Economia
Recuperações judiciais no agro batem recorde no 3º trimestre
Produtores rurais pessoa física lideram pedidos de recuperação judicial; Mato Grosso concentra o maior número, aponta a Serasa Experian
Redação Agro Estadão
15/12/2025 - 05:00

Os pedidos de recuperação judicial (RJ) no agronegócio seguem atingindo patamares históricos. Dados da Serasa Experian, divulgados nesta segunda-feira, 15, indicam 628 requisições feitas no terceiro semestre deste ano – o maior volume desde o início da série histórica, em 2021.
O número representa um avanço de 147,2% frente ao mesmo período do ano passado (254). Já em relação ao trimestre anterior (565), o avanço é de 11,1%.
Marcelo Pimenta, head de agronegócio da Serasa Experian, afirma que a escalada dos pedidos de recuperação judicial revela que muitos produtores e empresas chegaram ao limite financeiro. Ele explica que a falta de revisão de estruturas de custos, o excesso de endividamento e a manutenção de expansões mal planejadas contribuíram para esse quadro. Nesse contexto, a inteligência de crédito, conforme Pimenta, é essencial. Quanto mais precisa for a análise dos riscos, maior a chance de evitar que situações críticas evoluam para insolvência.

Mato Grosso lidera pedidos
O levantamento mostra que o Mato Grosso concentrou o maior número de pedidos entre os Estados brasileiros. A região, fortemente dependente do cultivo de soja e milho, já vinha enfrentando redução de margens devido a custos logísticos, variações cambiais e oscilações internacionais de preços. Goiás e Paraná também aparecem com índices elevados, reforçando que a pressão financeira se espalha pelos principais polos do agronegócio.
Ainda conforme o levantamento, os produtores pessoas físicas são o que mais registram pedidos de recuperação judicial: 255 solicitações no período. O volume de requisições é 140,5% superior em comparação com os 106 pedidos feitos no mesmo trimestre de 2024. Mostram um avanço também frente ao segundo semestre deste ano, quando tinha 220 pedidos. Entre os perfis avaliados, os arrendatários e grupos familiares se destacam, somando 84 solicitações. Grandes proprietários entraram com 69 pedidos, pequenos com 58 e médios com 44.
Entre os produtores pessoa jurídica, foram registradas 242 solicitações no trimestre. Em comparação com o mesmo período do ano passado, que contabilizou 92 pedidos, houve um aumento de 163%.
A Serasa Experian destaca ainda que produtores que atuam no cultivo de soja, principal commodity agrícola do país, foram responsáveis por 156 pedidos. A criação de bovinos, segundo setor mais afetado, somou 45 pedidos, refletindo custos elevados de alimentação, desafios sanitários e dificuldades de comercialização.

Empresas do agro também sentem impacto
Mas não apenas os produtores foram impactados. Companhias que integram a cadeia agroindustrial — como indústrias de processamento, distribuidoras e empresas de insumos — registraram 131 pedidos de recuperação judicial. Esse número é mais que o dobro do observado no mesmo período de 2024, quando houve 56 solicitações, mostrando uma expansão de 134% no período de um ano. Já em relação ao segundo trimestre deste ano, que contabilizou 102 pedidos, nota-se um avanço de cerca de 28%.
O segmento com maior número de pedidos foi o comércio atacadista de produtos agropecuários primários (31), seguido pela indústria de processamento de agroderivados (27) e pela agroindústria de transformação primária (25).
Antecipação de riscos e redução do impacto das RJs
A Serasa Experian também analisou o uso de modelos preditivos, como o Agro Score, desenvolvido para mapear potenciais riscos de inadimplência de produtores rurais. A ferramenta monitora padrões financeiros e identifica sinais de instabilidade com meses de antecedência.
Com as informações coletadas, foi possível observar diferenças significativas entre o Agro Score médio de produtores que viriam a pedir recuperação judicial e o dos demais, até três anos antes do protocolo oficial. A empresa destaca que o uso desse tipo de solução pode ajudar credores a ajustar limites, reduzir exposição e mitigar riscos sistêmicos.
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