Sustentabilidade
O papel do CO2 Biogênico na agricultura sustentável
A biomassa agrícola é uma importante fonte de CO2 biogênico, que pode ser utilizada para gerar energia renovável e fechar o ciclo do carbono na agricultura
Redação Agro Estadão*
18/02/2025 - 08:00

O setor agropecuário brasileiro está diante de uma revolução verde, onde o CO2 biogênico desempenha um papel crucial. Este componente natural do ciclo do carbono traz desafios e oportunidades significativas para os produtores rurais.
O CO2 biogênico, diferentemente do CO2 fóssil, faz parte do ciclo natural do carbono, oferecendo aos agricultores a chance de contribuir positivamente para o meio ambiente enquanto geram novas fontes de renda.
O que é CO2 Biogênico?
O CO2 biogênico é o dióxido de carbono proveniente de fontes naturais e renováveis, como plantas, animais e microrganismos. Este tipo de CO2 é parte integrante do ciclo natural do carbono na Terra, onde o carbono é constantemente trocado entre a atmosfera, os oceanos, o solo e os seres vivos.
A principal diferença entre o CO2 biogênico e o CO2 fóssil está em sua origem e impacto no aquecimento global. O CO2 biogênico é considerado neutro em termos de emissões de gases de efeito estufa, pois o carbono liberado foi recentemente capturado da atmosfera através da fotossíntese.
Por exemplo, quando uma planta cresce, ela absorve CO2 da atmosfera. Quando essa planta é decomposta ou queimada, o CO2 é liberado de volta para a atmosfera, completando um ciclo de curto prazo.
Por outro lado, o CO2 fóssil é derivado da queima de combustíveis fósseis como petróleo, carvão e gás natural. Estes combustíveis contêm carbono que ficou armazenado no subsolo por milhões de anos.
Quando queimados, liberam CO2 adicional na atmosfera, contribuindo para o aumento do efeito estufa e, consequentemente, para as mudanças climáticas.
Fontes de CO2 biogênico na agricultura
Biomassa
A biomassa agrícola, que inclui resíduos de colheitas, palha e esterco animal, é uma importante fonte de CO2 biogênico.
Quando utilizada para gerar energia, seja através da queima direta ou da produção de biocombustíveis, a biomassa libera CO2 que foi previamente absorvido pelas plantas durante seu crescimento.
Este processo fornece uma fonte de energia renovável e também ajuda a fechar o ciclo do carbono na agricultura.
Bioenergia
A produção de biogás e outros biocombustíveis a partir de fontes agrícolas é outra forma significativa de geração de CO2 biogênico.
O biogás, produzido pela decomposição anaeróbica de matéria orgânica como esterco animal e resíduos de culturas, é composto principalmente de metano e CO2. Quando utilizado como fonte de energia, o biogás libera CO2 biogênico na atmosfera.
Além disso, a produção de etanol a partir de cana-de-açúcar ou milho também gera CO2 biogênico durante o processo de fermentação.
Processos naturais
Os processos naturais no solo e nas plantas são fontes contínuas de CO2 biogênico. A decomposição de matéria orgânica no solo, realizada por microrganismos, libera CO2 como subproduto.
Da mesma forma, a respiração das plantas libera CO2 biogênico. Estes processos são parte integral do ciclo do carbono e contribuem para a fertilidade do solo e a saúde dos ecossistemas agrícolas.
Como o produtor rural pode gerenciar o CO2 biogênico de forma sustentável?

Práticas de conservação do solo
O manejo adequado do solo é fundamental para o gerenciamento sustentável do CO2 biogênico. O plantio direto, por exemplo, minimiza a perturbação do solo, reduzindo a liberação de CO2 e aumentando o sequestro de carbono.
A rotação de culturas, por sua vez, melhora a estrutura do solo e aumenta sua capacidade de reter carbono. Estudos da Embrapa mostram que estas práticas podem aumentar o teor de matéria orgânica do solo em até 1% ao ano, o que se traduz em um significativo sequestro de carbono.
Além disso, o uso de culturas de cobertura durante períodos de entressafra protege o solo contra a erosão e também adiciona biomassa, aumentando o sequestro de carbono.
A implementação de sistemas agroflorestais, que integram árvores com culturas agrícolas ou pastagens, é outra estratégia eficaz para aumentar o estoque de carbono tanto acima quanto abaixo do solo.
