Pecuária
Dia mundial do queijo: conheça 5 tipos que só existem no Brasil
Produção com leite cru e fermentos naturais preserva tradições e impulsiona a economia rural
Redação Agro Estadão*
20/01/2026 - 05:00

O dia 20 de janeiro é celebrado mundialmente como o dia mundial do queijo. No Brasil, esta data ganha importância especial devido à rica tradição queijeira do país, que produz diversos tipos de queijos artesanais regionais.
A produção artesanal sustenta muitas famílias rurais e representa uma tradição cultural importante, reconhecida por órgãos como o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e o Ministério da Agricultura (Mapa).
Esses queijos brasileiros têm duas características principais: são feitos com leite cru (não pasteurizado) e usam fermentos naturais, como o “pingo” (um fermento obtido do soro de queijos anteriores).
Importante destacar que a legislação atual determina que queijos de leite cru devem passar por períodos mínimos de maturação (geralmente 60 dias, podendo ser reduzido conforme estudos específicos que comprovem segurança microbiológica).
O Selo ARTE permite a comercialização entre estados de produtos alimentícios artesanais de origem animal, desde que produzidos conforme boas práticas.
Conheça os principais tipos de queijos artesanais brasileiros
Queijo Canastra (Minas Gerais)

Em 2008, o IPHAN registrou os “modos de fazer o queijo Minas artesanal” como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, reconhecendo as técnicas tradicionais de produção com leite cru nas regiões serranas de Minas Gerais.
Os produtores fazem esse queijo na região da Serra da Canastra usando leite de vaca cru. O produto tem casca amarelada, textura firme, mas cremosa e sabor levemente ácido e picante.
Durante a maturação (processo em que o queijo fica entre 14 e 22 dias) o sabor fica mais forte e complexo. As bactérias naturais da região dão características únicas ao produto.
Queijo Marajó (Pará)

O que torna o Queijo Marajó especial é sua matéria-prima: leite de búfala. A Ilha de Marajó tem o maior rebanho de búfalos do Brasil. Existem dois tipos principais: o “Creme”, feito com creme de leite adicionado à massa, e o “Manteiga”.
Este queijo tem textura muito macia e sabor suave. A produção é importante para a economia local, especialmente para pequenos produtores. Em 2021, o queijo recebeu Indicação Geográfica — um selo que protege produtos típicos de uma região.
Queijo do Serro (Minas Gerais)

Embora também seja de Minas Gerais, o Queijo do Serro é diferente do Canastra. Geralmente fica mais úmido e amadurece por menos tempo. A técnica veio de Portugal, trazida pelos colonizadores da Serra da Estrela.
O queijo tem cor mais clara e sabor mais suave e levemente ácido. Foi o primeiro queijo brasileiro a receber Indicação Geográfica, em 2011.
Onze municípios da região do Serro mantêm essa tradição há séculos, seguindo padrões que preservam as características originais.
Queijo Serrano (Rio Grande do Sul e Santa Catarina)

Produzido nas regiões altas dos Campos de Cima da Serra, o Queijo Serrano mantém tradições do século XVIII. Os produtores usam leite de vacas de corte, especialmente das raças Angus e Hereford, adaptadas ao clima da região.
O sabor é intenso e a textura fica granulada com o tempo. Essa característica vem do processo de envelhecimento e das condições climáticas locais.
O queijo tem ligação histórica com os tropeiros, os comerciantes que viajavam longas distâncias levando mercadorias entre os estados.
Queijo Coalho Artesanal (Nordeste)

A versão artesanal do Queijo Coalho, feita por pequenos agricultores com leite cru, é bem diferente das versões industriais vendidas em espetinhos. A técnica tradicional usa enzimas para coagular o leite — processo que transforma o líquido em massa sólida.
A característica mais marcante é que o queijo resiste ao calor e “range” nos dentes quando fresco, devido à sua estrutura proteica especial. Por isso, pode ser assado na brasa ou frito sem derreter completamente.
Como identificar queijos artesanais de qualidade
Para garantir uma experiência saborosa e segura, é importante saber identificar a procedência e a qualidade desses produtos.
Ao comprar, procure sempre os selos de inspeção oficiais, que asseguram que o queijo foi produzido dentro das normas sanitárias:
- S.I.F (Selo de Inspeção Federal);
- S.I.E (Selo de Inspeção Estadual);
- Selo ARTE (para produtos artesanais).
Além dos selos, observe também características como a textura, o aroma e a cor — um bom queijo artesanal costuma ter aparência natural, casca firme e aroma expressivo, resultado da maturação e do cuidado manual do produtor. Sempre que possível, conheça a origem e o produtor, fortalecendo a conexão entre o campo e a mesa.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Pecuária
1
Pesquisadores se mobilizam para evitar a extinção dos jumentos
2
Seara conclui transição para gestação coletiva de suínos e amplia produção em 40%
3
Guerra no Oriente Médio pode impactar até 40% das exportações de carne bovina
4
Da genética bovina a cavalos de elite: o mercado por trás da nova central equina do Brasil
5
Soro de leite pode virar refrigerante e gerar nova receita para laticínios de MG
6
Cargill investe em Mato Grosso e inaugura planta de nutrição animal
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Pecuária
Setor avícola reforça vigilância após foco de gripe aviária no RS
Doença foi identificada em aves silvestres no Sul gaúcho, mas ABPA descarta risco imediato à produção comercial
Pecuária
Exportadores retomam reservas de frango ao Oriente Médio, diz ABPA
Setor vê retomada gradual dos bookings, mas alerta para aumento de custos e atrasos devido à guerra na região
Pecuária
Guerra no Oriente Médio eleva incertezas para exportações brasileiras de gado vivo
Preocupação do mercado se concentra nos efeitos indiretos do conflito, como logística, custos mais altos e prazos de transporte
Pecuária
Preço do leite sobe após nove meses de queda consecutiva
A expectativa é de manutenção desse viés de alta em março, aponta Scot consultoria
Pecuária
Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves silvestres
Serviço Veterinário do Estado reforçou a vigilância e as ações de prevenção nas criações de subsistência da região
Pecuária
Guerra no Oriente Médio pode impactar até 40% das exportações de carne bovina
Sem linha marítima direta para a Ásia, a guerra no Oriente Médio também afeta as exportações de carne bovina ao continente
Pecuária
Crise no Oriente Médio afeta logística de exportação de frango do Brasil
ABPA monitora cenário e mantém embarques confirmados enquanto rotas como Suez e Ormuz seguem fechadas
Pecuária
Brasil investiga 2 suspeitas de influenza aviária em aves não comerciais
Investigações surgem após Argentina e Uruguai anunciarem novos casos da doença