PUBLICIDADE

Economia

Aderir ao IVA ou não? Reforma tributária pode mudar custos, créditos e preços no campo

Especialista alerta que produtores abaixo de R$ 3,6 milhões não estão fora da reforma e devem avaliar o IVA para manter competitividade.

Nome Colunistas

Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com

22/12/2025 - 05:00

Imposto sobre Valor Agregado (IVA), previsto na reforma, trará mudanças importantes ao agro. Foto: Adobe Stock
Imposto sobre Valor Agregado (IVA), previsto na reforma, trará mudanças importantes ao agro. Foto: Adobe Stock

A reforma tributária começa a sair do papel a partir de 1º de janeiro de 2026 e, mesmo na fase inicial de testes, já exigirá atenção do produtor rural — inclusive daqueles que acreditam estar fora do novo sistema por faturarem menos de R$ 3,6 milhões ao ano. 

Segundo Renato Conchon, coordenador do núcleo econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), esse é justamente um dos maiores riscos do momento: a falsa sensação de que nada mudará. “O produtor rural precisa entender que a reforma não é só para quem é grande. A compreensão antecipada das mudanças é fundamental para que a transição seja segura”, disse Conchon em evento promovido pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo. 

CONTEÚDO PATROCINADO

Conforme registrado pelo Agro Estadão, Conchon lembrou que a reforma aprovada não mexe, por ora, em tributos atuais, mas inaugura o novo modelo de tributação do consumo, baseado no Imposto sobre Valor Agregado. Na prática, o chamado IVA substituirá os cinco atuais tributos por dois impostos principais: a CBS, de competência federal, e o IBS, que reunirá a arrecadação estadual e municipal. 

Benefícios do IVA

Conforme Conchon, o IVA trará uma mudança estrutural importante para o agro: o fim ou, ao menos, a redução da cumulatividade tributária. 

Hoje, muitos produtores acreditam que não pagam determinados impostos, como IPI, PIS ou Cofins, mas, segundo o coordenador do núcleo econômico da CNA, isso não é uma verdade absoluta. “Ele [produtor rural] não recolhe diretamente alguns tributos, mas paga embutido no preço dos insumos, máquinas, fertilizantes. Isso vira custo e ele não consegue recuperar”, explica.

PUBLICIDADE

Estudos feitos pela CNA em parceria com a Fundação Getúlio Vargas mostram que essa cumulatividade pesa significativamente no bolso do produtor. Em algumas culturas, como soja e milho, quase 10% do custo de produção é imposto acumulado. Em outras, como a banana, esse percentual ultrapassa 25%. “E mais grave: uma parte relevante desse custo fica com o produtor, porque ele não consegue repassar totalmente para o comprador”, afirma Conchon.

Afinal, aderir ou não ao IVA?

É nesse ponto que entra uma das questões mais sensíveis da nova reforma tributária: o tratamento dado aos produtores com faturamento anual de até R$ 3,6 milhões. 

Pela nova regra, os produtores que fazem parte desse grupo não são obrigados a entrar no regime do IVA, mas podem optar. Segundo dados da Receita Federal citados por Conchon, cerca de 95% dos produtores rurais brasileiros estão abaixo desse limite. “Muitos acham que, por estarem fora da obrigatoriedade, o assunto acabou. Não acabou”, diz.

De acordo com o especialista, a opção de aderir ao IVA pode ser estratégica, a exemplo de produtos como hortaliças, frutas, ovos e flores, que terão alíquota zero na saída da fazenda. Ainda assim, o produtor poderá manter e recuperar créditos tributários gerados na compra de insumos. “Hoje, esse imposto vira custo. Com a reforma, ele pode virar dinheiro de volta, com ressarcimento em até 90 dias, conforme previsto em lei”, explica Conchon.

Além disso, há um efeito direto sobre a competitividade. O produtor que não entra no regime do IVA não transfere crédito para a agroindústria ou para a trading que compra sua produção. “Se o vizinho é contribuinte do IVA e transfere crédito, a trading vai preferir comprar dele. Isso pode significar pagar menos pela soja de quem ficou fora”, alerta. Na prática, dois produtores com o mesmo produto podem receber preços diferentes apenas por estarem ou não no novo regime.

