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Economia

Setor avícola gaúcho espera solução 'nos próximos dias' para embargo da China

Chineses liberaram importações brasileiras, mas mantiveram restrições ao RS; Mapa pediu esclarecimentos a Pequim

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Paloma Santos | Brasília | paloma.santos@estadao.com

19/11/2025 - 05:00

Asgav diz que todos os protocolos sanitários foram seguidos e que não entende motivo do embargo. Foto: Adobe Stock
Asgav diz que todos os protocolos sanitários foram seguidos e que não entende motivo do embargo. Foto: Adobe Stock

O Rio Grande do Sul segue fora das compras chinesas de carne de frango e o setor diz esperar um desdobramento positivo “nos próximos dias”. A China manteve o embargo ao Estado, apesar de ter retirado as suspensões ao Brasil, sob a justificativa do caso de Doença de Newcastle registrado em 2024. O Ministério da Agricultura (Mapa) pediu esclarecimentos a Pequim sobre a decisão, mas ainda não obteve resposta.

A manutenção da restrição foi recebida com surpresa pela indústria gaúcha. Para o presidente executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), José Eduardo dos Santos, não há pendências sanitárias que justifiquem o veto. “Recebemos com uma certa surpresa, já que o que consta aí, o motivo da restrição, é sobre o caso de Newcastle, uma situação isolada que já foi solucionada, com reconhecimento pela Organização Mundial da Saúde Animal”, afirmou.

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Santos diz que todos os elementos técnicos já foram apresentados. “Nós temos fundamentação técnico-científica, o embasamento todo da solução do caso, o atendimento a todos os requisitos, e um trabalho exemplar do nosso serviço oficial, junto com o setor, que evitou que a doença ou as doenças, no caso do Newcastle no ano passado e de Influenza este ano, tivessem um espalhamento e consequências maiores”, afirmou.

Ele destaca a confiança em uma retificação por parte de Pequim. “[…] deve ser um ajuste de informações, uma atualização de informações, por parte do governo chinês. E, certamente, isso vai ter um desdobramento nos próximos dias”, afirmou. “Estamos aguardando aqui uma definição. Existe toda essa expectativa de uma solução rápida”, disse Santos.

Segundo o dirigente, o setor tem confiança no trabalho diplomático conduzido pelo governo brasileiro. “Estamos apostando e também estamos muito otimistas em relação ao trabalho diplomático que está sendo feito pelo Ministério da Agricultura, pelo Secretário de Relações Internacionais e pela Associação Brasileira de Proteína Animal. Estamos todos na mesma linha”, afirmou.

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Exportações gaúchas

Até maio, mês da ocorrência de Influenza Aviária, a China havia sido o destino de mais de 10% de tudo o que o País exportou da proteína. No caso do Rio Grande do Sul, os chineses terminaram o ano passado na terceira posição entre os principais destinos das exportações de frango. “Só em 2024, foi de 18% a 20% das nossas exportações. É um mercado bastante considerável”, disse Santos. 

No acumulado de janeiro a setembro deste ano, os embarques de carne de frango do RS tiveram 3% de queda em receita e de 2% em volume. “No mês de outubro deste ano, nós estamos crescendo 8% das exportações do estado, comparando com outubro do ano passado. No acumulado do ano, caímos 1%. Então, vem diminuindo o impacto da queda das nossas exportações”, afirmou.

Efeito no mercado interno

Para Sadi Marcolin, proprietário do abatedouro Mais Frango, em Miraguaí (RS), o impacto vai além das plantas habilitadas. “Quando um país como a China, que é o maior comprador do Brasil, bloqueia qualquer estado que seja, ele impacta para todos”, afirmou.

Mesmo sem acesso ao mercado chinês, a empresa sente o efeito da queda nos embarques. “Por menor que seja o produtor do Rio Grande do Sul, está sentindo que não abriu”, afirmou. “Esse produto tem que ir para algum lugar. Ou vai para um mercado que a gente vende, que pode ser exportação, ou vai para o mercado interno. E aí acaba competindo bastante em termos de preço”, explicou.

Marcolin lembra que o Estado vem lidando com sucessivas adversidades — o que agrava a situação. “O Rio Grande do Sul vem de vários problemas difíceis, de situações difíceis: as enchentes, a Doença de Newcastle. Aí depois veio a Influenza, que fechou também vários mercados”.

Segundo ele, o momento é agravado pelos custos mais altos. “Quem tem dívida em banco, os juros, com a Selic a 15%, mais esses spreads bancários [encargos adicionados pelos bancos], dão quase 20%. Aumentou o custo financeiro”, disse. “E outros custos continuam aumentando porque a inflação está alta. E, quando tem inflação, todos os custos sobem”, completou.

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