Segundo informações do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) desta quarta-feira, 28, a situação atual da suspensão de exportações é a seguinte: 

CONTEÚDO PATROCINADO
  • Suspensão total das exportações de carne de aves do Brasil: China, União Europeia, México, Iraque, Coreia do Sul, Chile, Filipinas, África do Sul, Jordânia, Peru, Canadá, República Dominicana, Uruguai, Malásia, Argentina, Timor-Leste, Marrocos, Bolívia, Sri Lanka, Paquistão, Albânia, Índia, Macedônia do Norte e Kuwait. 
  • Suspensão restrita ao estado do Rio Grande do Sul: Arábia Saudita, Turquia, Reino Unido, Bahrein, Cuba, Montenegro, Cazaquistão, Bósnia e Herzegovina, Tadjiquistão, Ucrânia, Rússia, Bielorrússia, Armênia, Quirguistão, Angola e Namíbia. 
  • Suspensão limitada ao município de Montenegro (RS): Emirados Árabes Unidos e Japão.

“As medidas de embargos são fruto de protocolos estabelecidos nas aberturas de mercados. De 160 países que o Brasil tem relação comercial, 128 mercados continuam plenamente abertos e sem restrições nem para o Rio Grande do Sul”, disse o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, nessa terça-feira, 27, durante audiência pública da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado. “A imensa maioria dos países não se manifestou contrária às exportações do frango brasileiro e reconheceu a força do sistema brasileiro”, acrescentou o ministro.

Fávaro afirmou que a pasta está buscando a revisão dos protocolos para regionalização das restrições dos embarques em caso de doenças sanitárias, citando o acordo firmado com o Japão para regionalização do protocolo. “Estamos prestando informações a todos os países. Agora temos de ter a paciência de passar pelos 22 dias finais do vazio sanitário para que possamos anunciar o Brasil livre de gripe aviária e avançar na repactuação com todos os países que restringiram”, disse o ministro. “Até lá não é recomendável que fiquemos pedindo a regionalização aos países”, afirmou Fávaro.

O Brasil negocia a regionalização dos embarques com a Coreia do Sul. As tratativas estão em andamento. “É uma livre iniciativa da Coreia do Sul”, pontuou.

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Os protocolos já acordados entre Brasil e Cingapura, Hong Kong, Argélia, Índia, Lesoto, Mianmar, Paraguai, São Cristóvão e Nevis, Suriname, Uzbequistão, Vanuatu e Vietnã preveem a regionalização dos embarques para um raio de 10 quilômetros do foco de influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP).

Sobre os impactos comerciais das suspensões às exportações, o ministro afirmou que não são “alarmantes”, já que o país exporta cerca de 30% do que produz e 70% é destinado ao mercado doméstico. “Haverá um direcionamento para o mercado interno, mas não é alarmante”, observou o ministro.

Investigações de suspeita da doença em andamento

Na tarde desta quarta, foi confirmado um novo foco da doença em ave silvestre. Foi em Montenegro (RS), mesma cidade onde uma granja comercial teve contaminação confirmada. A amostra, colhida em 20 de maio, em um joão-de-barro deu positiva para o vírus.

Em Brasília, o Jardim Zoológico fechou as portas para o público também nesta quarta. Segundo o Governo do Distrito Federal (GDF), a medida foi tomada após dois animais terem aparecido mortos no local: um pombo e um irerê. Amostras dos animais foram recolhidas pela Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Seagri-DF) e encaminhadas para análise do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária do Mapa. Ainda não há data prevista para divulgação do resultado.

O GDF destacou que essas aves são de vida livre, ou seja, não fazem parte do plantel do zoo, mas circulam pelo local em razão da oferta natural de abrigo, água e alimento. A Fundação Jardim Zoológico informou que as atividades permanecerão suspensas até nova deliberação e que a instituição já adotava protocolos de biossegurança desde 2023. Entre as medidas, estão a restrição de acesso a áreas sensíveis, reforço na higienização e monitoramento constante dos animais.

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Em Sapucaia do Sul (RS), onde um foco foi confirmado há 11 dias, o zoológico, que teve 150 aves silvestres mortas pelo vírus da gripe aviária, também está fechado para visitação.

O país tem nove suspeitas de gripe aviária com investigação em andamento, conforme atualização da tarde desta quarta-feira, 28, no painel de Síndrome Respiratória e Nervosa das Aves. Somente uma suspeita é analisada em planta comercial: uma granja em Anta Gorda (RS). A investigação no abatedouro de aves em Aguiarnópolis (TO) foi concluída e a possibilidade de contaminação descartada.

Outras três suspeitas em análise são em aves de subsistência em Aurelino Leal (BA), Quixadá (CE) e Manacapuru (AM). Há ainda três casos suspeitos envolvendo aves silvestres em Armação dos Búzios (RJ), Ilhéus (BA) e Icapuí (CE).

O Mapa esclarece que essas investigações podem indicar gripe aviária (H5N1), Doença de Newcastle (DNC) ou outras enfermidades. As investigações estão em andamento com coleta de amostra e sem resultado laboratorial conclusivo.

Até o momento, segue somente um caso confirmado de gripe aviária em granja comercial no país, em Montenegro, em um matrizeiro de aves na Região Metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

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RS conclui 4ª rodada de visitas no raio de 3 km do foco

O ministro da Agricultura assegurou que a partir de Montenegro (RS), onde foi detectado um foco de gripe aviária em granja comercial, não haverá novos casos da doença. “Não estamos livres de novos casos por outras evidências, mas podemos dizer com certeza que, a partir de Montenegro, não teremos outros casos. Passados 15 dias, se o vírus tivesse escapado do foco, já teríamos animais morrendo em outras cidades”, afirmou. “Se não teve até agora, não terá nos próximos 20 dias”, acrescentou o ministro.

O governo do Rio Grande do Sul informou, em nota, ter concluído a quarta rodada de visitas a 19 propriedades com criação de aves situadas no raio de 3 quilômetros do foco confirmado de gripe aviária em Montenegro. As vistorias têm caráter preventivo e fazem parte do protocolo do Plano Nacional de Contingência para Influenza Aviária, para monitorar a sanidade das aves de subsistência.

gripe aviária; vistoria Montenegro
Foto: Ascom Seapi/Divulgação

A próxima etapa da vigilância está prevista para quinta-feira (29), com novas visitas às propriedades no mesmo raio. Já o terceiro ciclo de inspeções nas propriedades localizadas no raio de 10 quilômetros deve ocorrer no sábado (31). A operação é conduzida pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), com apoio de diferentes órgãos estaduais e municipais.

As ações de vigilância incluem ainda barreiras sanitárias instaladas nas áreas de foco e de vigilância, para desinfetar veículos e reforçar as orientações sobre biossegurança. Até o momento, 3.728 veículos foram abordados e desinfetados. Segundo balanço divulgado pela Seapi, 255 propriedades foram visitadas na zona de vigilância no segundo ciclo de vistorias.

*Com informações da Redação Agro Estadão e da Agência Brasil

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