Economia
Cana Summit começa com preocupação sobre tarifaço de Trump
Anúncio de medidas norte-americanas gera expectativa entre produtores de cana e incerteza em Brasília

Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com
02/04/2025 - 12:17

A edição 2025 do Cana Summit iniciou marcada pela discussão em relação ao tarifaço dos Estados Unidos. O etanol é um dos produtos que está na pauta para receber taxas adicionais ao ser importado pelos norte-americanos. Para o CEO da Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana), José Guilherme Nogueira, o setor sucroenergético não pode ser usado como barganha em negociações.
“São vários produtos que são colocados para a discussão e a gente não quer ser a moeda de troca para isso. A competitividade do etanol brasileiro é muito pujante. O norte-americano compra o etanol brasileiro principalmente pela intensidade de carbono. Produzir, aqui no Brasil, através da cana tem um poder de descarbonização maior do que o próprio etanol de milho nos Estados Unidos”, disse a jornalistas após a abertura do evento organizado pela Orplana e que acontece em Brasília (DF) entre os dias 02 e 03 de abril.
O ‘Dia da Libertação’ tarifária dos EUA tomou parte de alguns discursos na abertura do evento. Foi o caso da presidente do Instituto Pensar Agropecuária (IPA), Tania Zanella. Ela lembrou a tramitação do projeto de lei (PL) da Reciprocidade como forma de o Brasil se preparar para as mudanças tarifárias que devem ser impostas pelo governo de Donald Trump. “É importante para que o Brasil também dê uma resposta satisfatória a essa questão que vai ser anunciada hoje pelos Estados Unidos”, comentou.
O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Pedro Lupion (PP-PR), também comentou as perspectivas para o PL da Reciprocidade. Lupion disse que a pauta é “super urgente” e prevê uma aprovação na Câmara dos Deputados de forma rápida. Nesta terça-feira, 01, foi anunciado, ainda no Plenário da casa, que a relatoria da matéria será feita pelo deputado federal Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), indicação da FPA.
O líder da bancada ruralista analisa que um tarifaço “seria muito ruim para os Estados Unidos, e obviamente para o Brasil, porque eles dependem de alguns produtos nossos”. E ainda pondera “o ponto positivo, se é que tem algum ponto positivo, é sair um anúncio de diversos países ao mesmo tempo, não ficar uma coisa de um país só”.
Necessidade de R$ 24 bilhões para Plano Safra 25/26
O presidente da frente também disse que começou as tratativas com o governo sobre o próximo Plano Safra. Segundo Lupion, serão necessários cerca de R$ 24 bilhões para a equalização dos recursos, já que os juros esperados para o meio do ano, época de anúncio do Plano Safra, devem estar na casa dos 15%.
“Nós marcamos reuniões com o ministro [da Fazenda] Haddad, com a ministra [do Planejamento] Simone Tebet e pedimos também agenda com a Casa Civil. Precisamos tratar disso o mais rápido possível, aguardamos ainda a confirmação dessas agendas. Hoje é um dia que Brasília está toda nessa expectativa do anúncio norte-americano, então não adianta a gente ficar tentando tratar de outros assuntos neste momento, mas já está no nosso radar a necessidade dessas conversas”, disse aos jornalistas após participar da abertura do Cana Summit.

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