Economia
PIB, juros e inflação: CNA aponta o que esperar para 2026
Confederação analisa resultados do setor em 2025 e aponta perspectivas para a agropecuária no próximo ano
Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com
09/12/2025 - 14:00

O ano de 2025 está terminando como um ano “normal” na avaliação do presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins. “É normal, porque conseguimos fazer uma coisa que achávamos que era impossível, com restrição de crédito, com problemas climáticos, nós batemos novo recorde de produção, terminando o ano com uma safra superior a 350 milhões de toneladas. Então, para nós, foi um ano bom”, comentou Martins ao abrir a apresentação do balanço do Agro em 2025 e as perspectivas para 2026 realizada nesta terça-feira, 9.
Mesmo com essas dificuldades indicadas pelo presidente da CNA, a projeção que a entidade faz para o Produto Interno Bruto (PIB) da Agropecuária apresenta um crescimento de 8,3% em 2025. Já o PIB do Agronegócio, que contabiliza toda a cadeia, deve encerrar o ano com uma alta de 9,6%. O Valor Bruto da Produção (VBP) Agropecuária é projetado em R$ 1,49 trilhão, um acréscimo de 11,9%.
Já para o próximo ano, o cenário de incertezas faz com que a entidade enxergue um crescimento setorial mais comedido. Entre os principais pontos elencados pela CNA para essa análise estão:
- juros ainda elevados;
- endividamento dos produtores rurais, diminuindo o apetite para investimentos;
- margens apertadas;
- clima com efeitos do La Niña na primeira metade do ano e possível ocorrência de El Niño na porção final do ano de 2026;
- ano eleitoral com potencial risco para uma subida da inflação.
Por isso, as previsões da entidade para 2026 ainda indicam um crescimento do setor, mas com uma intensidade menor do que a observada em 2025. No caso do PIB da Agropecuária, a estimativa é de um incremento de 2,3%. Para o PIB do Agronegócio, a expectativa é de um aumento de 1% e no VBP um acréscimo de 5,1%.
Quanto aos indicadores macroeconômicos do país, a projeção feita pela CNA para o próximo ano são:
- PIB do Brasil: crescimento de 1,8%;
- Câmbio dólar: R$ 5,50;
- Taxa Selic: 12,25% ao ano;
- Inflação: 4,16% no acumulado dos 12 meses de 2026.
Oferta e demanda sinalizam para valorização da arroba em 2026

O diretor técnico da CNA, Bruno Lucchi, também fez um panorama para algumas cadeias produtivas, como a carne bovina. Segundo ele, a produção brasileira deve terminar 2025 com cerca de 12 milhões de toneladas, 1,7 milhões a mais do que o registrado no período anterior, o que não era esperado no início do ano. O motivo foram os abates de fêmeas. No entanto, a expectativa agora é de que esses abates diminuam, além de uma busca maior por carne mundo afora.
“Para o ano que vem, a gente visualiza um ano que vai ter uma demanda por carne muito grande no mundo, porém uma queda da produção de carne nos principais países produtores, inclusive o Brasil, na ordem de 3% a 5%, em função dessa maior retenção de fêmeas. Muitos países abateram muito e a ideia é que no ano que vem haja uma retenção”, comentou Lucchi.
Nas demais proteínas, a entidade espera uma variação positiva na produção:
- Suínos: 3%;
- Frango: 2%;
- Tilápia: 10%;
- Ovos: 5%.
Grãos: sem grandes ganhos, mas também sem grandes perdas

Já a estimativa para a safra de grãos aponta que o ciclo 2025/2026 deve ser semelhante ao observado em 2024/2025. A projeção adotada pela CNA é de uma safra na casa de 354 milhões de toneladas, similar aos 352 milhões de toneladas da temporada passada. No entanto, o cenário econômico deve afetar a tomada de decisão dos produtores.
“Para o ano que vem, o que a gente imagina é que pode haver uma redução no pacote tecnológico em função desse endividamento, em função dos custos de produção e dos preços desses produtos que não são favoráveis”, destacou o diretor técnico.
As estimativas da CNA estão alinhadas com as projeções feitas pela Companhia Nacional de Abastecimento. Para a agricultura, a entidade espera:
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