Uso eficiente de bioenergia
A produção e o uso de biogás na propriedade rural oferecem uma oportunidade única de gerenciar o CO2 biogênico de forma sustentável.
Ao utilizar resíduos orgânicos para produzir biogás, os produtores rurais podem reduzir as emissões de metano (um gás de efeito estufa mais potente que o CO2) e gerar energia limpa para uso na propriedade.
Isso reduz a dependência de combustíveis fósseis e ainda cria um ciclo fechado de nutrientes e energia na fazenda.
O biogás pode ser utilizado para gerar eletricidade, aquecer instalações agrícolas ou mesmo como combustível para veículos adaptados.
Além disso, o subproduto da produção de biogás, conhecido como digestato, é um excelente fertilizante orgânico, rico em nutrientes e livre de patógenos, que pode ser aplicado diretamente no solo, reduzindo a necessidade de fertilizantes sintéticos.
Manejo adequado da biomassa
O manejo correto da biomassa agrícola é essencial para otimizar o ciclo do CO2 biogênico.
A compostagem de resíduos orgânicos é uma técnica eficaz que transforma resíduos em um valioso fertilizante orgânico, ao mesmo tempo que reduz as emissões de metano associadas à decomposição anaeróbica.
Durante o processo de compostagem, o carbono é estabilizado em formas mais resistentes à decomposição, contribuindo para o sequestro de carbono no solo quando aplicado.
Outra técnica promissora é a produção de biochar, um carvão vegetal produzido pela pirólise de biomassa.
O biochar, quando incorporado ao solo, não somente melhora suas propriedades físicas e químicas, mas também sequestra carbono por longos períodos, podendo permanecer estável no solo por centenas de anos.
A integração dessas práticas de manejo sustentável do CO2 biogênico beneficia o meio ambiente e pode trazer, também, vantagens econômicas para os produtores rurais.
Com o crescente mercado de créditos de carbono, agricultores que adotam práticas que aumentam o sequestro de carbono ou reduzem as emissões de gases de efeito estufa podem se qualificar e, assim, gerar uma nova fonte de renda.
Além disso, a adoção dessas práticas sustentáveis pode melhorar a qualidade e a produtividade do solo a longo prazo, reduzir custos com insumos externos e aumentar a resiliência das culturas às mudanças climáticas.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Sustentabilidade
1
CMN adia exigência ambiental, mas endurece outra regra do crédito rural
2
Código Florestal avança no CAR, mas emperra no PRA, aponta estudo
3
Agro em 2026: crédito verde e regras ambientais mais rígidas
4
Moratória da Soja: AGU pede mais prazo ao STF para manter suspensão de lei de MT
5
Moratória da Soja: produtores comemoram a saída de grandes empresas do acordo
6
BNDES lança edital para destravar certificação de carbono no Brasil
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Sustentabilidade
Mercosul fornecerá dados de desmatamento no acordo com a União Europeia
Produtos da bioeconomia também terão vantagens adicionais no mercado europeu, afirma Ministério do Meio Ambiente
Sustentabilidade
Exportações brasileiras de etanol têm o menor desempenho desde 2017
Por outro lado, as importações do combustível foram as maiores registradas desde 2021
Sustentabilidade
ANP autoriza início de operação da primeira usina de etanol de trigo do Brasil
CB Bioenergia terá capacidade de processar 100 toneladas do cereal por dia e gerar até 12 milhões de litros de etanol hidratado por ano
Sustentabilidade
Corteva e BP criam empresa para produção de óleo para biocombustíveis
Expectativa é de que a operação comece em 2027, com uso em coprocessamento em refinarias e plantas dedicadas à produção de biocombustíveis
Sustentabilidade
Bunge e Mantiqueira firmam acordo por soja de baixo carbono
Parceria envolve fornecimento de 12 mil toneladas de farelo rastreável e incentiva práticas de agricultura regenerativa
Sustentabilidade
Saída de tradings da moratória da soja preocupa Imaflora
Instituto diz que enfraquecimento do pacto pode comprometer metas ambientais e climáticas e prejudicar imagem do agronegócio brasileiro
Sustentabilidade
Após deixar Moratória da Soja, Abiove confia em novo marco regulatório
A associação reforça que as empresas associadas continuarão, de forma individual, atendendo às demandas de mercado e socioambientais
Sustentabilidade
BNDES lança edital para destravar certificação de carbono no Brasil
Com orçamento de R$ 10 milhões, banco pretende mapear gargalos, custos e regras do setor em meio à criação do mercado regulado