PUBLICIDADE

Por isso, Conchon reforça que a decisão de aderir ou não ao IVA deve ser tomada após muita análise. “Não existe resposta única. Cada produtor precisa sentar com o seu contador, fazer conta, simular cenários. Em muitos casos, entrar no IVA pode reduzir custo e aumentar competitividade”, afirma. 

Para auxiliar o agricultor neste cálculo, a CNA desenvolveu uma calculadora da Reforma Tributária que permite simular o cálculo da CBS e do IBS. Acesse a ferramenta aqui

Reforma tributária é uma mudança de gestão

Na visão de Conchon, a reforma tributária exigirá uma mudança de mentalidade no campo. “Não vai funcionar mais aquela lógica de procurar o contador uma ou duas vezes por ano. O acompanhamento será contínuo”, salienta. 

Ele acrescenta que as compras sem nota fiscal, comuns hoje em algumas propriedades, tendem a se tornar um problema, já que não geram crédito no novo sistema. “A reforma tributária não é só uma mudança de imposto, é uma mudança de gestão”, resume.

Para entender as principais mudanças dos tributos e ajustes na nota fiscal a partir de 1º de janeiro, clique aqui

Siga o Agro Estadão no WhatsApp, Instagram, Facebook, X, Telegram ou assine nossa Newsletter

PUBLICIDADE

Notícias Relacionadas

Acordo Mercosul-UE levanta críticas do governo Trump às vésperas de assinatura

Economia

Acordo Mercosul-UE levanta críticas do governo Trump às vésperas de assinatura

Comentários focam em regras que impedem venda de produtos com selos europeus de indicações geográficas

Aporte de US$ 1,3 bilhão da JBS permitirá ao México cortar 35% das importações de frango

Economia

Aporte de US$ 1,3 bilhão da JBS permitirá ao México cortar 35% das importações de frango

Ministro da Economia do México vê investimento da Pilgrim’s Pride como oportunidade de ampliar a produção avícola e gerar empregos

Setor de máquinas agrícolas fecha 2025 em baixa nos EUA

Economia

Setor de máquinas agrícolas fecha 2025 em baixa nos EUA

Instabilidade econômica e menor renda dos produtores pressionam o mercado, mas setor aposta em retomada em 2026

Acordo entre Canadá e China reduz taxas para canola e pescados

Economia

Acordo entre Canadá e China reduz taxas para canola e pescados

Pequim cortará impostos de 84% para 15% até março, beneficiando produtores de grãos do Canadá

PUBLICIDADE

Economia

Governo da Indonésia cancela implementação obrigatória do B50 para 2026

Testes automotivos e estudos sobre o B50 seguem em curso no país, mas a adoção efetiva dependerá da dinâmica de preços

Economia

Carne bovina brasileira bate recorde de exportações para o mundo árabe

Vendas do produto para o bloco somaram US$ 1,79 bilhão em 2025, quase 2% a mais em relação ao ano anterior

Economia

Exportadores de pescado precisarão de certificado para vender aos EUA

Nova regra obriga apresentação do documento COA em mais de 60 produtos e restringe pescados obtidos por emalhe

Economia

Vendas semanais de soja dos EUA superam previsões do mercado

Exportações da safra 2025/26 somam 2,06 milhões de toneladas, com forte demanda da China

Logo Agro Estadão
Bom Dia Agro
X
Carregando...

Seu e-mail foi cadastrado!

Agora complete as informações para personalizar sua newsletter e recebê-la também em seu Whatsapp

Sua função
Tipo de cultura

Bem-vindo (a) ao Bom dia, Agro!

Tudo certo. Estamos preparados para oferecer uma experiência ainda mais personalizada e relevante para você.

Mantenha-se conectado!

Fique atento ao seu e-mail e Whatsapp para atualizações. Estamos ansiosos para ser parte do seu dia a dia no campo!

Enviamos um e-mail de boas-vindas para você! Se não o encontrar na sua caixa de entrada, por favor, verifique a pasta de Spam (lixo eletrônico) e marque a mensagem como ‘Não é spam” para garantir que você receberá os próximos e-mails corretamente.