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Economia

Em meio a impasse com Mercosul, França veta importação de frutas com resíduos

Governo diz combater concorrência desleal com medida que atinge produtos da América do Sul

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Redação Agro Estadão

05/01/2026 - 10:43

Foto: Adobe Stock
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O governo francês anunciou que irá suspender, nesta semana, a importação de frutas que contenham resíduos de agroquímicos proibidos na União Europeia. A medida deve impactar diretamente produtos provenientes da América do Sul, atingindo o Brasil e outros mercados internacionais.

A decisão foi comunicada pelo primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, e confirmada pela ministra da Agricultura e da Soberania Alimentar, Annie Genevard, que afirmou já ter determinado a adoção do decreto. Entre as substâncias citadas que levaram à decisão da suspensão estão mancozebe, glufosinato, tiofanato-metílico e carbendazim — defensivos agrícolas proibidos no bloco europeu.

CONTEÚDO PATROCINADO

De acordo com o governo francês, produtos como abacate, manga, goiaba, frutas cítricas, uvas, maçãs, melões, damascos, cerejas, morangos e batatas só poderão ser comercializados na França se não apresentarem nenhum resíduo dessas substâncias. Para garantir o cumprimento das regras, será criada uma brigada especializada, responsável por reforçar os controles sanitários nas fronteiras.

Segundo Annie Genevard, a medida busca impedir que substâncias banidas na Europa “reapareçam indiretamente por meio das importações”. A ministra destacou que, independentemente da origem, todos os alimentos que entram no país devem obedecer às normas europeias.

O governo francês também justificou a decisão como uma forma de combater a concorrência desleal e proteger tanto os produtores locais quanto os consumidores, assegurando padrões sanitários rigorosos. Lecornu classificou a iniciativa como “uma primeira etapa” em defesa da agricultura nacional.  “É uma questão de bom senso, de equidade e de justiça para nossos agricultores”, afirmou.

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A França informou ainda que pretende levar a proposta à Comissão Europeia, em uma tentativa de ampliar a medida para todo o bloco. Caso seja necessário, segundo Genevard, o país está disposto a reforçar ou reeditar o decreto.

Entre janeiro e novembro do ano passado, os franceses foram o sétimo destino das frutas brasileiras, representando 0,8% do total das exportações, conforme dados do ComexStat. 

Acordo Mercosul-UE

A decisão do governo francês ocorre em meio a pressões de agricultores franceses e europeus pela não assinatura do acordo comercial Mercosul-União Europeia. A finalização das negociações, que já duram mais de 25 anos, estava prevista para se encerrar em dezembro passado, porém, a falta de consenso entre os estados-membros do bloco europeu impediu o avanço do tratado, adiando-o para 2026.

Mesmo diante de salvaguardas agrícolas criadas pela União Europeia, produtores do bloco temem a entrada desenfreada de produtos do Mercosul em seu território, desestimulando a atividade local. O movimento de oposição ao tratado e protestos tem sido liderado por França e Polônia. 

Nesta segunda-feira, 05, em Bruxelas, a porta-voz-chefe da União Europeia, Paula Pinho, afirmou que “houve progresso nas discussões sobre o acordo com o Mercosul nas duas últimas semanas”. Questionada sobre rumores de que a assinatura ocorreria em 12 de janeiro, ela disse que, apesar do avanço, “ainda não temos uma data específica para o acordo”, mas destacou que “estamos no caminho certo” para assinar o tratado com o Mercosul “em breve”.

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