PUBLICIDADE

Pecuária

Senado debate riscos da exportação de gado vivo sem o agro

Discussão ocorre em meio à tramitação de projeto que propõe a proibição da exportação de gado vivo de forma gradual no Brasil

Nome Colunistas

Redação AgroEstadão

19/08/2025 - 12:33

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Durante audiência pública na Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado, realizada nesta terça-feira, 19, especialistas destacaram os impactos ambientais e sanitários da exportação de gado vivo por via marítima. O debate foi convocado pelo presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT-ES).

Apesar do tema, a audiência não contou com nenhuma apresentação feita por representantes do setor do agronegócio. A discussão ocorre em meio à tramitação do Projeto de Lei nº 2.627/2025, de autoria da deputada Duda Salabert (PDT-MG), que propõe a proibição gradual da prática no Brasil e tramita na Câmara dos Deputados. Conforme o Agro Estadão noticiou nessa segunda, 18, a União Nacional de Pecuária (UNAPEC) manifestou oposição ao projeto.

CONTEÚDO PATROCINADO

Em sua apresentação, a diretora técnica do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, Vânia Plaza Nunes, destacou os riscos e impactos do transporte marítimo de gado vivo. Segundo ela, os animais enfrentam condições de confinamento severas, com pouca ventilação, acúmulo de fezes e urina, aumento da temperatura interna e risco de intoxicação por gases como o metano.

A especialista também chamou atenção para os riscos sanitários, lembrando que o transporte de animais vivos pode favorecer a disseminação de zoonoses, como brucelose, tuberculose bovina, leptospirose e salmonelose, que podem atingir não apenas os bovinos, mas também trabalhadores portuários, tripulantes e veterinários. 

O presidente da Comissão de Meio Ambiente, senador Fabiano Contarato (PT-ES), autor do requerimento que convocou a audiência, afirmou que a exportação de gado vivo fere a Constituição e a legislação ambiental brasileira. “Eu tenho uma convicção pessoal e eu sou radicalmente contra o transporte de animal vivo nessas circunstâncias. Primeiro, porque ele fere a Constituição no artigo 225. Segundo, porque tem uma responsabilidade criminal”, declarou. Contarato também ressaltou a dimensão ética e moral do tema, lembrando que, ao reconhecer que os animais sentem e sofrem, esse aspecto deve ser considerado na formulação de políticas públicas.

Já a advogada Letícia Filpi, coordenadora do Grupo de Advocacia Animalista Voluntária e consultora jurídica da Agência de Notícias de Direitos Animais, disse que a proibição da exportação de bovinos vivos encontra respaldo jurídico na Constituição. Ela explicou que, pelos princípios da prevenção e da precaução, “uma atividade que causa risco ambiental não pode ser permitida, seja esse risco conhecido ou desconhecido. No caso da exportação de animais vivos, o risco ambiental é comprovadamente concreto”. 

PUBLICIDADE

Quem é o responsável?

O senador Jaime Bagattolli (PL-RO), produtor rural, acompanhou os debates e destacou os desafios que envolvem o tema, especialmente em relação às responsabilidades envolvidas. Ele enfatizou a importância de inspeções e quarentenas para garantir o bem-estar animal, além da necessidade de rigor na vigilância sanitária e a importância de um transporte adequado. No entanto, para o parlamentar, a responsabilidade do exportador termina no navio, passando para o importador. 

“Quem está comprando, quem está contratando esse navio para transportar esse gado, não é o exportador, e sim o importador. Porque se esses animais perderem peso, quem vai perder é o importador, não é mais o exportador, entendeu? A partir do momento que embarcou, dali pra frente, é o importador com a empresa de transporte marítimo”, disse.

Bagattolli afirmou desconhecer o processo de transporte e manifestou o interesse em obter mais informações a respeito, mas disse que se opõe à proibição da exportação e enfatizou a importância dessa receita para a economia do país. 

A audiência também contou com a participação de Vanessa Negrini, diretora do Departamento de Proteção, Defesa e Direitos Animais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e do diretor de Relações Governamentais e Políticas Públicas da Mercy For Animals no Brasil, George Sturaro.

Siga o Agro Estadão no WhatsApp, Instagram, Facebook, X, Telegram ou assine nossa Newsletter

PUBLICIDADE

Notícias Relacionadas

Gripe aviária é detectada em aves silvestres na cidade de Buenos Aires

Pecuária

Gripe aviária é detectada em aves silvestres na cidade de Buenos Aires

Caso confirmado em cisnes reforça alerta das autoridades sanitárias após surtos em granjas comerciais

Seguro pecuário cresce 24% em 2025, mas cobre só 3% do rebanho

Pecuária

Seguro pecuário cresce 24% em 2025, mas cobre só 3% do rebanho

Mesmo com alta nas contratações, desconhecimento sobre o produto ainda limita adesão de pecuaristas

Mercado de inseminação artificial de bovinos cresce 15,57% em 2025 no Brasil

Pecuária

Mercado de inseminação artificial de bovinos cresce 15,57% em 2025 no Brasil

Entre as doses comercializadas o avanço foi de 8,87%, totalizando 27,979 milhões vendidas no ano passado

Cargill investe em Mato Grosso e inaugura planta de nutrição animal

Pecuária

Cargill investe em Mato Grosso e inaugura planta de nutrição animal

Unidade em Primavera do Leste tem capacidade de 150 mil toneladas por ano e reforça aposta da companhia na bovinocultura de corte

PUBLICIDADE

Pecuária

Gripe aviária: Argentina confirma segundo caso em aves comerciais

Surto em granja de Lobos leva Senasa a reforçar quarentena e medidas de biosseguridade após perda do status sanitário internacional

Pecuária

MBRF e governo do PR estruturam fundo para financiar cadeia de aves e suínos

Serão R$ 375 milhões para fortalecer a cadeia produtiva de aves e suínos no Estado

Pecuária

Biosseguridade na suinocultura: como reduzir riscos sanitários

Controle de acesso, quarentena e limpeza correta garantem produção saudável e estável

Pecuária

Gripe aviária: Argentina confirma novo surto em aves comerciais

Novo caso surge semanas após UE anunciar retomada das importações de carne de aves argentinas a partir de 1º de março de 2026

Logo Agro Estadão
Bom Dia Agro
X
Carregando...

Seu e-mail foi cadastrado!

Agora complete as informações para personalizar sua newsletter e recebê-la também em seu Whatsapp

Sua função
Tipo de cultura

Bem-vindo (a) ao Bom dia, Agro!

Tudo certo. Estamos preparados para oferecer uma experiência ainda mais personalizada e relevante para você.

Mantenha-se conectado!

Fique atento ao seu e-mail e Whatsapp para atualizações. Estamos ansiosos para ser parte do seu dia a dia no campo!

Enviamos um e-mail de boas-vindas para você! Se não o encontrar na sua caixa de entrada, por favor, verifique a pasta de Spam (lixo eletrônico) e marque a mensagem como ‘Não é spam” para garantir que você receberá os próximos e-mails corretamente.