Economia
Mercado de café segue atento ao clima, apesar da expectativa de safra maior
Mesmo com produção maior no horizonte, estoques apertados ainda limitam recuos acentuados nas cotações, aponta Itaú BBA
Redação Agro Estadão
05/02/2026 - 14:57

Mesmo diante da expectativa de uma safra maior no Brasil, o mercado global de café mantém atenção redobrada no clima como principal variável de risco. De acordo com o Itaú BBA, para 2026, o mercado de café opera na transição entre a restrição de oferta dos últimos anos e uma possível recomposição gradual dos estoques globais.
Embora o balanço mundial aponte para um leve superávit na safra 2026/27, o banco ressalta que esse volume ainda não é suficiente para promover uma recuperação relevante dos estoques. “Até a entrada da nova produção, a disponibilidade restrita continua sustentando as cotações e mantendo o mercado sensível às variações climáticas”, apontou em relatório.
Segundo a instituição, a melhora das condições climáticas no Brasil, especialmente com temperaturas mais amenas no período de pré-florada, reforça a expectativa de recuperação da produção, sobretudo do café arábica. Ainda assim, até que a nova safra esteja efetivamente disponível, a oferta permanece restrita, o que deve sustentar os preços, além de manter um ambiente de elevada volatilidade.
Conforme apontam os especialistas em relatório, a leitura é de que, mesmo com um cenário mais positivo para a produção, o clima seguirá ditando o comportamento dos preços, ao menos nos primeiros seis meses de 2026.
Produção maior no horizonte, mas com estoques ainda apertados
Para a safra 2026/2027, o Itaú BBA estima que a produção brasileira alcance 69,3 milhões de sacas, crescimento de 10,1% em relação à safra anterior.
Desse total, 44,8 milhões de sacas devem ser de arábica, com alta de 18% em relação à temporada passada, enquanto o robusta deve somar 24,5 milhões de sacas, com um recuo de 2%. As projeções estão mais positivas frente à estimativa divulgada nesta quinta-feira, 5, pela Companhia Nacional de Abastecimento.
Já no cenário global, o Itaú BBA acredita que a produção deve avançar para 188 milhões de sacas, apoiada principalmente pelo aumento da oferta brasileira e por investimentos em outras origens produtoras de café.
O consumo, por sua vez, deve crescer de forma mais moderada, avançando para 176 milhões de sacas, resultando em um superávit estimado de 11,3 milhões de sacas. Ainda assim, o banco pondera que “esse volume segue limitado em um cenário de estoques apertados”, o que reduz o espaço para quedas mais acentuadas de preços.
Margens ainda confortáveis, mas com risco de acomodação
Diante do contexto, os especialistas apontam que o ambiente atual continua oferecendo boas margens ao produtor. De acordo com o Itaú BBA, os preços futuros e físicos permanecem acima dos custos de produção, com relações de troca nos menores níveis observados nos últimos anos. O cenário reforça a atratividade para fixações estratégicas, especialmente como forma de capturar margens historicamente confortáveis e reduzir a exposição a possíveis ajustes de mercado.
Ao mesmo tempo, entretanto, a perspectiva de maior produção tende a limitar movimentos novos de alta. À medida que o desenvolvimento da safra avance e as incertezas quanto ao seu tamanho diminuam, o banco avalia que pode haver pressão negativa sobre as cotações, ainda que quedas mais intensas sejam improváveis diante dos baixos níveis de estoques.
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