Economia
Exportação de café solúvel do Brasil cresce quase 7% em 2024
Além das vendas internacionais, consumo interno também aumenta, diz Abics
Rafael Bruno | São Paulo | rafael.bruno@estadao.com
18/10/2024 - 12:16

De janeiro a setembro de 2024, o Brasil exportou o equivalente a 2,962 milhões de sacas de 60 quilos de café solúvel, crescimento de 6,8% na comparação com igual período de 2023. Em receita, os embarques renderam ao país US$ 657,4 milhões, alta de 23,2% no mesmo intervalo comparativo. Os dados são da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e foram divulgados nesta sexta-feira, 18.
Para o diretor de Relações Institucionais da entidade, Aguinaldo Lima, esse desempenho positivo “indica que o solúvel poderá bater recorde de divisas para o país no ano de 2024” e se dá em função dos contínuos investimentos em qualidade e inovações tecnológicas realizados pelas indústrias instaladas no Brasil.
Lima também destaca a capacitação nacional quanto às mais exigentes demandas de governança socioambiental e sustentabilidade. “Condizente com os chamados critérios ESG, o café solúvel do Brasil está preparado para ampliar sua representatividade em novos, emergentes e tradicionais mercados do produto. Se a logística não for impactada por atrasos de embarques no país e/ou pelos conflitos geopolíticos no Leste Europeu e no Oriente Médio, teremos um desempenho, em volume, maior do que no ano anterior e, provavelmente, um desempenho histórico em receita obtida com as exportações de solúvel neste ano”, destaca em nota.
Principais destinos
Os Estados Unidos, apesar de uma queda de 12,9% nas importações, ainda lideram o ranking dos principais destinos dos cafés solúveis do Brasil até setembro de 2024, com a aquisição de 517.111 sacas. Na sequência, a Rússia ocupa a segunda posição, com a compra de 194.522 sacas no intervalo e expressivo incremento de 274,7% frente a 2023.
Entre os principais importadores, a Abics destaca o desempenho para nações concorrentes, que produzem café e também industrializam o solúvel. A Indonésia importou 166,8 mil sacas (+18,7%) e ocupa a terceira colocação no ranking. O México, segundo maior produtor mundial de solúvel, chega ao oitavo lugar na tabela ao ampliar em 195% a compra do produto brasileiro, que totaliza 121,9 mil sacas até o momento, de acordo com a entidade.
“Os desempenhos positivos no acumulado de 2024, em volume e receita, assim como o avanço em outras nações produtoras de café e industrializadoras de solúvel, reforçam a qualidade e o respeito aos critérios socioambientais do produto brasileiro, que atendem aos mais diversos e exigentes mercados”, comenta o diretor da Abics.
Consumo interno
O relatório da Abics mostra que o Brasil consumiu o equivalente a 823.033 sacas de café solúvel de janeiro ao fim de setembro deste ano, o que representa uma alta de 2,4% em relação às 803.795 sacas absorvidas pelo mercado nacional nos mesmos nove meses de 2023.
“Esse resultado foi alcançado pelo substancial impulso de 98,2% do solúvel tipo freeze dried, também conhecido como liofilizado, que suprimiu a moderada queda de 3,5% do spray dried, o qual representa 88% do total consumido no país. Já o consumo dos cafés solúveis importados, que respondem por apenas 2% do geral, teve crescimento de 6,9% no período”, conclui Aguinaldo Lima.
Siga o Agro Estadão no Google News e fique bem informado sobre as notícias do campo.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Economia
1
Em investigação, China aponta 'dano grave' à indústria de carne bovina e notifica OMC e exportadores
2
Fim do papel: produtores rurais terão de emitir nota fiscal eletrônica em 2026
3
Reforma tributária: o que o produtor rural precisa fazer antes de janeiro?
4
Começa a valer obrigatoriedade de emissão de nota fiscal eletrônica
5
Salvaguarda à carne bovina: Câmara Brasil-China vê desfecho favorável ao setor brasileiro
6
Feiras do agro 2026: calendário dos principais eventos do setor
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Economia
Mercosul‑UE: especialista aponta oportunidades e limites do acordo para o Agro brasileiro
Análises do Ipea e Markestrat destacam ganhos em carnes e café, redução de custos em máquinas e o desafio das exigências ambientais
Economia
BNDES aprova R$ 950 mi para construção de nova usina de etanol da Inpasa na Bahia
Unidade em Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, produzirá etanol, DDGS, óleo vegetal e energia elétrica a partir de milho e outros grãos
Economia
Café solúvel vê acordo Mercosul-UE como saída diante das tarifas dos EUA
Setor segue tarifado em 50% pelo seu principal cliente e não vê luz no fim do túnel das negociações diante do atual cenário geopolítico
Economia
Setor de vinhos do Brasil cobra condições equivalentes no acordo Mercosul-UE
Entidades avaliam que, sem ajustes internos, acordo tende a ampliar pressão de importados e afetar cadeia baseada na agricultura familiar
Economia
Desembolso no Plano Safra 2025/2026 cai 15,6% no 1º semestre, a R$ 186,146 bi
Montante corresponde a 45,8% do total disponível para a safra, de R$ 405,9 bilhões; produtores estão retraídos por conjuntura adversa
Economia
Acordo Mercosul-UE divide o agro brasileiro entre apoio e críticas
Faesp e Tereza Cristina defendem cautela com salvaguardas europeias, enquanto exportadores de suco de laranja celebram ganhos tarifários
Economia
Entenda as principais cotas agrícolas do acordo Mercosul-UE
Carnes bovina, suína e de aves terão limites de exportação, mas frutas, mel e arroz ganham acesso livre
Economia
Brasil tem 9 unidades aprovadas para exportar gelatina e colágeno para Turquia
Outras 8 estão em processo de análise