Economia
A força do agronegócio na Páscoa dos brasileiros
Da produção de cacau à piscicultura, entenda a conexão vital entre o campo e os produtos típicos da festividade
Redação Agro Estadão*
17/03/2026 - 05:00

A Páscoa movimenta a economia brasileira de forma que muita gente não percebe. Quando compramos chocolates, peixes e outros alimentos típicos da data, estamos consumindo produtos que começaram a ser feitos lá no campo.
O agronegócio fornece as matérias-primas que chegam à nossa mesa durante a celebração. Esta ligação entre a fazenda e a festividade mostra como a produção rural faz parte dos momentos importantes do nosso calendário.
Qual é a relação entre a Páscoa e o agronegócio?

A Páscoa é uma das épocas do ano em que mais consumimos produtos que vêm do campo.
Vários setores da agricultura trabalham juntos para abastecer o mercado da Páscoa. O cacau é o ingrediente principal dos chocolates. O leite serve para fazer chocolates cremosos e outros doces.
O açúcar, que vem da cana-de-açúcar, adoça tanto chocolates quanto outras guloseimas consumidas no período.
Essa dependência mostra como uma festividade pode ativar diferentes tipos de produção rural ao mesmo tempo. Os ovos utilizados na culinária caseira e na indústria conectam a criação de galinhas com as tradições pascais.
Até as embalagens dos produtos podem usar materiais que vêm de plantas, ampliando ainda mais a participação do campo na festividade.
Além disso, durante a Quaresma e Semana Santa, muitas famílias também consomem mais peixe, resultando em um das melhores épocas de vendas para os produtos da psicultura brasileira.
Produtos do agro brasileiro na Páscoa
Muito antes do chocolate chegar à gôndola, o campo já está em marcha. Para o agronegócio, a Páscoa é uma operação logística de precisão que transforma o suor do produtor no banquete da família brasileira. Duas cadeias são bem impactadas pelo período de Páscoa:
Cacau

Quem vê o preço do ovo de Páscoa na prateleira não imagina a reviravolta que as fazendas de cacau estão vivendo. Na Páscoa 2026, ovos de chocolate enfrentam reajustes de até 26% devido à crise global de cacau, mas a produção brasileira em equilíbrio anima o setor.
Com a quebra de safra lá fora, os olhos se voltaram para a produção nacional, que entrou em 2026 com sinais positivos, especialmente na Bahia, principal polo produtor.
A Conab estima crescimento de 5,1% no volume nacional, subindo de 288 mil toneladas em 2024/25 para 302 mil toneladas), impulsionado pela Bahia.
Mas os produtores da Bahia e Pará não estão apenas entregando sacas; eles estão entregando sabor. Eles descobriram que tratar a amêndoa com carinho — caprichando na fermentação e no manejo sob a sombra da vegetação nativa — dá muito mais lucro.
A fermentação das amêndoas desenvolve aromas complexos e eleva o cacau a padrões especiais. Amêndoas de cacau fermentadas e secas em estufas solares alcançam preços até três vezes maiores no mercado gourmet, como o cacau fino orgânico.
Peixes

Quem observa o movimento nas peixarias durante a Semana Santa não faz ideia da transformação que o setor aquícola vive por trás dos tanques e viveiros.
O consumo de pescados deve atingir 350 mil toneladas na Páscoa 2026, com crescimento de 8%, segundo a Associação Brasileira da Aquicultura (Peixe BR). Vendas em peixarias podem subir 40% na Semana Santa.
A tradição de comer peixe na Quaresma remonta à penitência católica: fiéis evitam carne vermelha de animais “de sangue quente” nas sextas-feiras, mas aceitam peixe — “de sangue frio”.
Segundo a Peixe BR, a tilápia é o peixe mais consumido na Quaresma, representando cerca de 60-65% da produção nacional de piscicultura.
Sua popularidade deve-se ao preço acessível, filés sem espinhas e sabor neutro, dominando vendas em supermercados e peixarias durante o período.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
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