Sustentabilidade
A incrível história de cabras vivendo em ilha sem água doce por 200 anos
Em Abrolhos, cabras sobrevivem por mais de 200 anos sem água doce, desenvolvendo adaptações únicas em um ambiente extremo
Redação Agro Estadão*
18/05/2025 - 08:00

O Arquipélago de Abrolhos, localizado no litoral da Bahia, foi palco de uma história extraordinária de adaptação animal que fascina cientistas e produtores rurais.
Por mais de dois séculos, um grupo de cabras viveu isolado na Ilha Santa Bárbara, enfrentando condições extremas e desenvolvendo características únicas de sobrevivência.
Recentemente, essas cabras foram resgatadas, revelando-se um tesouro genético com potencial para revolucionar a caprinocultura, especialmente em regiões áridas.
A saga das cabras selvagens de abrolhos
A jornada dessas cabras começou há mais de 200 anos, quando navegadores as introduziram no Arquipélago de Abrolhos como fonte de alimento. Ao longo do tempo, esses animais se adaptaram a um ambiente inóspito, caracterizado pela ausência de fontes de água doce.
Esta adaptação forjou uma linhagem de cabras extremamente resistentes, capazes de sobreviver em condições que seriam fatais para a maioria dos caprinos.
O resgate das cabras
A decisão de remover as cabras da ilha foi tomada após cuidadosa consideração dos impactos ambientais causados por sua presença prolongada.
Apesar de sua notável adaptação, as cabras estavam afetando negativamente o ecossistema local, incluindo a vegetação nativa e áreas de nidificação de aves marinhas, algumas ameaçadas de extinção.
Além disso, elas causaram degradação do solo e da vegetação nativa. Esses fatores tornaram necessária uma intervenção para restaurar o equilíbrio ecológico da ilha.
A operação de resgate foi um esforço colaborativo envolvendo diversas instituições, incluindo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Marinha do Brasil, a Embrapa, a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) e a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (ADAB).
A captura e o transporte dos animais foram realizados com cuidado, garantindo o bem-estar das cabras durante todo o processo.
De acordo a Doutora Jessyca Teixeira, bióloga e bolsista de espécies exóticas invasoras do ICMBio em Abrolhos “ao longo de três expedições realizadas entre janeiro e março de 2025, foram retirados, ao todo, 27 caprinos da ilha”.
O segredo da adaptação das cabras na ilha

A adaptação fisiológica ou comportamental à falta de água doce é o principal ponto de interesse científico dessas cabras. Os pesquisadores estão empenhados em desvendar os mecanismos genéticos por trás dessa resiliência extraordinária.
Compreender como esses animais conseguiram sobreviver por tanto tempo com acesso mínimo à água doce pode ter aplicações diretas e significativas na pecuária, especialmente em regiões áridas e semiáridas.
Ademais, o isolamento prolongado dessas cabras resultou em particularidades relacionadas a doenças e parasitas.
Paradoxalmente, embora sejam extremamente resistentes às condições ambientais de Abrolhos, elas podem ser mais vulneráveis a agentes patogênicos encontrados no continente. Isso adiciona uma camada de complexidade ao seu estudo e manejo.
Essa capacidade de adaptação hídrica pode ser crucial para o desenvolvimento de linhagens caprinas mais resistentes à seca.
Para produtores rurais, especialmente aqueles em regiões com escassez de água, as descobertas provenientes do estudo dessas cabras podem representar um avanço significativo na criação de animais mais adaptados às condições climáticas desafiadoras.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
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