Economia
Após caso de gripe aviária, exportações de carne de aves e miudezas caem 12,9%
Atualmente, 21 países têm restrição para as exportações de carne de frango de todo o Brasil
Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com
05/06/2025 - 15:44

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgou a balança comercial do Brasil referente ao mês de maio. As exportações de carne de frango e miudezas apresentaram uma queda de 12,9% em valor, totalizando US$ 654,6 milhões. O volume embarcado também caiu, chegando a 363,1 mil toneladas, 14,4% a menos que no mesmo período do ano passado.
O recuo acontece após a identificação de gripe aviária em uma granja comercial no dia 16 de maio. Depois da notificação, países começaram a fazer restrições às exportações de carne de frango. Segundo o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, Herlon Brandão, essa situação explica a queda em maio.
“Era um produto que vinha crescendo ao longo dos meses, tanto que, no acumulado do ano, o volume exportado de carne de aves cresceu 4,1%, os preços vinham com um aumento também, de 3,4%, o que fez com que, de janeiro a maio, tivesse crescido 7,7% [em valor comercializado]. Basicamente, a redução da exportação de carne de aves é explicada sim pela restrição à exportação brasileira por conta da ocorrência da gripe aviária”, comentou durante a apresentação dos resultados da balança.
Brandão ainda ponderou que as exportações não estão completamente suspensas. “Essas restrições não têm o poder de cessar completamente a exportação. A restrição é dada no momento da emissão do Certificado Sanitário, se deixa de emitir um certificado para aquele destino. E o certificado é feito no frigorífico. A gente [MDIC] está contando o embarque no porto”, disse.
Ele ainda complementou apontando que, devido a esse processo operacional, pode haver carne de frango sendo encaminhada para esses países com restrições. Isso porque pode haver produtos estocados antes das suspensões de certificados.
“[Há] Carne que já foi certificada, que está estocada no frigorífico, que está a caminho do porto, que está estocada no porto, muitas vezes já está no navio, e a gente está contando quando o transportador informa que embarcou a mercadoria, o que pode ser até sete dias depois do embarque. Então, a gente ainda tem esse efeito desses embarques”, explicou o diretor.
De acordo com a última atualização do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), 21 países ainda mantêm suspensão total das exportações de carnes de aves do Brasil. Outros 17 países têm restrição apenas ao estado do Rio Grande do Sul. Além disso, quatro restringiram ao município onde foi confirmado o caso.
Reunião em Bruxelas
O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, conversou com a reportagem direto de Bruxelas, na Bélgica. Santin havia acabado de participar de um encontro com importadores e o embaixador brasileiro na União Europeia, Pedro Miguel. Segundo o presidente da entidade, o motivo da reunião foi para buscar apoio “na agilização da regionalização da União Europeia”.
Na última quarta-feira, 4, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, disse que o bloco europeu já havia iniciado as tratativas para a regionalizar. De acordo com ele, a União Europeia tinha encaminhado um questionário sobre a situação do caso no Brasil e a pasta já havia respondido. O pedido da ABPA é que a regionalização da restrição seja apenas para carnes de frango provenientes do raio de dez quilômetros de onde foi detectado o foco.
Sobre os números das exportações em maio, Santin disse que, antes do caso, o ritmo das exportações “acenava para ficar acima de 400 mil toneladas” no mês de maio. No entanto, na terceira semana, já foi possível observar uma queda. “No caso das duas primeiras semanas do mês, com relação à terceira semana do mês [semana seguinte ao caso], a diminuição foi de 1,74% no ritmo diário das exportações”.
Para junho, o resultado pode apresentar nova queda. “Quando eu olho o histórico do caso da doença de Newcastle, esse [primeiro] mês não é um mês de tanto impacto, porque tem os redirecionamentos e tudo mais. Os impactos maiores se dão, provavelmente, no mês que vem”, projetou. No entanto, ele mantém o otimismo: “Pode ser até que eu seja desmentido e eu adoro errar minhas previsões para mais”. Conforme Santin, o Brasil ainda tem 124 mercados abertos para as exportações de carne de frango.
Mapa apreende 18,8 mil quilos de frango
Os auditores fiscais federais apreenderam 18,8 mil quilos de carne de frango no frigorífico de Westfália (RS). A retenção acontece após os fiscais notarem sinais de uma possível síndrome respiratória em aves. À reportagem, a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) do Rio Grande do Sul, afirmou que foram coletadas 27 amostras desse lote. Segundo a pasta, isso é um procedimento de rotina, quando “se encontram sinais respiratórios ou nervosos” e há o acionamento do Serviço Veterinário Oficial (SVO)
O caso está sendo investigado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para saber se há um novo foco de gripe aviária. Esse lote veio de uma granja comercial localizada em Teutônia (RS). A cidade gaúcha fica próximo de onde foi detectado o primeiro caso de gripe aviária em plantel comercial, em Montenegro (RS).
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