PUBLICIDADE

Economia

Setor e governo criticam decisões sobre recuperações judiciais e falam em 'indústria de RJ'

Especialista afirma que não enxerga próximo ano melhor do que atual e alerta para efeito cascata negativo na cadeia

Nome Colunistas

Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com

03/12/2025 - 16:22

Recuperações judiciais foram um dos temas centrais do 5º Brasília Summit nesta quarta-feira, 3. Foto: Evandro Macedo/LIDE
Recuperações judiciais foram um dos temas centrais do 5º Brasília Summit nesta quarta-feira, 3. Foto: Evandro Macedo/LIDE

Representantes do setor privado do agronegócio brasileiro e do governo avaliaram que parte do aumento das recuperações judiciais (RJ) da agropecuária se deve a interpretações judiciais equivocadas da lei das RJ. Durante um dos painéis do 5º Brasília Summit, o assunto foi tema central entre os debatedores. O diretor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Bruno Lucchi, disse que se criou uma “indústria da RJ”, em que há um incentivo para os produtores recorrerem ao mecanismo de renegociação.

“O que a gente precisa hoje é fazer cumprir o que está na lei. A lei é muito clara em muitos aspectos e não tem nem sido levada em consideração na aplicação pelo Judiciário em alguns momentos”, destacou o diretor nesta quarta-feira, 3, no evento organizado pelo LIDE e Correio Braziliense. 

CONTEÚDO PATROCINADO

Na mesma linha, o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Guilherme Campos, afirmou que um fator que tem preocupado é o “grande protagonismo do Judiciário”. O representante do governo federal ainda indicou que a solução estaria dentro do próprio Poder Judiciário, com uma fiscalização das decisões pelos órgãos de controle. 

“As RJ, em primeira instância, têm uma facilidade muito grande de serem aprovadas. Existem diversos escritórios de advocacia que vendem a RJ com uma solução que vai garantir um desconto substancial do valor dessa dívida e um alongamento desse valor. A realidade não comprova isso”, comentou a jornalistas após a participação no painel. 

Campos ainda avaliou que há um excesso de recuperações judiciais, o que tem prejudicado “todo o sistema”. Ele lembrou que parte dessas RJ é de pessoas que entraram na atividade rural “quando só tinha notícia boa” e agora estão optando por “soluções pouco ortodoxas”. Os efeitos são, especialmente, no acesso ao crédito, já que as garantias exigidas passam a ser mais rigorosas, segundo o secretário. 

PUBLICIDADE

Próximo ano pode ser pior do 2025, projeta presidente do IBDA

O aumento dos pedidos e aprovações de recuperações judiciais tem afetado não apenas a relação entre produtor e instituições financeiras. De acordo com o presidente do Instituto Brasileiro de Direito do Agronegócio (IBDA) e vice-presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Renato Buranello, a relação entre produtores e fornecedores, como as cerealistas, também está em risco. 

O advogado disse que participou de um evento com cerealistas na semana passada e os relatos motivam uma preocupação para o próximo ano. “Os cerealistas estavam sofrendo, de fato, nesse elo da cadeia para emprestar ou continuar comercializando seus insumos. Olha aonde chegamos. Eu ouvi frases de que seria melhor não negociar e não ter novas operações para o ano que vem. Isso tem nos assustado e 2026 pode ser muito pior que 2025”, alertou. 

O diretor da CNA comentou que o panorama atual é uma “tempestade perfeita”. Ele explicou que esse quadro é a ocorrência simultânea de fatores negativos, como a queda no preço das commodities, eventos climáticos extremos, retrocesso na área segurada no País, além de dificuldades de acesso a financiamento. Para a próxima safra, Lucchi aponta que parte dessas condições deve ser mantida. 

“Certamente a próxima safra vai ser bem semelhante, um pouco maior [em produção] do que a outra, mas o que temos visualizado é a redução dos pacotes tecnológicos. O produtor tem ajustado bastante e nos preocupa muito, porque é um ano em que devemos ter a volta do La Niña e a questão do seguro, que não está ainda disponível a contento do setor”, destacou o diretor, ao ressaltar a necessidade de buscar ações no curto prazo para mitigar os problemas. 

Siga o Agro Estadão no WhatsApp, Instagram, Facebook, X, Telegram ou assine nossa Newsletter

PUBLICIDADE

Notícias Relacionadas

China restringe exportações de fertilizantes e combustíveis

Economia

China restringe exportações de fertilizantes e combustíveis

Ação de Pequim amplia o risco global de desabastecimento em meio à guerra no Oriente Médio

Caminhoneiros: estado de greve continua; entidades devem se reunir com Boulos

Economia

Caminhoneiros: estado de greve continua; entidades devem se reunir com Boulos

Decisão da categoria transfere avaliação para a próxima semana, com negociações sobre diesel, frete e piso mínimo

Governo adia reunião e posterga decisão sobre aumento do biodiesel no diesel

Economia

Governo adia reunião e posterga decisão sobre aumento do biodiesel no diesel

Agenda segue sem nova data, enquanto setor produtivo pressiona por B17 em meio à escalada do petróleo no mercado internacional

Lucro da MBRF cai 91,9% e atinge R$ 91 milhões no 4º trimestre de 2025

Economia

Lucro da MBRF cai 91,9% e atinge R$ 91 milhões no 4º trimestre de 2025

Empresa reporta que desempenho reflete alta nas despesas financeiras e impactos da fusão e reestruturação

PUBLICIDADE

Economia

Governo endurece regras do frete; agro alerta para distorções e alta de custos

Segundo o ministro dos transportes, foram identificados 15 mil infratores da lei do frete mínimo, somando 40 mil registros até janeiro

Economia

Selic cai para 14,75% na Super Quarta; Fed mantém taxa americana

CNI vê excesso de cautela no corte da Selic e afirma que juros altos travam investimentos e agravam o endividamento

Economia

Indústria reage a projeto que redefine teor de cacau no chocolate

Texto aprovado na Câmara segue para o Senado, enquanto indústria alerta que mudanças podem frear inovação e novos produtos no país

Economia

Tilápia: importações superam exportações pela primeira vez e acendem alerta no setor

Alta das compras externas é impulsionada pelo valor de importação mais competitivo em relação à indústria brasileira

Logo Agro Estadão
Bom Dia Agro
X
Carregando...

Seu e-mail foi cadastrado!

Agora complete as informações para personalizar sua newsletter e recebê-la também em seu Whatsapp

Sua função
Tipo de cultura

Bem-vindo (a) ao Bom dia, Agro!

Tudo certo. Estamos preparados para oferecer uma experiência ainda mais personalizada e relevante para você.

Mantenha-se conectado!

Fique atento ao seu e-mail e Whatsapp para atualizações. Estamos ansiosos para ser parte do seu dia a dia no campo!

Enviamos um e-mail de boas-vindas para você! Se não o encontrar na sua caixa de entrada, por favor, verifique a pasta de Spam (lixo eletrônico) e marque a mensagem como ‘Não é spam” para garantir que você receberá os próximos e-mails corretamente.