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Sustentabilidade

RS terá exército de 550 milhões de abelhas em lavouras de canola e carinata

Colmeias devem ser instaladas a partir de julho, beneficiando cerca de 70 apicultores do estado

Nome Colunistas

Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com

17/05/2025 - 08:00

Foto: Agrobee/Divulgação
Foto: Agrobee/Divulgação

Quando pensamos em abelhas a correlação direta que vem na maioria das vezes é na produção de mel. Mas uma parceria entre a Agrobee e a Celena Alimentos também vai gerar renda para apicultores através da polinização. Isso porque aproximadamente 550 milhões de abelhas africanizadas farão a polinização de 4 mil hectares de canola e carinata no Rio Grande do Sul. 

Essa já é a quarta edição do programa que leva os insetos até as lavouras. Segundo as empresas, é o maior projeto de polinização assistida em oleaginosas no Brasil. O diretor de Sustentabilidade e um dos sócios da Agrobee, Daniel Gonçalves, explica que a novidade deste ano é a inclusão das lavouras de carinata. Até então, as edições anteriores foram focadas na canola. “É um exército bom. Trabalha de domingo a domingo. Só não trabalha quando tem chuva”, brinca.

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O projeto é relativamente simples. Primeiro há uma seleção, pela Celena, dos produtores que fornecem canola ou carinata para empresa. Depois, a Agrobee contata apicultores interessados em “hospedar” por alguns dias suas colmeias nas lavouras. Feito isso, começa a etapa de preparação das fazendas para receber as visitantes com asas, já que é preciso ter um tempo para alinhar questões como aplicação de defensivos agrícolas. 

A hospedagem começa a partir da floração da canola e da carinata. Isso depende da época do plantio, mas, de forma geral, inicia em julho e vai até setembro. Em média, as abelhas ficam na propriedade por 42 dias. 

“A polinização assistida significa a introdução de abelhas de uma forma planejada e ordenada com a finalidade de ampliação da produtividade ou da qualidade da cultura agrícola onde aquelas abelhas estão sendo inseridas”, explica Gonçalves ao Agro Estadão. 

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Além disso, o diretor ressalta o papel duplo que a iniciativa tem para os cerca de 70 apicultores gaúchos envolvidos. “O que é muito interessante de um projeto como esse é que a atividade de polinização passa a ser para o apicultor uma nova fonte de renda, sobretudo num período que geralmente, no caso dessa cultura, não tem ainda muita disponibilidade de outras fontes para alimentos das abelhas. Levar essas colmeias para dentro das lavouras é um fator duplamente adequado para o apicultor: tem uma nova receita e uma fonte de alimento para as abelhas durante o inverno”, pontua.

Mais produtividade com ajuda das abelhas

Tendo como base as últimas edições do programa de polinização, o gerente sênior da parte agrícola da Celena, Vantuir Scarantti, indica que houve um incremento entre 10% e 15% na produtividade das lavouras que adotaram a polinização assistida. Isso representa aproximadamente entre três a quatro sacas a mais por hectare. “Melhorando a produtividade a gente espera também melhorar o teor de óleo no grão”, diz. O modelo de negócio da empresa prevê o fornecimento das sementes para o plantio, assim como acompanhamento técnico e a garantia de compra da safra. O custo para o produtor que inclui as abelhas na produção é de aproximadamente uma saca por hectare.  

“Colocando que o produtor produza três sacas a mais, se ele ganhar dois sacos no processo numa média em que a canola está pagando R$ 135, dá praticamente um incremento de R$ 300 por hectare”, calcula o gerente. 

abelhas lavouras
Foto: Agrobee/Divulgação

Atualmente, a empresa processa 65% de toda a canola produzida no Brasil. A expectativa da empresa é processar 300 mil toneladas nesta safra, sendo 270 mil de canola e 30 mil de carinata. No entanto, apenas 7,2 mil toneladas devem vir provenientes do projeto. 

Segundo o Scarantti, a Celena entende ser uma alternativa importante a inclusão das abelhas no processo de produção, mas não vê como viável estender a totalidade das lavouras, já que ainda não há viabilidade de colmeias e apicultores para isso. O foco é continuar ampliando a área, mas buscar valorizar os grãos e, consequentemente, os produtos obtidos com a ajuda desses insetos. 

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“Outro item que vamos buscar neste ano é segregar esse grão para buscar nichos de mercado fora do Brasil e que agregam valor. É um instrumento de valor na cadeia, porque beneficia o apicultor, o produtor e a gente busca ter resultado na indústria também”, salienta.

De olho na sustentabilidade

Dentro dessa inclusão de valor, a carinata se apresenta como uma alternativa com potencial. Nas lavouras acompanhadas pela Celena, este será o segundo ano de cultivo da cultura. No ano passado, foram 5 mil hectares, neste ano serão 15 mil. A carinata é pouco conhecida no Brasil, mas na Argentina, por exemplo, essa oleaginosa é cultivada desde 2018.

O diretor da Agrobee lembra que o óleo da carinata também é utilizado para a produção de biocombustíveis, entre eles o SAF (silga em inglês para combustível sustentável de aviação). “O que me deixa muito feliz é que os aviões vão ser erguidos pelas asas das abelhas, porque a carinata é uma oleaginosa utilizada como biocombustível da aviação. É um olhar muito sustentável nisso tudo”, diz Gonçalves.

Ele também classifica o uso ordenado das abelhas como um “bioinsumo sustentável” e ressalta que elas são uma opção de curto prazo para incrementar a produção agrícola brasileira. “Através das abelhas podemos tirar o máximo potencial do que aquela planta, aquele cultivo, pode dar”, destaca.

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