Economia
Brasil lidera nova fase da BASF na América Latina
Multinacional alemã reorganiza atuação agrícola na região com foco em genética, sustentabilidade e resistência climática
Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com
26/06/2025 - 10:18

A BASF, multinacional alemã, anunciou uma nova estratégia para seu negócio de soluções agrícolas na América Latina. O foco, além do produtor rural e consumidor, também engloba inovação genética e sustentabilidade dos sistemas produtivos.
A iniciativa, conforme o vice-presidente de Marketing Estratégico da BASF Soluções para Agricultura na América Latina, Ademar De Geroni Jr, informou ao Agro Estadão, aprofunda um movimento iniciado em 2020, baseado na compreensão das necessidades do campo a partir de uma lógica de sistemas de cultivo, e não apenas de produtos. “Estamos adotando uma nova maneira de olhar para a agricultura. Em vez de levar soluções prontas ao produtor, co-criamos a partir das dores que ele enfrenta”, disse.
Segundo Geroni, a estratégia se estrutura em três pilares principais: cliente, inovação e pessoas. No campo, isso significa ampliar a atuação da empresa em quatro sistemas produtivos globais:
- soja, milho e algodão
- cereais de inverno
- arroz
- frutas e hortaliças
O Brasil tem papel de destaque nesse processo: lidera três a produção de três dessas ‘regiões-chave’ para a implementação de inovações e tecnologias da companhia. Conforme o dirigente, esse posicionamento reforça o protagonismo do país no desenvolvimento de cultivares adaptadas às realidades do continente. “Dos 15 países considerados drive countries [que determinam como a inovação será levada ao mercado global], o Brasil lidera em soja, hortifrúti e arroz. Nessa nova perspectiva, temos buscado, a partir da compreensão da dinâmica do produtor, formas de trazer inovações mais alinhadas às suas necessidades reais”, destaca.
Entre os projetos mais avançados está uma tecnologia inédita para o controle de nematoides na cultura da soja, problema que afeta lavouras em praticamente todo o território nacional. A solução, prevista para chegar ao mercado entre 2028 e 2029 — com possibilidade de antecipação —, poderá elevar a produtividade em níveis que variam de 5% a 20%, a depender da infestação. “Esse ganho é expressivo, especialmente quando comparado ao avanço médio de 1% ao ano nos programas tradicionais de melhoramento genético”, observa o executivo.

Outros destaques incluem cultivares de algodão, híbridos de arroz com alta produtividade e resistência ao arroz-vermelho — principal planta daninha da cultura —, e novas soluções para horticultura, voltadas para culturas como tomate, cebola, melancia e melão.
A estratégia da BASF também considera a instabilidade climática, que tem impactado fortemente os produtores, sobretudo nas regiões Sul e no Cerrado. Neste aspecto, a empresa atua para o desenvolvimento de variedades mais resistentes a eventos climáticos extremos e defende uma visão mais ampla do sistema produtivo, incorporando práticas como a rotação de culturas, cultivos de cobertura e uso de defensivos biológicos. “O clima é hoje uma das maiores preocupações do produtor. Precisamos construir resiliência não só com genética, mas com manejo integrado”, diz De Geroni.
A utilização de insumos biológicos também ganha relevância diante do cenário internacional. Com conflitos nas principais regiões produtoras, gerando incertezas sobre o fornecimento global de fertilizantes, — a exemplo da guerra entre Rússia e Ucrânia e o recente conflito entre Israel e Irã —, a expectativa é de que os biológicos continuem crescendo como alternativa complementar ao uso de insumos químicos.
“Enxergamos os biológicos como um complemento aos insumos químicos, tanto fertilizantes quanto produtos de proteção de cultivos. Já atuávamos com biológicos antes de 2010, e hoje seguimos avançando de forma consistente”, salienta. Segundo o vice-presidente de Marketing Estratégico, essa ação se alinha à lógica da agricultura regenerativa, visando sistemas produtivos mais sustentáveis.
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