Economia
México publica cotas para carnes bovina e suína isentas de tarifas; veja como ficou
Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) ainda não enviou propostas para contornar salvaguarda chinesa, que taxou carne bovina em 55%
Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com
05/01/2026 - 18:01

O governo mexicano publicou nesta segunda-feira, 5, as cotas de carne bovina e carne suína que não terão imposto de importação, ou seja, não serão taxadas. A medida é um complemento a outra estabelecida no final de dezembro, que retirou ambas as proteínas do Paquete Contra la Inflación y la Carestia (Pacic) — programa mexicano para baratear preços de alimentos através da isenção de impostos.
Para a carne suína, serão 51 mil toneladas livres das alíquotas de importação. Já para a carne bovina, 70 mil toneladas. A validade para essas cotas estipulada é até 31 de dezembro de 2026. Essas quantidades valem para todos os exportadores, isto é, não é uma cota individual para o Brasil, mas sim para todos os países que exportam para o México, à exceção daqueles que têm acordos comerciais.
Apesar disso, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luis Rua, aponta que a maior parte deve ficar com o Brasil. “Estados Unidos e Canadá também exportam para lá [México], mas, com eles, os mexicanos têm um acordo de livre comércio. Então, eles não entram nessa cota, e o Brasil é o outro grande fornecedor para o México”, destacou ao Agro Estadão.
De acordo com dados da plataforma Agrostat, do Mapa, entre janeiro e novembro de 2025 o Brasil exportou 74,3 mil toneladas de carne suína e 113,2 mil toneladas de carne bovina. Em receita gerada, foram R$ 181,4 milhões e R$ 618,9 milhões, respectivamente.
Ainda conforme o secretário, apenas uma parte das exportações brasileiras para os mexicanos deve ser afetada e, mesmo assim, o mercado de lá ainda continua mais atrativo se comparado a outros. “Os Estados Unidos, por exemplo, ainda têm uma alíquota de 26,4%, abaixo da tarifa do México”, afirmou.
Brasil ainda não enviou propostas à China
Outro assunto no radar da pasta de Rua é a medida de salvaguarda da China para a carne bovina importada pelos asiáticos. A ação impõe uma alíquota de 55% sobre a carne bovina que passar da cota estipulada — no caso do Brasil, a quantidade livre do imposto adicional é de 1,1 milhão de toneladas.
Segundo Rua, o Brasil está negociando com os chineses para que os embarques feitos até 31 de dezembro de 2025 não entrem no cálculo da cota. Além disso, o país prepara propostas para o governo chinês no intuito de conseguir com que as partes das cotas não alcançadas de outros países sejam transferidas para o Brasil.
“Ainda não enviamos as propostas, mas deve ser feito nos próximos dias”, comentou à reportagem. Ainda conforme o secretário, não está claro como será a estruturação, como quando essas partes seriam incorporadas na cota brasileira. Por isso, a ideia é dar opções aos chineses. “Temos que ver o que eles vão falar. Então, não está definido”, completou.
Antes mesmo do anúncio das medidas de salvaguarda, havia uma previsão de visita do secretário à Pequim, na China, em janeiro. Agora, devido a um desencontro de agendas, a viagem teve que ser remarcada, ainda sem uma data certa. A expectativa de Rua é de que a situação envolvendo a alíquota tenha um desfecho antes dessa visita, mas, caso não se desenrole até lá, o assunto estará na pauta.
Ele ainda disse que a pauta de negociação com o parceiro asiático tem 47 itens. Na visita, alguns devem entrar na mesa de discussão, como a abertura dos mercados de cálculo biliar, miúdos bovinos e de suínos, além de farinhas de origem bovina. Também pode estar na mesa a reabertura das exportações de frango do Rio Grande do Sul para o gigante asiático, caso a situação não esteja resolvida até a viagem.
A ideia é que a essa visita ocorra antes da realização da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban). Os encontros servirão como meio de campo para o evento, que deve ocorrer ainda no primeiro semestre.
Produtores pedem que frigoríficos não prejudiquem bolso de pecuarista diante de taxa chinesa
A Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) publicou uma nota na última semana em que “vê com muita preocupação” as medidas impostas pela China. A entidade do maior Estado exportador de carne bovina alerta para o risco do produtor ser “quem paga toda a conta no final”. Por isso, o pedido é de que haja “bom senso” também por parte dos frigoríficos.
“Os grandes exportadores brasileiros têm condições de pulverizar esse excedente sobretaxado para outros mercados sem prejudicar o pecuarista brasileiro com manobras especulativas. Acreditamos no bom senso, certos de que o produtor brasileiro precisa ser valorizado e respeitado, principalmente nesse momento de incerteza e virada de ciclo. Esperamos também que o governo federal proteja e defenda também quem produz e não somente quem exporta”, reforçou.
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