Economia
Alta da carne bovina impulsionou avanço de 8,2% no consumo de peixes no País
Com inflação pressionando proteínas tradicionais, pescados ganharam espaço no carrinho de compras de janeiro a setembro; tilápia foi destaque
Redação Agro Estadão
21/11/2025 - 17:34

O aumento dos preços das proteínas tradicionais levou o consumidor brasileiro a rever hábitos alimentares e buscar alternativas mais econômicas. Um estudo da Scanntech, referência em inteligência de dados para o varejo e para a indústria de bens de consumo, mostrou que o consumo de pescados cresceu 8,2% entre janeiro e setembro deste ano.
De acordo com o levantamento, a carne bovina foi a proteína que mais encareceu no período, acumulando alta próxima de 25%. A carne suína veio logo atrás, com aumento de 21,2%. Já os peixes tiveram reajuste bem menor, de 2,1%.
Esse contraste de preços influenciou diretamente o comportamento de compra. Embora os pescados costumem registrar maior demanda na Quaresma e na Páscoa, foram os meses menos suscetíveis à sazonalidade — janeiro, julho e agosto — que concentraram os maiores avanços em volume quando comparados aos mesmos períodos de 2024.
“Estamos percebendo que, em 2025, o consumidor tem revisto suas escolhas no carrinho de compras para adequar o orçamento. Quando falamos da tradicional ‘mistura’, o movimento é semelhante: a alta nos preços da carne bovina ao longo do ano levou muitos brasileiros a buscar alternativas em outras proteínas, como os pescados, ampliando o consumo de peixes, sobretudo aqueles com melhor custo-benefício. Esse é um cenário que, possivelmente, ainda veremos acontecer devido à oscilação dos preços das proteínas”, comenta Priscila Ariani, diretora de Marketing da Scanntech.
Tilápia puxa o crescimento
Entre as espécies avaliadas, a tilápia foi a grande protagonista do aumento no consumo. O volume vendido da espécie avançou 32,9% nos nove primeiros meses do ano, impulsionado por uma queda significativa de 8,4% no preço médio do quilo – devido, principalmente, à redução nas exportações para os Estados Unidos por causa do tarifaço, o que foi determinante para torná-la a principal substituta das proteínas mais caras.
O estudo também aponta diferenças marcantes entre as regiões do País. A tilápia segue como a espécie mais consumida na maior parte do território nacional, exceto no Norte. Centro-Oeste e Norte registraram as maiores reduções no preço por quilo, refletindo os melhores resultados de vendas.
Outras espécies apresentaram comportamentos variados:
- Salmão: registrou retração no consumo em todo o território nacional;
- Merluza: cresceu em regiões onde já tinha força — interior de São Paulo, Nordeste e faixa leste (MG, ES e RJ). No consolidado nacional, teve alta de 42,5% no volume vendido, com avanço em quase todas as regiões, exceto no Centro-Oeste, onde o preço mais elevado segurou a demanda.
- Sardinha: mesmo sendo a proteína mais barata por quilo, apresentou queda nas vendas na maioria das regiões, com exceção de São Paulo, Nordeste e Centro-Oeste.
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