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Pecuária

Conheça a raça ancestral gaúcha com os maiores chifres do Brasil

Esse bovino é resistente ao clima rigoroso do Sul com impressionantes chifres, os maiores entre as raças bovinas do país

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Redação Agro Estadão*

18/12/2025 - 05:00

Foto: Fernando Dias/Seapi
Foto: Fernando Dias/Seapi

O gado franqueiro é um verdadeiro tesouro genético brasileiro, moldado ao longo de séculos nos Campos de Cima da Serra, no Rio Grande do Sul.

Essa raça rústica e ancestral carrega a história do gaúcho em seu DNA: é resistente, perfeitamente adaptada ao clima e às paisagens campeiras, e símbolo da identidade regional.

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Entre suas marcas mais impressionantes estão os chifres — os maiores entre as raças bovinas do país —, que podem ultrapassar dois metros de envergadura e despertam interesse tanto de pesquisadores e pecuaristas.

Os maiores chifres entre as raças bovinas brasileiras

A chegada dos bovinos ao Rio Grande do Sul remonta ao período das missões jesuíticas. Os missionários católicos trouxeram o gado com a finalidade de sustentar as comunidades missioneiras instaladas na região.

Mais tarde, com a invasão dessas missões pelos bandeirantes, “os bovinos capturados tinham por destino a região de Franca, São Paulo, de onde surgiu a denominação de bovino franqueiro”, segundo informações da Embrapa.

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Parte do rebanho dispersou-se pelos campos do Sul, dando origem a uma linhagem que se adaptaria perfeitamente ao ambiente frio e rústico.

A característica mais marcante da raça consiste em seus chifres excepcionais. Eles podem alcançar até 2,3 metros de uma extremidade à outra, segundo registros da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. 

O formato típico apresenta disposição horizontal com curvatura em formato de lira, conferindo aspecto imponente aos animais.

Os chifres cumprem funções biológicas importantes nos bovinos. Primeiramente, atuam como mecanismo de termorregulação, dissipando calor corporal através da circulação sanguínea em suas estruturas ósseas. 

Adicionalmente, servem como ferramenta de defesa contra predadores naturais e estabelecem hierarquia social dentro do rebanho.

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Atualmente, os rebanhos franqueiros enfrentam redução populacional devido aos cruzamentos indiscriminados com zebuínos. 

Esta situação levou governos e organizações como a Associação Brasileira de Criadores de Bovinos Franqueiros a implementar ações de preservação para evitar a extinção da raça.

Características do gado franqueiro

gado franqueiro
Foto: Fernando Dias/Seapi

O gado franqueiro apresenta porte médio com estrutura corporal robusta. Os machos adultos atingem peso entre 350 a 450 quilos, enquanto as fêmeas alcançam 250 a 350 quilos. 

A altura ao garrote varia de 120 a 135 centímetros nos touros e 110 a 125 centímetros nas vacas.

A pelagem característica exibe coloração predominantemente vermelha, com variações que incluem tons castanho-avermelhados, alaranjados ou mosqueados. O couro curto e liso proporciona resistência natural ao calor e parasitas externos. 

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A cabeça apresenta tamanho mediano com perfil ligeiramente côncavo, enquanto as orelhas longas e pendentes auxiliam na termorregulação.

Este bovino demonstra resistência superior a doenças parasitárias, incluindo infestações por carrapatos e verminoses comuns na região Sul. A rusticidade permite manejo extensivo com baixa exigência nutricional, adaptando-se eficientemente a pastagens nativas de qualidade inferior. 

Os animais apresentam longevidade elevada, mantendo produtividade até 15 anos de idade com taxa de fertilidade próxima a 90%.

A importância do gado franqueiro

gado franqueiro
Foto: Fernando Dias/Seapi

O gado franqueiro constitui patrimônio genético e cultural fundamental do Rio Grande do Sul, conforme registrado pela Secretaria da Agricultura do estado. 

A raça desempenhou papel central na formação dos Campos de Cima da Serra, sendo utilizada historicamente na produção de leite para fabricação do tradicional queijo serrano e coalhada.

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Os animais franqueiros demonstram valor produtivo equivalente a outras raças na produção leiteira, mantendo características de resistência que os tornaram adequados às condições específicas da região serrana. 

Esta capacidade produtiva, aliada à rusticidade, representava importante fonte econômica para as propriedades tradicionais dos Campos de Cima da Serra.

A preservação do gado franqueiro vai além dos aspectos puramente econômicos, envolvendo a manutenção de conhecimentos tradicionais transmitidos por tropeiros e moradores antigos da região. 

Estes saberes incluem técnicas específicas de manejo adaptadas às características da raça e às condições ambientais locais. Atualmente, esforços de resgate realizados por criadores especializados visam preservar este patrimônio genético e cultural. 

O futuro do gado franqueiro

gado franqueiro
Foto: Fernando Dias/Seapi

O principal desafio enfrentado pela raça reside no risco de extinção causado por cruzamentos indiscriminados com outras raças comerciais. 

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A falta de reconhecimento econômico imediato e a dificuldade de competição com raças especializadas intensificam esta problemática. Atualmente, restam pouco mais de duas mil cabeças distribuídas entre aproximadamente 50 criadores oficiais.

As perspectivas futuras dependem de estratégias coordenadas de preservação e valorização. A divulgação das qualidades da raça através de feiras e exposições aumenta o interesse de novos criadores. 

O incentivo à criação sustentável, apoiado por políticas públicas específicas, pode garantir a continuidade dos rebanhos.

*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão

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