Economia
Seguro agrícola: indenizações sobem mais de 140% em SP no 1º semestre
Sobre os recentes incêndios no estado, Federação avalia que deve haver baixo impacto sobre seguro rural
Rafael Bruno | São Paulo | rafael.bruno@estadao.com
02/09/2024 - 08:00

As recentes queimadas que atingiram o interior de São Paulo, causando um prejuízo estimado em mais de R$ 1 bilhão, devem ter um impacto relativamente baixo sobre o mercado de seguro rural. É o que aponta a Federação Nacional de Seguros Gerais.
De acordo com Fábio Damasceno, membro da comissão de seguro rural da FenSeg, as queimadas poderiam ter causado danos mais severos se tivessem afetado a colheita de inverno, já concluída.
No estado paulista, a maior exposição para quem tem seguro agrícola, considerando dados do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), deverá ser com propriedades de cana-de-açúcar, que detêm 556 apólices contratadas, seguida pelo seguro pecuário (216), e o seguro florestal (90).

Além de produções, o fogo atingiu também bens patrimoniais como garagens, colheitadeiras e plantadeiras. Segundo a FenSeg, embora ainda não seja possível contabilizar números exatos, pode-se dizer que a maioria dos sinistros acionados pelos segurados, desde o fim de semana, ocorreu na região central e noroeste de São Paulo, a partir de Ribeirão Preto.
Apesar de os valores de indenização ainda não serem alarmantes, de acordo com a Federação, a quantidade de sinistros é considerada alta pelas seguradoras para o período de tempo – os primeiros focos de incêndio foram registrados na sexta-feira 23 de agosto. A expectativa é de que os acionamentos aumentem nos próximos dias.
Seguradoras em alerta: aumento de indenizações no 1º semestre exige mudanças
Além das ocorrências em São Paulo, incêndios vêm se espalhando nos últimos meses pela Amazônia, Pantanal e estados como Goiás e Minas Gerais. Cenário que reforça a percepção do mercado segurador de que será preciso redimensionar a exposição ao risco do seguro agrícola, que protege plantações de fenômenos meteorológicos.
“O principal causador de perdas agrícolas, nos últimos dez anos, não é o incêndio. A seca sempre foi o maior risco. Incêndio nessas proporções foi a primeira vez”, destaca Fábio Damasceno, contextualizando que, até então, ocorrências como essas se mostravam mais danosas no seguro de equipamentos agrícolas e no seguro florestal, e menos no seguro agrícola.
De acordo com o executivo, a avaliação e gestão de risco do seguro agrícola tem sido um desafio crescente, considerando que as mudanças climáticas estão provocando eventos extremos com frequência cada vez maior. “Estamos vivendo uma nova realidade climática que exige uma adaptação rápida e eficaz por parte das seguradoras para garantir a viabilidade das carteiras e proteger os produtores rurais. As mudanças estão impactando não apenas o perfil de risco, mas também a aptidão agrícola das regiões”, afirma ao Agro Estadão.
Segundo dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), aos quais o Agro Estadão teve acesso com exclusividade, no primeiro semestre deste ano, em todo país o seguro agrícola arrecadou, R$ 2,2 bilhões, queda de 16,3% ante 2023, e as indenizações somaram R$ 1,8 bilhão, alta de 2,3% sobre o mesmo período do ano passado. No estado de São Paulo, a arrecadação atingiu R$ 338 milhões, recuo de 1,1%, e as indenizações, R$ 712,3 milhões, com alta de 146,3% sobre igual período de 2023.
Ainda de acordo com o representante da FenSeg, a entidade está comprometida em monitorar a situação atual e coordenar esforços para garantir uma resposta eficaz aos sinistros, além de trabalhar na atualização dos modelos de risco e precificação para melhor atender às necessidades do setor agropecuário.
Siga o Agro Estadão no Google News e fique bem informado sobre as notícias do campo.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Economia
1
Em investigação, China aponta 'dano grave' à indústria de carne bovina e notifica OMC e exportadores
2
Fim do papel: produtores rurais terão de emitir nota fiscal eletrônica em 2026
3
Começa a valer obrigatoriedade de emissão de nota fiscal eletrônica
4
Feiras do agro 2026: calendário dos principais eventos do setor
5
Salvaguarda à carne bovina: Câmara Brasil-China vê desfecho favorável ao setor brasileiro
6
China impõe cotas para importação de carne bovina e atinge o Brasil
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Economia
Acordo Mercosul-UE levanta críticas do governo Trump às vésperas de assinatura
Comentários focam em regras que impedem venda de produtos com selos europeus de indicações geográficas
Economia
Aporte de US$ 1,3 bilhão da JBS permitirá ao México cortar 35% das importações de frango
Ministro da Economia do México vê investimento da Pilgrim’s Pride como oportunidade de ampliar a produção avícola e gerar empregos
Economia
Setor de máquinas agrícolas fecha 2025 em baixa nos EUA
Instabilidade econômica e menor renda dos produtores pressionam o mercado, mas setor aposta em retomada em 2026
Economia
Acordo entre Canadá e China reduz taxas para canola e pescados
Pequim cortará impostos de 84% para 15% até março, beneficiando produtores de grãos do Canadá
Economia
Governo da Indonésia cancela implementação obrigatória do B50 para 2026
Testes automotivos e estudos sobre o B50 seguem em curso no país, mas a adoção efetiva dependerá da dinâmica de preços
Economia
Carne bovina brasileira bate recorde de exportações para o mundo árabe
Vendas do produto para o bloco somaram US$ 1,79 bilhão em 2025, quase 2% a mais em relação ao ano anterior
Economia
Exportadores de pescado precisarão de certificado para vender aos EUA
Nova regra obriga apresentação do documento COA em mais de 60 produtos e restringe pescados obtidos por emalhe
Economia
Vendas semanais de soja dos EUA superam previsões do mercado
Exportações da safra 2025/26 somam 2,06 milhões de toneladas, com forte demanda da China