Economia
Registros de agrotóxicos e bioinsumos batem recorde em 2025
Segundo o Mapa, 912 registros foram concedidos, incluindo 162 bioinsumos, o maior número já registrado no País
Redação Agro Estadão
05/01/2026 - 13:49

O Brasil encerrou 2025 com 912 registros de agrotóxicos e bioinsumos concedidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O balanço anual aponta crescimento nas liberações, com destaque para os bioinsumos e para a entrada de novos ingredientes ativos no mercado.
Do total, 323 registros são de produtos técnicos, destinados apenas ao uso industrial, sem venda direta ao agricultor. O ano também marcou a liberação de 162 bioinsumos, o maior número já registrado no País. Segundo o Mapa, esses produtos incluem “formulados biológicos, microbiológicos, bioquímicos, extratos vegetais, reguladores de crescimento e semioquímicos, inclusive para uso na agricultura orgânica”.
Em 2025, o Mapa concedeu ainda registros para um ingrediente ativo químico inédito, além de 101 produtos equivalentes ou genéricos e 15 produtos classificados como bioinsumos. Outro marco foi o registro de seis novos produtos técnicos inéditos e de 19 produtos formulados à base de ingrediente ativo novo.
Novos ingredientes e concorrência
Para o ministério, a entrada de novas moléculas fortalece a defesa fitossanitária. “Diferentemente dos produtos equivalentes ou genéricos, essas novas moléculas ampliam os modos de ação disponíveis, fortalecem o manejo integrado de pragas e doenças e reduzem riscos de resistência”, informa o comunicado.
Foram registrados no ano os seguintes ingredientes ativos novos: Ipflufenoquina, Fluoxastrobina, Fluazaindolizine, Isopirazam, Fenpropidin e Ciclobutrifluram. O Mapa avalia que esses ativos aumentam a eficiência no controle fitossanitário e estimulam a inovação no campo.
Os produtos equivalentes concentraram a maior parte das liberações. O objetivo, de acordo com o Mapa, é ampliar a concorrência e reduzir custos ao produtor rural. O ministério destaca que parte relevante dos registros decorre de decisões judiciais ligadas ao descumprimento de prazos legais, envolvendo processos protocolados em 2015 e 2016.
O ministério ressalta que o número de registros não indica aumento automático no uso de defensivos. “A demanda pelo uso desses insumos depende de fatores técnicos, como área cultivada, pressão de pragas, condições climáticas e sistemas de manejo”, afirma a nota. Em 2024, 58,6% das marcas comerciais de agrotóxicos químicos registradas e 13,6% dos ingredientes ativos não foram comercializados.
O Mapa também informou que reforçou a fiscalização. Foram publicados chamamentos para revisão técnica de produtos e, como resultado inicial, o Ato nº 61, de 22 de dezembro, suspendeu cautelarmente 34 registros. No ano, ações do ministério apreenderam 1.946 litros de agrotóxicos ilegais.
As medidas fazem parte da agenda regulatória iniciada com a Lei nº 14.785, de 2023. O Mapa trabalha com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis na implementação do Sistema Unificado de Informação, Petição e Avaliação Eletrônica, previsto para 2026.
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