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Agricultura

Dívidas rurais: R$ 7,9 bi ainda estão disponíveis, diz BNDES

Em 50 dias de operação, apenas 34% dos R$ 12 bilhões disponibilizados pela MP 1.314/25 foram contratados; 95% das renegociações são do RS

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Paloma Santos | Brasília | paloma.santos@estadao.com

05/12/2025 - 11:11

Foto: Adobe Stock
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Cinquenta dias após o início das operações de renegociação de dívidas rurais previstas pela MP 1.314/25, cerca de R$ 4,1 bilhões — dos R$ 12 bilhões disponibilizados — foram utilizados. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou que 95% desses recursos são de operações contratadas por agricultores do Rio Grande do Sul.

Desse montante, R$ 672 milhões foi negociado no Banco do Brasil, o maior operador de crédito rural do País, pouco mais de 10% do total reservado pelo BNDES à instituição. 

O BB confirmou ao Agro Estadão que atingiu R$ 1,8 bilhão em renegociação de dívidas rurais no RS, no âmbito da MP. Desse total, a maior fatia (R$ 1,2 bi), é referente a operações com recursos do próprio banco, com juros maiores.

Durante a tarde desta quinta-feira, 5, representantes do BB, de instituições do agronegócio, além dos ministérios da Agricultura (Mapa) e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), estiveram reunidos em Porto Alegre (RS) para discutir as operações de repactuação no Estado.​

O objetivo foi encontrar alternativas que façam avançar as renegociações com recursos subsidiados. Segundo análise do governo federal, a efetivação da repactuação no Estado está abaixo da esperada.​ A baixa adesão, no entanto, contraria as expectativas do setor, que previa o rápido esgotamento dos recursos. 

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Após a reunião de quinta-feira, o presidente da Fetag-RS, Carlos Joel da Silva, destacou que o Banco do Brasil diz que os produtores não estão procurando a renegociação, mas os agricultores dizem que vão ao banco e não conseguem acesso. “Uma coisa não está fechando. Então, agora nós vamos começar a fazer uma campanha nos sindicatos, para chamar os agricultores que estão indo, [para que digam] por que o banco está negando, o que está acontecendo que não estão conseguindo buscar [os recursos]. Vamos identificar e encaminhar para eles [BB e governo]”, explicou.

De acordo com o BB, em todo o Rio Grande do Sul, mais de 30 mil produtores rurais estão aptos a regularizar suas dívidas na instituição. “Há produtores que se enquadram na MP e ainda não nos procuraram”, afirmou Gilson Bittencourt, vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do BB. “Sabemos que cada um deles vive uma combinação diferente de fatores, como preço, clima, juros e prorrogações anteriores. Por isso é importante nos procurar para ajustar parcelas e dar fôlego imediato ao fluxo de caixa”, acrescenta.

Segundo um levantamento feito pela Federação da Agricultura do RS (Farsul) junto aos bancos, há diversas barreiras que travam o acesso à renegociação subsidiada. Um exemplo é o ponto de corte estabelecido pelo BNDES, que permite enquadrar apenas dívidas contratadas até 30 de junho de 2024 — deixando de fora operações contratadas a partir de julho do ano passado, mesmo entre produtores que foram igualmente afetados pelas enchentes e secas. 

Além disso, a linha controlada da MP só ajuda produtores que estavam com os financiamentos em dia (adimplentes) até 30/06/2024, ou seja, quem já estava inadimplente antes dessa data não pode acessar o programa. 

Em nota, o BNDES esclareceu que “as regras para acesso à linha de crédito foram definidas pela resolução 5.247, de 19 de setembro de 2025, do Conselho Monetário Nacional. Também afirma manter um canal aberto de diálogo com as instituições credenciadas e o setor produtivo”.

Ainda de acordo com comunicado do Banco do Brasil, para “os produtores ou cooperativas cujos débitos não se enquadrem nos critérios da MP, o BB disponibiliza outras possibilidades de reorganização financeira, de acordo com as regras do Manual do Crédito Rural”. 

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