Teresa Vendramini
Produtora Rural, ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira
Esse texto trata de uma opinião do colunista e não necessariamente reflete a posição do Agro Estadão
Opinião
Um chamado à ação contra as mudanças climáticas
Dizem que vivemos na era da inovação, com satélites, drones e inteligência artificial moldando nosso mundo. No entanto, as imagens dos últimos acontecimentos no Rio Grande do Sul me fazem questionar se não estamos regredindo.
12/05/2024 - 09:00

A tragédia que acomete os gaúchos é um retrocesso, voltando a um passado de desafios semelhantes, enfrentados em 1941, quando esse mesmo estado sofreu uma das piores enchentes de sua história. No entanto, esta recente catástrofe, ocorrida em tempos chamados de modernos, superou os registros anteriores, com o Guaíba ultrapassando a marca dos 5 metros.
Praticamente todos os municípios foram afetados, com vítimas fatais, desaparecidos e milhares de desabrigados. A tristeza é profunda e vai se prolongar até a reconstrução do estado, que vai precisar de muita ajuda. Além do impacto humano, a economia, especialmente o agronegócio, foi severamente atingida. Segundo dados divulgados pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM), os prejuízos financeiros no campo já ultrapassam os R$ 506,8 milhões.
Sempre paira a dúvida: poderia isso ter sido evitado? Desde 1941, foram implementadas diversas medidas, como barreiras físicas para conter novas cheias. No entanto, minha reflexão vai além: não serão essas medidas apenas paliativas diante dos desafios climáticos? O fato é que, nos tempos atuais, com toda a tecnologia e informação à nossa disposição, não deveríamos mais reviver sofrimentos de 83 anos atrás, precisamos ser mais efetivos.
É necessário um engajamento maior da Câmara dos Deputados, que deixou de destinar recursos para ações relacionadas à mudança do clima no Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática. É preciso também de maior envolvimento dos institutos de pesquisa, da comunidade científica, dos produtores rurais, da população e do governo. Sair do campo do debate e avançar, juntos, para um plano nacional de combate às mudanças climáticas, usando de todos os recursos que esses novos tempos nos oferecem.
Vamos encarar essa catástrofe como um chamado para priorizar o que realmente importa. Essa é uma pauta urgente, que já deveria ter sido executada. Ou agimos agora ou seremos os próximos a enfrentar a ira do clima, com devastação de nossas lavouras, destruição de nossas casas e, o que é mais trágico, perda de vidas.
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