Economia
Imea: defensivos elevam custo de produção da soja e milho em Mato Grosso em junho
A alta refletiu a pressão sazonal típica do período de planejamento da safra, quando a demanda se intensifica
Broadcast Agro
16/07/2025 - 17:06

Os custos de produção da soja e do milho em Mato Grosso voltaram a pressionar o orçamento dos produtores em junho, com os defensivos agrícolas liderando o movimento de alta, segundo levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O algodão, na contramão, registrou novo recuo nos custos, beneficiado pela queda nos preços de fertilizantes e sementes.
Soja
Para a soja transgênica da safra 2025/26, o custo de custeio subiu 0,19% no mês, atingindo R$ 4.145,02 por hectare. Os defensivos agrícolas foram os principais vilões, com alta de 1,28%, chegando a R$ 1.195,76 por hectare. As operações mecanizadas também exerceram pressão, com avanço de 1,26%, totalizando R$ 178,55 por hectare. Na direção oposta, as sementes ofereceram alívio, com queda de 0,47%, ficando em R$ 610,16 por hectare, enquanto os fertilizantes recuaram 0,33%, para R$ 1.861,08 por hectare. Com isso, o Custo Operacional Efetivo (COE) da oleaginosa ficou em R$ 5.735,40 por hectare, alta de 0,18% na comparação mensal.
Milho
O milho de alta tecnologia apresentou pressão ainda maior, com custo de custeio em R$ 3.235,23 por hectare, avanço de 0,60% em relação a maio. Os defensivos lideraram o movimento, com valorização de 2,23%, atingindo R$ 733,64 por hectare. As sementes também subiram 0,69%, para R$ 758,21 por hectare, enquanto as operações mecanizadas avançaram 0,92%, chegando a R$ 174,02 por hectare. Os fertilizantes, por sua vez, ofereceram algum alívio, com recuo de 0,21%, ficando em R$ 1.360,96 por hectare. O COE do cereal foi estimado em R$ 4.719,40 por hectare, elevação de 0,28% no período.
Algodão
O algodão seguiu na direção contrária, com custo de custeio em queda de 0,17%, totalizando R$ 10.647,25 por hectare. A redução foi favorecida pela retração nos preços de fertilizantes (-0,40%), que fecharam em R$ 3.858,68 por hectare, e das sementes (-0,32%), em R$ 1.013,34 por hectare. A mão de obra também contribuiu para o alívio, com recuo de 0,49%, chegando a R$ 596,96 por hectare. Os defensivos, contudo, pressionaram na direção oposta, com leve alta de 0,01%, atingindo R$ 4.589,20 por hectare, enquanto os serviços terceirizados subiram 6,11%, para R$ 57,10 por hectare.
Custos operacionais totais
Considerando os custos operacionais totais (COT), que incluem depreciações, a soja registrou R$ 6.355,41 por hectare (+0,18%), o milho alcançou R$ 5.312,00 por hectare (+0,20%) e o algodão ficou em R$ 16.279,20 por hectare (+0,07%). Os valores evidenciam a maior complexidade da cultura do algodão, que demanda investimentos significativamente superiores em relação às demais commodities.
O movimento de alta nos defensivos refletiu a pressão sazonal típica do período de planejamento da safra, quando a demanda por esses insumos se intensifica. A estabilização dos fertilizantes, por outro lado, sinalizou uma trégua nos preços dos macronutrientes, que vinham pressionando os custos nas últimas safras.
Os dados referem-se ao custo ponderado das culturas na safra 2025/26 e têm como base os preços e condições observados no mês de junho de 2025.
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