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Pecuária

Peste Suína: Piauí declara estado de emergência após caso clássico da doença

O decreto vale por 180 dias; Ministério da Agricultura diz que contaminação não afeta exportações do setor

Sabrina Nascimento | São Paulo e Daumildo Júnior | Brasília - Atualizada às 19h

07/01/2026 - 13:40

Foto: Ascom-Sada/Divulgação
Foto: Ascom-Sada/Divulgação

O Piauí está em estado de emergência zoossanitária em todo o território após a confirmação de um foco de Peste Suína Clássica (PSC) no município de Porto, no norte do estado. A medida foi oficializada por meio do decreto nº 24.299, assinado pelo governador Rafael Fonteles e publicado nessa terça-feira, 06. 

De acordo com o documento, a emergência terá duração de 180 dias e pretende viabilizar a adoção imediata de medidas específicas para a contenção e erradicação do vírus. O objetivo é evitar a disseminação da doença para outras regiões do Estado. 

CONTEÚDO PATROCINADO

Segundo o secretário de Comércio do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luís Rua, o caso não impacta o fluxo das exportações brasileiras de carne suína. “Não afeta”, garantiu ao Agro Estadão. 

Também em resposta à reportagem, o Mapa informou que se trata de um caso “ocorrido em área endêmica para a doença” e disse ser uma “situação rotineira, que não afeta o status sanitário do restante do país”. Além disso, ressaltou que peste suína clássica não é uma zoonose, ou seja, não há risco para a saúde humana.

Em 2025, os embarques de carne suína do Brasil bateram recorde, com avanço de 11,6% no volume em comparação com o resultado de 2024 — ano que detinha o recorde até então. O Piauí, entretanto, não desponta entre os 10 principais estados exportadores e produtores da proteína animal. 

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Confirmação técnica

A decisão do governo do Piauí considerou laudos emitidos pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em Minas Gerais (LFDA-MG), vinculado ao Mapa, que confirmaram a ocorrência da doença. Considerou-se ainda o parecer técnico da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Piauí (Adapi).

Com a decretação da emergência, a movimentação de animais e de produtos considerados de risco dentro do Estado passa a seguir normas e procedimentos específicos definidos pela equipe técnica responsável pelas ações de campo. 

O decreto também autoriza o diretor-geral da Adapi a expedir diretrizes e adotar ações de manejo integrado da doença, incluindo o uso de produtos já registrados no País e a aplicação de recomendações técnicas oriundas de pesquisas realizadas em âmbito nacional. Caberá ainda à agência promover a aquisição dos insumos necessários para as ações de controle e erradicação da PSC.

Diferença entre Peste Suína Clássica e Peste Suína Africana

A Peste Suína Clássica (PSC) e a Peste Suína Africana (PSA) são doenças virais graves que afetam suínos domésticos e silvestres e causam grandes prejuízos econômicos à suinocultura. Porém, cada uma é provocada por vírus diferentes. 

Clinicamente, as duas enfermidades apresentam sintomas muito semelhantes, como febre alta, apatia, hemorragias e elevada mortalidade, tornando indispensável o diagnóstico laboratorial para diferenciá-las. 

No Brasil, a PSC é alvo de um programa nacional de controle e grande parte do território é reconhecida internacionalmente como livre da doença, embora ainda existam focos em áreas não livres. Já a PSA é considerada erradicada no País: apesar de ter ocorrido no final da década de 1970, não há registros atuais de circulação do vírus. 

Do ponto de vista econômico, a PSA representa um risco ainda maior, uma vez que não existe vacina eficaz e os impactos estimados em caso de introdução são bilionários, podendo chegar a mais de US$ 5 bilhões no Brasil, segundo estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil. A PSC também pode causar perdas expressivas caso avance para áreas livres, com prejuízos estimados entre R$ 1,3 bilhão e R$ 4,5 bilhões. Nenhuma das duas doenças oferece risco à saúde humana.  

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