Economia
Setor do arroz no RS articula pacote de ações para enfrentar crise
Entidades defendem ajustes tributários, novas estratégias de mercado e diversificação de usos para recuperar a competitividade
Redação Agro Estadão
05/02/2026 - 18:49

Representantes da cadeia produtiva do arroz no Rio Grande do Sul apresentaram, nesta quinta-feira, 5, um conjunto de propostas para enfrentar a crise que atinge o setor. As medidas foram debatidas durante uma entrevista coletiva realizada na sede da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), em Porto Alegre, com a participação da Federação das Associações de Arrozeiros do RS (Federarroz), do Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga) e da Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Irrigação (Seapi).
O pacote reúne ações de curto e médio prazos, e foi detalhado pelo economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz. Entre os pontos destacados, estão a necessidade de alertar o setor produtivo sobre o cenário projetado para 2026, a recomendação de redução da área cultivada e a adoção de mecanismos que facilitem a comercialização da safra atual.
As entidades também defendem o estímulo às exportações por meio da Cédula de Produto Rural com Liquidação Financeira (CDO), além da redução temporária do ICMS durante o período de maior oferta do grão, como forma de equilibrar a concorrência com o arroz importado, especialmente do Paraguai. Outras propostas incluem o alongamento de dívidas de custeio, a reorganização dos prazos de vencimento das CPRs e o combate à comercialização de arroz fora das especificações informadas nas embalagens.
Adversidades
Ao contextualizar a gravidade da situação, o presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, afirmou que o setor foi impactado por uma combinação de fatores adversos. Segundo ele, a elevada produção registrada em 2025 no Mercosul e no cenário internacional pressionou fortemente os preços. A retomada das exportações pela Índia também contribuiu para a queda das cotações globais, afetando diretamente os produtores sul-americanos.
Nunes destacou que o ambiente econômico se agravou com juros elevados, crédito restrito e uma supersafra, resultando em forte endividamento dos arrozeiros gaúchos. Para ele, a crise atual não é pontual e tende a se estender até 2026, exigindo planejamento e ações coordenadas para evitar prejuízos ainda maiores.
Outro ponto sensível levantado foi a assimetria dentro do Mercosul. O dirigente destacou que parte do beneficiamento de arroz deixou o Rio Grande do Sul nos últimos anos, migrando para Estados como Minas Gerais e São Paulo, que não produzem o grão, mas importam volumes expressivos do Paraguai. Para enfrentar esse cenário, a Federarroz criou uma comissão específica para estudar o tema e dialogar com os governos estadual e federal.
Outros usos
Além das medidas econômicas e comerciais, o setor aposta na diversificação de usos do arroz como estratégia de agregação de valor. Um dos estudos em andamento avalia o potencial do grão para a produção de etanol, iniciativa que envolve a Embrapa Agroenergia. A proposta, segundo Nunes, não substitui o uso alimentar do arroz, mas amplia as possibilidades de aproveitamento da produção.
O presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes, abordou a importância da atuação conjunta das entidades em um momento considerado um dos mais delicados para o agronegócio gaúcho. Ele citou fatores como instabilidade de mercado, impactos climáticos e desafios geopolíticos, além de alertar para a concentração de vendas prevista para o primeiro semestre de 2026, o que pode agravar ainda mais a situação da cadeia produtiva.
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