Economia
CNA: liberalização tarifária não garante acesso efetivo ao mercado europeu
Confederação lembra que entrada de produtos no agro na Europa depende de exigências regulatórias, como o EUDR e salvaguardas
Broadcast Agro
23/01/2026 - 10:18

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) avalia que o acordo entre Mercosul e União Europeia (UE) é um “instrumento estratégico” para o agronegócio brasileiro. A entidade apoia a ratificação do acordo, mas pondera que a “liberalização tarifária” prevista pelo acordo, “por si só, não garante acesso efetivo ao mercado europeu”.
“Isso porque parte essencial das condições de entrada de produtos do agro na UE passou a depender de exigências regulatórias externas ao texto do acordo, caso do Regulamento Europeu do Desmatamento (EUDR) e de mecanismos recém-adotados pela União Europeia, como o regulamento de salvaguardas bilaterais com gatilhos automáticos”, explica a entidade em nota técnica.
A confederação destaca que, do ponto de vista tarifário, o acordo prevê uma abertura “ampla e gradual”. No primeiro ano de vigência, 39% dos produtos do agro exportados à UE terão tarifa zero, estima a CNA.
Para a confederação, medidas unilaterais, como a EUDR e as salvaguardas agrícolas, geram “risco real de neutralização das preferências tarifárias negociadas”. O impacto é “desproporcional” sobre pequenos e médios produtores, observou a entidade. “Por isso, a CNA ressalta a importância de que, antes da aprovação do Congresso Nacional e da internalização do acordo, o Brasil adote as medidas necessárias para garantir a integridade econômica das concessões negociadas e mitigue os efeitos negativos das novas regulações europeias sobre o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu”, acrescenta.
A CNA defende, “para garantir a aplicação equilibrada do acordo”: a atualização do decreto de salvaguardas globais, a fim de facilitar o acesso das empresas ao mecanismo de defesa comercial no Brasil; a regulamentação de procedimento específico para salvaguardas bilaterais; o desenvolvimento de contramedidas nacionais para mitigar os efeitos de salvaguardas bilaterais eventualmente acionadas pela União Europeia; e adoção do mecanismo de reequilíbrio previsto no acordo, sempre que novas regulações europeias reduzirem o valor econômico das preferências concedidas.
“Em síntese, o acordo Mercosul-União Europeia oferece oportunidade significativa para o agronegócio e para a indústria brasileira. Entretanto, sua efetividade dependerá da capacidade nacional de harmonizar requisitos regulatórios, preservar isonomia competitiva e proteger o valor das concessões obtidas, especialmente diante das novas exigências e instrumentos unilaterais adotados pela União Europeia”, explica a CNA.
A confederação lembra, ainda, que o tempo médio de assinatura e entrada em vigor de acordos anteriores supera quatro anos. “Historicamente, o processo de internalização de acordos internacionais no Brasil é lento. Exemplos recentes reforçam essa tendência: o Acordo Mercosul-Singapura, assinado em dezembro de 2023, ainda não foi enviado ao Congresso Nacional”, observa a CNA.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Economia
1
Em investigação, China aponta 'dano grave' à indústria de carne bovina e notifica OMC e exportadores
2
Fim do papel: produtores rurais terão de emitir nota fiscal eletrônica em 2026
3
Feiras do agro 2026: calendário dos principais eventos do setor
4
Começa a valer obrigatoriedade de emissão de nota fiscal eletrônica
5
Salvaguarda à carne bovina: Câmara Brasil-China vê desfecho favorável ao setor brasileiro
6
Menos pão, mais carne: canetas emagrecedoras redesenham demandas do agro brasileiro
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Economia
UE diz estar pronta para implementar acordo provisório com Mercosul
Declaração foi feita ao fim da cúpula da UE em Bruxelas, após líderes nacionais levantarem o tema em debates sobre rumos e decisões do bloco
Economia
Peru habilita primeiras unidades brasileiras para exportar farinhas bovinas
Mercado aberto em 2024 tem primeiras habilitações, permitindo os embarques de farinha de carne e ossos e hemoderivados.
Economia
Aprosoja MT: piso mínimo do frete amplia custo e compromete competitividade
Para a entidade, atual metodologia tem inconsistências estruturais relevantes e desconsidera a dinâmica real do mercado
Economia
São Paulo firma parceria com fundo sueco para expandir cadeia do biometano
Projeto prevê R$ 5 milhões para estudos de expansão da produção de biometano e e aproveitamento de resíduos do setor sucroenergético
Economia
Turquia lidera compras de gado em pé do Brasil e impulsiona recorde histórico
As exportações brasileiras avançaram quase 5% em 2025 e atingiram novo patamar histórico, superando 1 milhão de cabeças
Economia
Soja: Abiove projeta processamento recorde em 2026, de 61 milhões de toneladas
A produção de farelo de soja foi revista para 47 milhões de toneladas e óleo de soja avançou para 12,25 milhões de toneladas
Economia
Grupo Piracanjuba entra no mercado de queijos finos com aquisição da Básel (MG)
Com a operação, a Piracanjuba, que é de Goiás, passa a contar com dez unidades industriais em funcionamento no Brasil
Economia
Café dispara em 2025, enquanto arroz e feijão ficam mais baratos ao consumidor
Preços de 12 produtos básicos caíram 1,40% em 2025 e Abras projeta crescimento de 3,2% no consumo das famílias brasileiras em 2026