Economia
Corteva mantém apetite para investimentos na área de bionsumos
Empresa afirma que tem capacidade de substituir 100% do portfólio em cerca de 5 anos e diz estar pronta para novas aquisições
Daumildo Júnior* | Cosmópolis (SP) | daumildo.junior@estadao.com
05/12/2025 - 16:56

Com um orçamento de US$ 4 milhões diários para inovações, a Corteva emprega boa parte desse volume na área de bioinsumos. Segundo a própria multinacional, esse setor é o que mais recebe recursos dessa natureza proporcionalmente ao faturamento. E o resultado é o departamento de pesquisa e inovação “dando luz alta” com novos lançamentos.
“Quando a gente olha para nossa companhia num curto espaço de tempo [cerca de cinco anos], nós temos capacidade de substituir 100% do nosso portfólio”, afirma o líder Comercial da Corteva Biologicals para o Brasil e Paraguai, Sebastião Ribeiro, ao Agro Estadão.
Apesar do potencial, a estratégia da empresa não é lançar os produtos de uma vez, mas dar tempo de maturação para os produtos recém-lançados no mercado e “não queimar etapas”. Por isso, a intenção no momento é consolidar e ampliar o UtrishaN e estrear o Stimulate 10X.
De olho em novas aquisições
Em 2023, a Corteva investiu para adquirir a Stoller e a Symborg. E o diretor Global da Corteva Biologicals, Raphael Godinho, indica que ainda há apetite para novas compras. “Nós continuamos ativamente olhando para todo o mercado em busca de investimentos que tragam benefício ao agricultor”, comenta à reportagem.
Nesse sentido, a multinacional tem olhado para empresas e plataformas que tragam soluções para os problemas dos produtores e que tenham viabilidade comercial. Essa forma de investimento pode incluir tanto as aquisições como assinaturas de acordos e parcerias com startups, através da Corteva Catalyst – que já tem colaboração não só com empresas inovadoras no Brasil, mas em outros países, como a Argentina.
Como o filtro leva em consideração as necessidades do produtor rural, Godinho aponta ainda que empresas que têm soluções relacionadas ao uso eficiente de água têm chamado mais a atenção da multinacional a nível global. No Brasil, outras buscas são por inovações na área de biofungicidas para soja, de combate à cigarrinha do milho e de enfrentamento a nematoides de solo.
Biológicos não são “bala de prata” da agricultura
Mesmo com a postura arrojada na área de produtos à base de biológicos, o diretor global revela que internamente a empresa não trata os bioinsumos como itens que podem substituir os insumos químicos. O entendimento é que são ferramentas complementares.
“Uma coisa que a gente deixa muito clara dentro da Corteva é que biológicos nunca vai substituir, não deve substituir as tecnologias tradicionais, seja ela em fertilização, seja ela em controle de pragas e doenças, seja ela nas melhorias que a gente traz através de genética”, destaca Godinho.
Sobre uma tendência de regras e programas brasileiros que mirem essa troca, o diretor conta que viveu de perto na Europa as normas que retiraram os agrotóxicos. “As regulamentações vieram muito duras, exigentes e os governos começaram a voltar atrás, porque viram que, no final, o que eles estavam impactando era o agricultor e a produção de alimentos”.
A partir dessa experiência, o que Godinho defende é a complementaridade entre os produtos para uma maior eficiência. “A gente tem que trazer para a mesa todos esses benefícios dos bioinsumos, mas também trazer a perspectiva do campo de que você não tem uma bala de prata”, ressaltou.
*Jornalista viajou a convite da Corteva
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