Agropolítica
Seguro rural: 'Não adianta prever recurso e contingenciar', diz secretário do Mapa
Para Guilherme Campos, foco do seguro rural não está no valor, mas na forma como os recursos são administrados
Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com
03/09/2025 - 07:00

“Não adianta colocar o recurso no orçamento e, ao longo do ano, contingênciá-lo”, declarou o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura (Mapa), Guilherme Campos, em conversa com o Agro Estadão. A avaliação ocorre poucos dias depois de o governo federal enviar ao Congresso Nacional o Projeto da Lei Orçamentária Anual para 2026.
Conforme noticiado pelo Agro Estadão, na proposta, a subvenção ao seguro rural terá aumento de 3% em 2026, caso aprovada. O crescimento, no entanto, é menor que o registrado nos anos anteriores, quando a alta chegou a 10%.
Segundo Campos, o problema não está apenas no valor, mas na forma como os recursos são administrados. “As propostas para o seguro precisam caminhar junto com mudanças no orçamento, tanto em valor quanto na manutenção desses recursos ao longo do ano”, afirmou o secretário.
Ele salientou ainda que o tema “seguro rural” é um ponto de convergência no Congresso, envolvendo tanto governo quanto oposição. “O foco é o produtor rural, é o agro nacional. Com quem eu possa tratar sobre o assunto, eu trato, seja no Senado ou na Câmara”, disse.
Em destaque, Campos mencionou o apoio ao Projeto de Lei 2.951/24, de autoria da senadora Tereza Cristina (PP-MS), que visa ampliar a previsibilidade e a segurança para os produtores, modernizando as regras do Programa de Subvenção ao Prêmio Seguro Rural (PSR).
Juros altos travam investimentos
Outro desafio destacado por Campos é o acesso mais restrito ao crédito de investimento. Os dados mais recentes do governo federal mostram que, no primeiro mês do ano agrícola 2025/26, o desembolso total caiu 21%. A retração foi muito mais forte nas linhas de investimento (-73%) do que no custeio (-29%).
Para Campos, embora o Plano Safra ofereça a melhor taxa de juros do mercado, ela ainda é alta. “Todo o desenho deste ano foi feito com base numa Selic de 15%. É uma referência muito elevada, que exige muito critério para assumir investimentos de cinco, sete ou dez anos”, afirmou.
De acordo com ele, o produtor só consegue se comprometer nesse cenário se tiver certeza de que o investimento trará retorno. “Não é um momento simples para o setor assumir esse tipo de responsabilidade financeira”, completou
Acordo entre Mapa e Anda
O secretário de Política Agrícola do Mapa participou do 12º Congresso Brasileiro de Fertilizantes nesta terça-feira, 2. No evento, organizado pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), Campos assinou um Acordo de Cooperação Técnica com a entidade. Segundo o documento, o objetivo é apoiar e fortalecer as atividades relacionadas à avaliação do uso de fertilizantes, com vistas a melhorar a sustentabilidade, a inovação e a competitividade do setor agropecuário brasileiro.
Com isso, as partes reconhecem a importância de promover a adoção de práticas agrícolas sustentáveis e eficientes, especialmente nas áreas de:
- Fomento à inovação no uso de fertilizantes (tecnologias da informação);
- Produção e crescimento sustentáveis;
- Multiplicação de recursos para sustentabilidade.
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