Economia
Mosaic: gargalos logísticos desafiam o mercado de fertilizantes
Atraso nas compras e aumento das filas nos portos pode atrasar entrega de fertilizantes para a próxima safra
Sabrina Nascimento
28/06/2024 - 15:24

O mercado de fertilizantes enfrenta um cenário desafiador, marcado por uma dinâmica de preços voláteis e gargalos logísticos. Com a aproximação do pico da safra para entrega desses insumos, será possível acompanhar um aumento de filas nos portos, acarretando em uma demora na disponibilidade de adubos.
“A partir de julho a gente já observa a fila dos portos subirem, então, você começa a observar o incremento do line up, isso significa que o fertilizante vai demorar um pouco mais de tempo para ser disponibilizado para os misturadores. Eu não estou dizendo que este ano vai acontecer, mas você tem anos que a fila chega a 60-90 dias de atraso”, afirma o vice-presidente e country manager da Mosaic Fertilizantes, Eduardo Monteiro, em conversa com o Agro Estadão durante o Global Agribusiness Forum (GAFFFF).
Segundo Monteiro, que também preside a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), o início de 2024 foi marcado por uma intensa movimentação no mercado de fertilizantes, especialmente no que diz respeito ao potássio. De acordo com o dirigente, os preços atrativos e uma relação de troca favorável incentivaram muitos agricultores a anteciparem suas compras.
No entanto, a situação foi diferente para o fósforo. Consultorias de mercado projetavam uma queda nos preços desse insumo, levando muitos produtores a adiarem suas compras. “A gente chega num momento agora, onde começa o movimento do pico da safra para entregar fertilizantes para que a aplicação seja feita. E a gente vê uma situação no mercado onde os preços de fósforo estão subindo significativamente, porque não existe esse excesso de oferta”, alerta Eduardo.
Até o momento, o mercado brasileiro já movimentou 70% dos fertilizantes esperados para o ano. Contudo, a distribuição entre os diferentes tipos de fertilizantes não foi equilibrada. O potássio avançou mais rapidamente, enquanto o fósforo ficou para trás, resultando em, aproximadamente, 1 milhão de toneladas a menos de estoque de fósforo em comparação ao ano passado.
Embora Monteiro não acredite que haverá falta de fertilizantes, ele alerta para os gargalos logísticos decorrentes das decisões de compras adiadas. “A concentração de comercialização é um ponto de preocupação”, afirmou à reportagem.
Impactos futuros no milho 2ª safra
Para a safrinha, a situação é ainda mais crítica devido à janela de plantio reduzida e à maior demanda por potássio e nitrogênio. O ritmo de compra para a 2ª safra de milho está 10% abaixo do ano passado, o que pode resultar em desafios semelhantes aos enfrentados atualmente.
“Nas últimas quatro semanas, o preço do fósforo subiu US$ 50, então, a gente quer tentar escapar disso”, disse o dirigente. “E agora, no final do dia, eu sempre digo que a decisão de compra é soberana do produtor”, completa.
Ritmo de vendas
Conforme Gabriel Gimeno, diretor de vendas da Mosaic Fertilizantes, na cultura da soja, ainda resta entre 20% e 25% do saldo de comercialização a ser realizada, principalmente de fertilizantes fosfatados nas regiões Sudeste e Sul do país. “No Centro-Oeste, Norte e Nordeste, já está bastante avançado, remanescente de 5 a 10% de saldo de mercado. As compras foram bastante fosfato, que é o fertilizante que o agricultor precisa primeiro”, disse Gimeno ao Agro Estadão durante o GAFFFF 2024.
Já para a 2ª safra de milho, assim como já pontuado por Monteiro, há um atraso de 10% nas vendas em relação ao ano passado. “Estou falando do andamento de 20% frente a 33% do ano anterior. Essa é uma safra que merece a atenção do agricultor […]. Qualquer tipo de postergação pode trazer algum complicador ao produtor no que tange a recebimento”, reforça Gabriel.
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