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Pecuária

Salvaguardas chinesas alteram fluxos da carne bovina na América do Sul

Cotas para Argentina e Uruguai acima do exportado em 2025 devem ampliar o papel do Brasil no abastecimento de vizinhos, aponta Itaú BBA

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Redação Agro Estadão

06/01/2026 - 13:36

Foto: Adobe Stock
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Reorganização dos fluxos das exportações de carne bovina globais. Essa é uma análise unânime entre os especialistas frente à decisão da China, maior comprador da carne bovina brasileira, de impor cotas tarifárias às suas importações nos próximos três anos, pelo menos. 

Para o Itaú BBA, esse rearranjo deve atingir, inclusive, a América do Sul, onde Argentina e Uruguai ficaram com cotas respectivas de 511 e 324 mil toneladas — superiores aos volumes exportados em 2025, considerando os dados até novembro. 

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Enquanto isso, o Brasil ficou com cota de 1,1 milhão de toneladas para o ano vigente, abaixo dos 1,6 milhões de toneladas enviadas à China no último ano. “Nesse contexto, o Brasil poderia, por exemplo, abastecer o mercado doméstico da Argentina, permitindo que uma parcela maior da produção argentina seja direcionada às exportações para a China”, destaca o relatório da instituição divulgado nesta terça-feira, 06. Esse processo, conhecido como arbitragem, foi verificado durante a vigência das tarifas adicionais norte-americanas sobre as exportações brasileiras, conforme noticiado pelo Agro Estadão. 

Gráficos: Itaú BBA 

Os especialistas destacam, no entanto, que, apesar do esforço necessário para essa redistribuição, o contexto global de escassez de proteína bovina, aliado à provável redução da produção brasileira em 2026, deverá mitigar os impactos adversos ao setor. 

Para 2026, o Itaú BBA projeta uma queda de cerca de 2% na produção brasileira de carne bovina. Caso esse cenário se confirme, haverá uma redução aproximada de 200 mil toneladas na oferta total da proteína vermelha. Esse volume corresponde em torno de um terço do volume que precisaria ser realocado no cenário de maior potencial de compras chinesas. “Isto, caso as exportações brasileiras para a China em 2026 repetissem o recorde observado em 2025”, ponderam os especialistas. 

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Eles reiteram que é possível que essa estimativa de retração ainda seja conservadora, visto os quatro anos consecutivos de descarte de fêmeas no Brasil. Além disso, a tendência para 2027 e 2028 também aponta para novas reduções de produção.

O que esperar no curto prazo?

No curto prazo, até o preenchimento da nova cota chinesa sujeita à tarifa reduzida de 12%, os especialistas do Itaú BBA acreditam ser razoável esperar uma aceleração dos embarques para o mercado asiático. 

Segundo eles, a depender da dinâmica da oferta ao longo do ano, não se pode descartar uma pressão um pouco maior sobre os preços do boi, especialmente nos meses tipicamente associados a um maior fluxo de abates, como a transição das águas para a seca (maio/junho) e o pico dos confinamentos (outubro/novembro).

Além disso, a dinâmica observada desde 2019, quando as importações chinesas de carne bovina cresceram a uma taxa próxima de 10% ao ano, sustentando um aumento médio anual de cerca de 5% no consumo doméstico tende a se alterar. O novo cenário, conforme o Itaú BBA, aponta para uma redução da disponibilidade interna de carne bovina na China ainda maior que a prevista pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, podando, eventualmente, elevar os preços no mercado local.

Com a decisão chinesa de alocação de cotas mantida entre os países produtores, torna-se essencial acompanhar a capacidade do Brasil de redistribuir suas exportações. Esse monitoramento ganha relevância caso o país não absorva volumes não utilizados por outros exportadores. 

O desafio ocorre em um momento de oferta ainda relativamente elevada, dentro do atual ciclo pecuário. Ao mesmo tempo, mercados alternativos como Filipinas, Malásia, Arábia Saudita e Vietnã apresentam capacidade de absorção inferior à da China. “Ainda assim, acreditamos que os efeitos finais tendem a ser moderados, em razão da trajetória de redução da oferta brasileira ao longo deste e dos próximos anos, combinada às restrições à expansão da produção nos demais países exportadores”, concluem os especialistas.

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