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Clima

Vai começar o plantio da soja? Veja a previsão de chuva na sua região

No Sul, clima favorece plantio imediato; em parte do Centro-Oeste, a umidade do solo só deve se consolidar a partir de outubro

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Paloma Santos | Brasília | paloma.santos@estadao.com

15/09/2025 - 05:00

Chuvas mais fortes devem se espalhar pelo País apenas na última semana de setembro. Foto: Adobe Stock
Chuvas mais fortes devem se espalhar pelo País apenas na última semana de setembro. Foto: Adobe Stock

De acordo com o calendário de semeadura do Ministério da Agricultura (Mapa), o início do plantio da safra de soja 2025/2026 está liberado em importantes áreas produtoras, como Mato Grosso e em algumas regiões do Paraná. Em meio à expectativa pela chegada das chuvas, agricultores ajustam o planejamento para evitar riscos à lavoura.

As condições climáticas atuais ainda não são ideais para o plantio, de acordo com a Tempo OK. Segundo a consultoria de previsão meteorológica, a umidade do solo segue abaixo do normal na maior parte dos estados, o que pode comprometer o estabelecimento inicial das lavouras. “Atualmente, apenas o Rio Grande do Sul e o oeste e sul do Paraná apresentam níveis de umidade suficientes para dar início ao plantio”, alerta a consultoria.

As chuvas mais fortes devem se espalhar pelo País apenas na última semana de setembro. Esse período deve garantir umidade suficiente no solo para o início do plantio em várias regiões. “De uma forma geral, a chuva não deverá atrasar na maior parte do Brasil nesta primavera e pode permitir uma instalação mais precoce que no ano passado. Mesmo no Sul, com previsão de chuva abaixo da média, a expectativa é de que haja condições para o plantio da soja no Paraná e do milho no Rio Grande do Sul”, destaca o meteorologista Celso Oliveira, da Tempo OK

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A pedido do Agro Estadão, o meteorologista Celso Oliveira preparou uma previsão climática exclusiva para os cinco estados maiores produtores do grão no País. Confira: 

Mato Grosso

No maior produtor de soja do País, Mato Grosso, o fim do vazio sanitário ocorreu no último domingo, 7, sob a expectativa de produtividade menor e com alerta para alguns desafios, como a incidência de uma La Niña — fenômeno climático caracterizado pelo resfriamento das águas do Pacífico que altera ventos e regime de chuvas no Brasil, com efeitos distintos por região. 

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Segundo Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja-MT, a expectativa no Estado é de chuvas irregulares, com excesso em alguns períodos e estiagens em outros, o que pode reduzir o potencial produtivo da soja. “Dificilmente, vamos chegar num ano de produtividade como o atual, que realmente surpreendeu, tanto no milho quanto na soja”, afirmou ao Agro Estadão.

A previsão, de acordo com o meteorologista Celso Oliveira, aponta para chuvas de forma muito irregular sobre o Estado por pelo menos mais sete dias. “No início da segunda quinzena de setembro, a precipitação será mais intensa sobre a região de Lucas do Rio Verde, Sorriso e Sinop, além do Parecis — Sapezal e Campo Novo do Parecis”, explica o especialista. 

“O plantio começará de forma tímida, mas deverá acelerar sobretudo ao longo da BR-163 na última semana de setembro. Nas demais áreas produtoras, como o próprio Parecis, sul do Estado — Rondonópolis, Campo Verde e Primavera do Leste — e Araguaia, a chuva se consolidará a partir da segunda semana de outubro”, afirma Oliveira.

Paraná

No Estado, duas regiões já estão autorizadas a iniciar o plantio. Segundo Oliveira, “a elevada umidade do solo e a ausência de previsão de geadas deve animar produtores, que já podem começar a instalação da soja”. 

“Entre os dias 16 e 23 de setembro, a chuva retornará, sobretudo ao oeste e sul do Estado. E, finalmente, entre 23 e 30 de setembro, a chuva forte se espalhará por todo o Paraná, aumentando a umidade do solo, inclusive no noroeste”, projeta o meteorologista.

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Rio Grande do Sul

O Rio Grande do Sul ainda aguarda o término do vazio sanitário para começar a plantar, já que há umidade suficiente para a atividade e não há previsão de frio a ponto de trazer geadas no próximo mês. 

O início da semeadura está previsto pelo Mapa em 1º de outubro. “O único ponto de atenção será a chance de fortes chuvas que apodrecem a semente e exigem replantio, situação relativamente comum no início da primavera no Estado”, explica Oliveira.

Goiás

Embora o fim do vazio sanitário no Estado seja em 25 de setembro, a previsão aponta para muito “calor e pancadas isoladas de chuva até a primeira semana de outubro, sem condições para plantio na maior parte do Estado. Somente a partir da segunda semana de outubro, a precipitação será mais organizada sobre Goiás”, diz o meteorologista.

Mato Grosso do Sul 

A semeadura estará autorizada a partir desta terça-feira, 16. “A chuva se intensifica no sul do Estado, região de Dourados, entre a terceira e a última semanas de setembro, favorecendo o início do plantio. No nordeste de Mato Grosso do Sul, região de Três Lagoas, Chapadão do Sul e Cassilândia, a consolidação da chuva acontecerá a partir da segunda semana de outubro”, avalia.

Levantamento da Safra 2024/25

Segundo o último boletim da Safra 2024/25, elaborado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção estimada de soja é de 169,7 milhões de toneladas, 14,8% ou 21,9 milhões de toneladas superiores à da safra 2023/24. Segundo a Conab, a utilização crescente de tecnologia pelos produtores, aliada às boas condições climáticas na maioria das regiões produtoras, justificam a produção recorde da oleaginosa no País.

A produtividade, também recorde, atingiu 3.561 kg/ha. Na atual safra, a maior produtividade foi em Goiás, com 4.122 kg/ha, e a menor, no Rio Grande do Sul, com 2.084 kg/ha, onde as regiões produtoras passaram por altas temperaturas e irregularidades das precipitações a partir de dezembro até o fim de fevereiro, o que afetou drasticamente as lavouras em grande parte do Estado.

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