Economia
Cooperativas de crédito aumentam rentabilidade no campo; estudo indica incremento de R$ 1.371 por hectare
Levantamento da OCB e Fipe mostra impacto dessas cooperativas no cenário econômico das cidades brasileiras
Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com
17/10/2024 - 05:00

A presença de uma cooperativa de crédito nas cidades pode trazer um incremento de produtividade no campo. Segundo estudo da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) feito com a Fundação Instituto de Pesquisa (Fipe), houve um incremento de R$ 1.371 por hectare plantado em áreas que contaram com algum financiamento vindo dessas cooperativas.
O levantamento sobre o “Impacto do Cooperativismo de Crédito para o Desenvolvimento Econômico e Social no Brasil” fez um mapeamento dos efeitos dessas cooperativas no setor agropecuário entre 2018 e 2023. Entre os resultados apontados está o crescimento da rentabilidade tanto no lado das áreas agrícolas como na pecuária, especialmente na suinocultura e na avicultura.
No caso da produção animal, os municípios com cooperativas de crédito tiveram um crescimento de R$ 224,80 por hectare no valor da produção, o que é 42,5% a mais do que a média nacional. Isso se reflete também nos rebanhos de suínos e aves. São 72,3 cabeças de suínos por mil hectares (28,1% a mais do que a média nacional) e 3.469 cabeças de frangos por mil hectares (36,8% acima da média).
Além disso, a pesquisa mediu a reverberação dessas cooperativas nas exportações. O estudo não detalhou o resultado somente nas exportações de produtos agrícolas, mas os números gerais dão ideia do impacto. Cidades que têm uma cooperativa de crédito tiveram US$ 544,40 a mais no valor das exportações por habitante. De acordo com os dados, isso representa 44,4% do valor da média do Brasil.
Para o analista de Estudos Econômicos, do Núcleo de Inteligência e Inovação do Sistema OCB, Rodrigo Rangel, a importância dessas cooperativas para o setor produtivo das cidades passa por uma espécie de personalização do serviço. Isso porque o objetivo delas é ofertar um crédito em condições mais adaptadas à realidade daquela região onde estão inseridas.
“Muitas vezes é possível abrir uma conta digital em outras instituições financeiras, mas elas não sabem a realidade daquele local. As cooperativas de crédito, quando se instalam naquela região, entendem essas necessidades dos seus cooperados e, por isso, possibilitam linhas ou programas específicos para aquelas regiões”, comenta Rangel ao Agro Estadão.
Ele ainda ressalta que muitas dessas cooperativas nasceram em um ambiente de necessidade dos produtores rurais. “Quando a gente fala de cooperativismo de crédito e Agro, existe uma relação muito intrínseca porque muitas cooperativas agropecuárias acabaram desenvolvendo uma parte de crédito também. […] Municípios que, a partir do momento que tiveram uma cooperativa de crédito, tiveram um desenvolvimento maior da agropecuária”, afirma.
Impacto das cooperativas na pobreza
O estudo sobre o impacto também traz dados sociais, como a geração de emprego e entrada de pessoas na faculdade. Em postos de trabalho, o crédito concedido auxiliou na criação de 1,2 milhão de empregos. Nos cursos de graduação do Ensino Superior, foram 16,5 matrículas por mil habitantes, 24,2% a mais do que a média nacional.
Também houve redução no número de pessoas que recebem Bolsa Família e de famílias incluídas no Cadastro Único (CadÚnico). “A gente tem também que naqueles municípios há uma tendência de redução de pobreza”, compara Rangel.
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