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Economia

Exportações de café caem 33% em maio, mas receita dispara

De acordo com o Cecafé, avanço da receita é consequência dos preços elevados do café no cenário internacional

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Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com | Atualizada às 17h43

10/06/2025 - 16:14

Foto: Adobe Stock
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O Brasil exportou 2,963 milhões de sacas de café em maio de 2025 — uma queda de 33,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo o boletim estatístico mensal divulgado nesta terça-feira, 10, pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Apesar da retração no volume, a receita cambial cresceu 21,1% no período, saltando de US$ 1,027 bilhão para US$ 1,243 bilhão. 

No acumulado da safra 2024/25 (julho de 2024 até maio de 2025), o país embarcou 42,968 milhões de sacas e alcançou um recorde de US$ 13,691 bilhões em receita. Isso representa um recuo de 2% no volume exportado e alta de 52,3% no faturamento.

CONTEÚDO PATROCINADO

Conforme explica o diretor geral do Cecafé, Marcos Matos, A queda nos embarques em maio reflete o ciclo natural da entressafra, agravado por um desempenho excepcional no ano anterior. “Em 2024 tivemos exportações recordes e nós tivemos uma entressafra muito difícil em 2025. É importante lembrar que em janeiro exportamos 4 milhões de sacas, em fevereiro 3,4 milhões de sacas, depois em abril 3,1 e agora em maio 2,96, praticamente 3 milhões de sacas. Então, obviamente, estamos no auge da entressafra de 2024”, afirma.

Marcos Matos, diretor geral do Cecafé, explica resultada das exportações em maio de 2025

Acumulado de 2025

Entre janeiro e maio de 2025, o Brasil exportou 16,790 milhões de sacas de café, volume 19,2% menor do que o registrado no mesmo período do ano anterior. Apesar da queda nos embarques, a receita gerada com as exportações cresceu 44,3% em relação a 2024, atingindo US$ 6,483 bilhões — o maior valor já registrado para o intervalo.

Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, a retração no volume exportado se deve à menor disponibilidade de café, especialmente da variedade arábica, cuja colheita só começou a se intensificar em junho. Além disso, os cafés canéforas (conilon e robusta) brasileiros perderam competitividade frente a outras origens produtoras, como Vietnã e Indonésia.

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Ferreira atribui o aumento expressivo na receita cambial às cotações elevadas no mercado internacional. “Estamos vivendo um período de perdas de potencial produtivo ao longo de quase cinco safras, por conta de extremos climáticos, o que reduziu a oferta dos principais países produtores, como Brasil, Vietnã, Colômbia e Indonésia. Isso impulsionou os preços globais e elevou a receita obtida com as exportações brasileiras”, explica, em nota.

Principais destinos 

Nos cinco primeiros meses do ano, o café brasileiro chegou a 107 países, com destaque para os Estados Unidos, principal comprador do produto brasileiro. 

No acumulado de 2025, os norte-americanos importaram 2,874 milhões de sacas até o fim de maio — volume que representa 17,1% do total exportado pelo Brasil no período. Ainda assim, houve uma queda de 17,4% em relação ao mesmo intervalo do ano passado.

Na segunda posição do ranking, a Alemanha adquiriu 2,112 milhões de sacas, equivalente a 12,6% das exportações, o que representa um recuo de 28,7% na comparação anual. Completando os cinco maiores compradores, estão a Itália, com 1,375 milhão de sacas (-17,5%); o Japão, com 1,089 milhão (+10,6%); e a Bélgica, com 809.897 sacas, uma queda expressiva de 61,7% frente a 2024.

Café arábica foi o mais exportado

O café arábica foi o mais exportado nos cinco primeiros meses de 2025, com as remessas ao exterior somando 14,116 milhões de sacas. O segmento do café solúvel aparece na sequência, com embarques equivalentes a 1,641 milhão de sacas. Na sequência, vem a espécie canéfora (conilon + robusta), com 1,011 milhão de sacas. 

Porto de Santos lidera embarques

O Porto de Santos, em São Paulo, segue liderando as exportações de café do Brasil no acumulado dos cinco primeiros meses do ano, com o embarque de 13,562 milhões de sacas. Isso corresponde a 80,8% do total. Em segundo lugar aparece o complexo portuário do Rio de Janeiro, responsável por 14,9% das exportações, com 2,5 milhões de sacas. Já o Porto de Paranaguá (PR) exportou 170.596 sacas, representando 1% do volume total.

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