Economia
Soja volta ao centro da disputa entre EUA e China
Secretária de Agricultura diz que armazéns chineses não estão cheios e Trump promete cobrar Xi Jinping em reunião da Apec
Broadcast Agro
03/10/2025 - 16:58

A secretária de Agricultura dos Estados Unidos, Brooke Rollins, afirmou, na quinta-feira, 2, que a China “não está com os armazéns cheios” e precisa voltar a comprar soja americana. Em entrevista à Fox Business, ela disse que o presidente Donald Trump pretende cobrar o tema do presidente chinês Xi Jinping no fim de outubro, em reunião prevista à margem da cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), em Seul. “É hora de a China parar de jogar jogos. Eles precisam do nosso produto”, declarou.
A fala de Rollins ocorre em meio à ausência prolongada da China nas compras de soja dos Estados Unidos. Ontem, mais cedo, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse à CNBC que o governo anunciará na próxima terça-feira, 7, “apoio substancial” aos produtores afetados. Segundo Bessent, na sua avaliação, a maior parte do eleitorado rural apoiou Trump, e os recursos para o programa podem vir de receitas tarifárias.
Trump voltou ao tema em publicação na rede Truth Social, afirmando que os agricultores estão sendo prejudicados porque a China deixou de comprar soja “por razões de negociação”. “Vou me reunir com o presidente Xi da China em quatro semanas, e a soja será um tópico importante de discussão”, escreveu.
Rollins disse que esteve na quarta-feira no Salão Oval com Trump para discutir a situação dos produtores de soja, além de sorgo, algodão, milho e trigo. Segundo ela, a China não cumpriu integralmente o acordo comercial firmado em 2019. “Infelizmente, os chineses não mantiveram a parte deles do acordo. Isso aconteceu sob o presidente Biden, que se recusou a cobrar qualquer responsabilidade e, como resultado, abandonou nossa comunidade agrícola”, afirmou.
A secretária acrescentou que os Estados Unidos já fecharam mais de uma dúzia de acordos para abrir novos mercados agrícolas, citando Indonésia, Japão, Taiwan, Reino Unido, União Europeia e Austrália. “A solução de longo prazo é não depender exclusivamente de alguns países”, disse Rollins.
No mercado, a AgResource avaliou que os sinais políticos deram fôlego, ontem, aos preços futuros na Bolsa de Chicago (CBOT), mas não alteram o quadro de curto prazo sem compras efetivas da China. Para o analista-chefe Ben Buckner, outubro já está perdido como mês de vendas e a janela para exportações americanas tende a se fechar no fim de janeiro.
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