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Agropolítica

Plano Safra: Farsul critica diferença entre anúncio e execução

Enquanto entidade diz que o produtor vai pagar juros mais altos pelo desequilíbrio fiscal, base do governo coloca “culpa” no Banco Central

Paloma Santos e Daumildo Júnior | Brasília | Atualizada às 16h50

30/06/2025 - 13:08

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Após a confirmação dos valores do Plano Safra voltados à Agricultura Familiar em 2025/2026, entidades e autoridades do setor comentaram o pacote que prevê um total de R$ 89 bilhões para políticas de crédito rural, compras públicas, seguro agrícola, entre outros.

Em entrevista ao Agro Estadão, o economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Antonio da Luz, demonstrou ceticismo em relação aos números apresentados pelo governo e questionou a efetividade da execução orçamentária frente aos valores anunciados.

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“Não adianta apenas aumentar o valor do anúncio se ele não se traduz em recursos efetivamente disponibilizados. Em 2024, por exemplo, foram anunciados R$ 76 bilhões [via Pronaf], mas, de julho passado a maio deste ano, segundo dados do Banco Central, sistematizados pelo próprio Ministério da Agricultura, apenas R$ 56,8 bilhões haviam sido de fato liberados. Isso representa uma diferença de quase 34% em relação ao valor prometido”, afirmou.

Segundo o especialista, mesmo com o mês de junho ainda em aberto e alguns contratos pendentes de registro, o volume final deve continuar significativamente abaixo do previsto. “Se em 2024 o governo não conseguiu liberar nem os R$ 76 bilhões que anunciou, será que agora vai conseguir cumprir R$ 78,2 bilhões, num cenário fiscal ainda mais difícil, com contingenciamentos e bloqueios? Sou muito cético em relação a esse número”, enfatizou.

Outro ponto de preocupação, segundo o representante da Farsul, é o impacto do cenário macroeconômico sobre o custo do crédito rural. “O produtor familiar hoje vai pagar juros mais altos por causa do desequilíbrio fiscal do país. Esse desarranjo gerou inflação, e o único remédio para a inflação é subir os juros. Com isso, o crédito fica mais caro, inclusive para quem mais precisa dele”, argumentou da Luz.

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O otimismo ficou para a base do governo. Ao Agro Estadão, o deputado federal Bohn Gass (PT-RS) disse acreditar que as melhorias no Proagro darão mais segurança aos agricultores diante dos desafios impostos pelo clima. 

“Estávamos trabalhando para melhorar Proagro, porque nos últimos anos nós temos sofrido muitos sinistros, muitos desafios, como seca, excesso de chuva, vendavais, granizo… Isso muitas vezes impedia que os agricultores acessassem o seguro, pois as regras do programa eram muito rígidas. É por isso, também, que estamos trabalhando aspectos de prevenção, na agroecologia, na transição energética. Para não termos tantas consequências e tantos eventos extremos”. 

O parlamentar ainda elogiou os esforços do governo federal para promover a permanência das famílias no campo. “Infelizmente, a autonomia do Banco Central está trazendo resultados nefastos para a sociedade brasileira. Então, o subsídio do governo é fundamental. Vai ter um subsídio muito grande para a transição ecológica, essa produção de alimentos com respeito à natureza. Tem programas para o jovem e tem programas para a mulher”, afirmou.

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